Devagar, devagarinho

Brasil aplicou pouco mais de três milhões de doses, das 10 milhões disponíveis. Quantidade garantida no primeiro trimestre só deve cobrir um quarto dos grupos prioritários

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 8 de fevereiro. Leia a edição inteira. Para receber a news toda manhã em seu e-mail, de graça, clique aqui.

O ritmo da vacinação no Brasil anda melhorando, mas mesmo assim só foram aplicadas cerca de 3 milhões de doses, das 10 milhões disponíveis. Se continuar desse jeito, vai levar três anos para imunizar 70% da população, ou quatro anos para vacinar toda a população adulta (isso se a vacina não precisar ser repetida a cada ano, é claro…). 

“O Brasil possui mais de 37.000 postos de vacinação já prontos. Se você aplica 10 vacinas por hora, 60 por dia, e multiplica pelo número de postos, temos mais de duas milhões de doses por dia”, estima no El País o epidemiologista José Cássio de Moraes, que participa há 46 anos do planejamento de campanhas de vacinação no país. Esse cálculo projeta um número ‘por baixo’, sem levar em conta que o país poderia ainda ampliar a estrutura para a vacinação, contratando mais profissionais e alargando os horários, por exemplo. Mas, por enquanto, estamos com menos de 200 mil doses aplicadas por dia, em média.

O governo de São Paulo, que correu e conseguiu garantir a fotografia da primeira dose aplicada, não manteve a pressa: segundo o mesmo site, a campanha tem sido proporcionalmente mais lenta do que a de outros 17 estados, como Paraná, Rio Grande do Norte ou Bahia.

Raspando o tacho

Além dos problemas logísticos que não deveriam existir em um país acostumado à vacinação em massa, tem a sempiterna falta de doses. O Brasil deve encerrar o primeiro trimestre com 41,2 milhões, o que só dá para cobrir 26% da população prioritária (e não da população total), lembra o Estadão. 

E o governo Bolsonaro rejeitou três ofertas do Butantan para comprar a CoronaVac. Em julho do ano passado, o instituto informava que poderia oferecer 60 milhões de doses a partir do último trimestre de 2020. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, não respondeu. Em agosto, o Butantan mandou outro ofício com o mesmo teor, prometendo 45 milhões de doses em dezembro e 15 milhões no primeiro trimestre de 2021. Nada de resposta. Só na terceira tentativa, em outubro, é que Pazuello decidiu que compraria 46 milhões de doses da vacina – mas foi quando Jair Bolsonaro o desautorizou e fez negociação voltar à estaca zero… Quem detalha as três recusas é a repórter Malu Gaspar, na Piauí.

No último sábado, o Butantan começou a produzir mais 8,6 milhões de doses da CoronaVac. E no mesmo dia a Fiocruz recebeu o primeiro lote do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) para produzir a vacina de Oxford/AstraZeneca; porém, a quantidade que chegou só é suficiente para produzir 2,8 milhões de doses, que devem começar a ser entregues em março. A previsão é que cheguem outros dois lotes em fevereiro, e que eles possibilitem a produção de 15 milhões ao todo. 

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 8 de fevereiro. Leia a edição inteira. Para receber a news toda manhã em seu e-mail, de graça, clique aqui.

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos