Marilane Teixeira traça mapa de um país sem trabalho

“Outras Palavras” publica os vídeos do seminário que debateu, em setembro de 2020, a regressão produtiva do país e as alternativas. Primeira fala da série conta como nossos empregos industriais foram substituídos por ocupações precárias e “bicos”

O fim do Auxílio Emergencial está desnudando quanto o Brasil andou para trás em termos de trabalho, capacidade produtiva e garantia de dignidade material. A retirada da Ford é apenas uma gota d’água, num oceano de milhares de indústrias fechadas. O país voltou ao Mapa da Fome. Dezenas de milhões estão prestes a mergulhar na pobreza extrema. Nas grandes cidades, as calçadas tornam-se dormitórios dos que perderam o teto. Qual a origem deste abismo? Como superá-lo?

Em busca de respostas profundas, Outras Palavras debateu o tema em nove encontros virtuais, realizados em setembro de 2020. Tiveram apoio da Fundação Rosa Luxemburgo. Promoveram diálogos entre pesquisadores e ativistas destacados. A programação completa, que em muitos casos inclui indicação de livros e textos de referência, está aqui.

Agora, está pronta a edição das 23 falas realizadas pelos debatedores. Vamos publicá-las a partir de hoje, como estímulo à reflexão sobre um tema crucial. A economista Marilane Teixeira abre a série. Pesquisadora do Cesit – o Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho, da Unicamp –, ela abriu a primeira sessão do encontro, intitulada Radiografia da Crise do Trabalho. Abordou, com enorme riqueza de dados, um dos retratos mais emblemáticos de nosso drama. Em quatro décadas, foram eliminados milhões de postos de trabalho na indústria – e substituídos por ocupações precárias, instáveis e mal remuneradas.

A séria continua na próxima terça-feira, 2/2 – com o vídeo de Márcio Pochmann sobre a baixa complexidade de nosso setor de serviços.

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