Pedro Rossi: A crise da indústria e o papel do Estado

Ideia radical: redirecionar recursos públicos, desviados há décadas para pagar juros, a uma indústria do Comum. Atenderão demandas sociais em Educação, Saúde, Ambiente e Mobilidade. E gerarão emprego, renda e novas tecnologias

“Há uma decadência do paradigma neoliberal como ideologia”, aponta Pedro Rossi, professor do Instituto de Economia da Unicamp e pesquisador do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON). “Precisamos urgentemente resgatar o papel do Estado como empreendedor, assim como suas responsabilidades, e este é o momento propício para isso. O neoliberalismo já vinha agonizando desde a crise de 2008, portanto, agora há um espaço para novas ideias, como a questão Ambiental, que está na ordem do dia, a Social, a da transferência de renda, desigualdade racial etc. Todas estas são pautas que precisamos mobilizar neste momento de crise – e não podemos separá-las da indústria”, continua ele.

Em grandes potências, como EUA e China, também o Estado tem papel preponderante para desenvolver parques industriais, principalmente por meio de missões: elege-se uma prioridade estratégica para a nação, formula-se políticas públicas para atingir objetivos, seja o de “levar o homem à Lua” ou “atingir soberania tecnológica ou militar” – e assim, se alavanca a Economia. É a indústria vista não como um fim, mas meio para um projeto nacional de desenvolvimento. Esse modelo de missões, aponta Rossi, ou “frentes de expansão”, defendido por respeitáveis teóricos brasileiros como Ricardo Bielschowsky e Celso Furtado, poderia ser uma saída para a reindustrialização brasileira, principalmente se ligada a uma agenda de desenvolvimento radical de combate às desigualdades.

O Estado, portanto, passaria a eleger problemas nacionais a serem resolvidos (e priorizados no orçamento público, em detrimento aos benefícios que gozam as oligarquias financeiras), como Moradia, Meio Ambiente, Saúde, Educação, Saneamento Básico, Mobilidade Urbana etc, que demandam infraestrutura, profissionais e equipamentos — o que geraria renda, empregos e novas tecnologias ao Brasil. Mas para viabilizar essa ideia radical, que aponta novos paradigmas ao desenvolvimento nacional, aponta Rossi, será preciso uma árdua batalha para combater o terraplanismo econômico que domina a política brasileira – e o processo de desmonte do Estado perpetrado por Temer-Bolsonaro.

A fala de Pedro Rossi está no vídeo acima. A série continua na próxima terça-feira, 9/3. O historiador e ativista cultural Célio Turino, ex-secretário nacional da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (e responsável pelo conceito e implantação dos Pontos de Cultura em todo Brasil), analisa a possível construção de uma Economia da Cultura, do Conhecimento, da Ciência e dos Afetos avançada, inclusiva e redistributiva.

Veja outros vídeos da série O Futuro do Trabalho no Brasil:

Marilane Teixeira e o mapa da regressão produtiva

Pochmann vê esquerda atônita e voltada para trás

Danilo Pássaro: resistência à precarização vem das ruas

Belluzzo: saídas para reverter a desindustrialização

Sebastião Neto e as lembranças do Brasil operário

Clemente Ganz vê o futuro do movimento sindical

Dari Krein e as consequências da “Reforma” Trabalhista

Esther Dweck vê uma saída para reindustrializar o país

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