País tomado

Tendência continua sendo de alta no número de casos no Brasil, que completou cinco meses de epidemia com 98% das cidades com registros de coronavírus

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Cinco meses depois do início oficial da epidemia, 98% dos municípios brasileiros já registraram alguma infecção pelo novo coronavírus. Apenas 128 cidades seguiam sem registros até 30 de julho. 

A velocidade de espalhamento do Sars-CoV-2 foi tremenda. Uma pesquisa publicada na sexta na revista Nature Human Behaviour aponta que, por aqui, cada infectado transmitia o vírus para outras três pessoas. Essa altíssima taxa correu ao longo dos três primeiros meses de epidemia – e superou aquelas encontradas em países que tiveram graves problemas, como Itália, Espanha, Reino Unido e França.  

Com outra diferença: depois de rigorosas medidas de isolamento social, esses países conseguiram derrubar as taxas para abaixo de 1. Por aqui, seguimos sem atingir esse feito. E, pela segunda semana consecutiva, a Fiocruz vê crescimento no número de casos de Síndrome Respiratória Agida Grave (SRAG) em estados onde, supostamente, o pior já teria passado: Rio, Maranhão e Amapá. A alta, que atinge também as suas capitais, é creditada à reabertura econômica. Já o Laboratório de Inteligência em Saúde da USP Ribeirão Preto vê tendência de alta no país inteiro, a partir da análise das estatísticas do Ministério da Saúde. Embora não tenha valor científico, um levantamento feito por uma empresa preocupa ao apontar que um em cada três brasileiros voltou a ir a festas ou reuniões familiares.

Se os novos casos não param de surgir, parte dos pacientes contabilizados como ‘recuperados’ pelo governo federal estão longe dessa definição. Médicos da Unicamp alertam que já há um fluxo de pessoas com sequelas da covid-19 procurando atendimento nas unidades de emergência e na atenção básica. Dentre os problemas verificados, estão a diminuição da função respiratória. É de se esperar que uma quantidade nada pequena de pessoas vá precisar de atendimento contínuo para lidar com essa e outras limitações. 

E começam a ser divulgados os primeiros casos  no Brasil da síndrome inflamatória rara ligada à infecção pelo novo coronavírus em crianças. Uma reportagem do Estadão mostra que só na UTI pediátrica do Hospital Pedro Ernesto, da UERJ, foram atendidas oito crianças com essa inflamação sistêmica já relatada nos EUA e no Reino Unido. Os sintomas são febre, conjuntivite, manchas no corpo, vermelhidão na sola dos pés e na palma das mãos. Os cientistas ainda não sabem explicar por que acontece.

É o tipo de drama que o presidente Jair Bolsonaro prefere ignorar. Na sexta, ele voltou a fazer pouco do sofrimento alheio. “Infelizmente, acho que quase todos vocês vão pegar um dia. Tem medo do quê? Enfrenta!”, disse a apoiadores em Bagé (RS), uma das paradas do tour que está fazendo pelo Brasil como se estivesse em campanha eleitoral

O país registrou 514 mortes pela covid-19 e 24.746 novos casos da doença no domingo. Nos aproximamos das 95 mil mortes e já passamos dos 2,7 milhões de infecções.

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