Célio Turino propõe ir muito além da Lei Aldir Blanc

Norma que financia trabalhadores da cultura durante a pandemia está sendo essencial para setor castigado pela crise. Mas é preciso questionar a própria mercantilização da vida e a suposta separação entre trabalho e cultura

Proposta pela deputada Benedita da Silva (PT), a construção da Lei de Incentivo à Cultura foi intensa, durante os primeiros meses da pandemia, quando trabalhadores da cultura foram obrigados a parar. A chamada Lei Aldir Blanc destina repasses de 1,5 bilhão aos estados e aos municípios, para que incentivem o trabalho de artistas, produtores culturais e trabalhadores da cultura em geral. Entre seus idealizadores está Célio Turino, que tem uma longa trajetória de trabalho relacionado à cultura brasileira e latino-americana, e foi secretário da Cidadania Cultural no Ministério da Cultura entre os anos 2004 e 2010.

Em sua fala durante o seminário O Futuro do Trabalho no Brasil, que aconteceu em outubro de 2020 e foi organizado por Outras Palavras em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo, Turino reflete sobre a centralidade da cultura em nossa sociedade. Questiona: por que continuamos a crer que há uma separação entre cultura e trabalho, este em detrimento daquela? Como fazer com que artistas sobrevivam e sejam remunerados de forma digna, na sociedade capitalista? E vai além: como desmercantilizar a cultura?

A fala de Célio Turino está no vídeo acima. A série continua na próxima quinta-feira, 11/3. Tatiana Roque, professora, matemática e vice-presidente da Rede Brasileira de Renda Básica, continua a conversa sobre os trabalhos sofisticados da cultura e do conhecimento.

Veja outros vídeos da série O Futuro do Trabalho no Brasil:

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