Vacinas contra covid podem gerar mais de US$ 10 bi por ano

Cálculos consideram preço médio de US$ 20 por dose; montante pode ser ainda maior

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Analistas do Morgan Stanley e do Credit Suisse divulgaram ontem estimativas sobre o mercado futuro das vacinas contra covid-19: ele pode gerar mais de US$ 10 bilhões em receitas anuais para a indústria farmacêutica, contando só as vendas para países desenvolvidos. Os cálculos consideram um custo médio de US$ 20 por dose e ainda que as pessoas vão precisar se vacinar todo ano, como acontece com a gripe. O preço das doses, porém, varia, e não sabemos ainda quais serão as candidatas aprovadas.

Para boa parte da indústria, não está no radar firmar contratos de transferência de tecnologia – que poderiam aumentar a capacidade de produção no mundo e as chances de uma distribução mais rápida e justa. No site The Conversation, os pesquisadores Ronald Labonte e Mira Johri (das Universidades de Ottawa e Montreal, respecitvamente) discutem uma outra proposta que está em pauta na OMC: a de que sejam temporariamente suspensas as obrigações do Acordo TRIPS (de Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio) sobre todos os produtos necessários para controlar a pandemia. Ou seja, que se quebrem as patentes (explicamos aqui por que as flexibilizações já previstas nesse acordo não são suficientes para enfrentar a pandemia).

Embora algumas empresas tenham declarado que vão abrir mão voluntariamente dos seus direitos de propriedade intelectual, isso não é o bastante: “Todos esses acordos são pontuais, com uma aura de caridade e não de obrigação. Nem uma única empresa farmacêutica se juntou ao COVID-19 Technology Access Pool (C-TAP) da OMS, que incentiva as contribuições de toda a indústria (…) para permitir o compartilhamento global e o aumento da produção dos produtos de saúde relacionados à covid-19. A indústria parece relutante em desistir de futuros ganhos”, escrevem os autores.

Totalmente nacionais

Além do acordo para receber insumos e produzir a vacina de Oxford/AstraZeneca, a Fiocruz está investindo no desenvolvimento de um imunizante totalmente nacional. Segundo o Estadão, há três projetos distintos, com tecnologias diferentes, mas os três ainda estão em fase inicial de testagem em animais. Dois poderiam estar finalizados em 2022; o terceiro, só no ano seguinte. Pode parecer um futuro distante demais e, para estancar a pandemia agora, é mesmo. Mas o acordo de transferência de tecnologia com a AstraZeneca ainda não foi completamente acertado; se for necessário repetir a vacina contra covid-19 ano a ano (como os especialistas têm acreditado), ter um produto próprio vai ser de grande importância. 

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