Paulo Petersen: a necessária transição à Agroecologia

Em oposição ao agronegócio, campo brasileiro pode produzir alimentos, justiça social e trabalho — respeitando biodiversidade, saúde e culturas alimentares. Caminho passa bem longe das enormes monoculturas de cana e soja…

Paulo Petersen, da Associação Brasileira de Agroecologia, abriu debate dedicado ao trabalho no campo e como o agronegócio pode ser superado. Ele iniciou sua fala denunciando a volta da fome, mas com uma característica peculiar: a fome no campo. “É a lógica de internalização de uma determinada forma de conceber a agricultura, ou a economia agrícola, na própria agricultura familiar, que pouco a pouco vai perdendo a sua natureza camponesa e vai se especializando, e vai virando um elo subordinado do agronegócio”, ressaltou.

A alternativa da Agroecologia pode ser solução pra diversos problemas, no Brasil. A começar pela fome, pois a agricultura familiar produz primeiramente para seu autoconsumo. Mas também distribui sua produção diversa e de qualidade em circuitos curtos de comercialização, geralmente muito associada às culturas alimentares locais. “Isso é comida de verdade”, afirmou, “É aquela que respeita o trabalho, que respeita o trabalho da mulher, respeita a biodiversidade. Portanto, é uma economia regenerativa, é um alimento que reproduz a sociedade.”

Escute a fala completa de Paulo Petersen no vídeo acima. Na próxima terça-feira, 23/3, Marenise Oliveira continua o debate contando sua experiência com as cadernetas agroecológicas no semiárido nordestino — e como elas conseguiram transformar a realidade de muitas mulheres.

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