Quebra de expectativas em cronograma da AstraZeneca

Entrega de primeiras doses no Reino Unido sofre atraso; produção no Brasil também depende de insumos da farmacêutica

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O cronograma de entrega da vacina de Oxford/AstraZeneca para o Reino Unido teve uma alteração nada trivial. Ao todo, são previstas cem milhões de doses, sendo que 30 milhões deveriam ter sido entregues até setembro deste ano. Isso não aconteceu, e agora o chefe do programa de aquisição de vacinas disse que só quatro milhões serão recebidas ainda este ano. Segundo ele, “as previsões que foram feitas de boa fé à época estavam supondo que absolutamente tudo funcionaria e que não haveria nenhum tropeço”… Era bastante provável a existência de ‘tropeços’, de modo que a notícia não chega a espantar. Apesar dela, a expectativa ainda é que o número total seja atingido ao longo do ano que vem.

Estamos falando da fabricação e entrega das doses; evidentemente, para a distribuição é preciso que o imunizante tenha bons resultados nos testes clínicos e seja aprovado. Quanto a isso, o órgão regulador de saúde do Reino Unido anunciou que vai fazer a revisão acelerada dos dados para aprovação (assim como fez a Anvisa, no Brasil). No melhor dos casos, essa vacina poderia ser registrada por lá até dezembro e, então, seria possível vacinar as primeiras pessoas ainda este ano. “Acho que há uma pequena chance de isso ser possível, mas simplesmente não sei”, disse o professor Andrew Pollard, coordenador dos ensaios, em audiência com parlamentares.

Não sabemos o que esse atraso da AstraZeneca pode significar para o calendário brasileiro. Há pouco tempo a Fiocruz divulgou seu cronograma, cujos pontos foram reforçados ontem em uma oficina para jornalistas: a previsão é finalizar 30 milhões de doses até fevereiro e mais 70 milhões até julho. Só que isso depende do envio de insumos pela farmacêutica britânica. “Temos datas planejadas, mas nunca sabemos se vai atrasar mais um pouquinho. Há uma impossibilidade de prever com precisão. Estamos tentando acelerar o máximo possível”, disse Maurício Zuma, diretor de Biomanguinhos, a fábrica de vacinas da Fundação.

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