“Vamos enquadrar”

Líder do governo na Câmara ataca Anvisa e diz que técnicos estão “fora da caixinha”

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

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Ontem o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (Progressitas-PR) conversou com o Estadão e afiou a língua ao falar da Anvisa:  “Eu opero com formação de maioria. O que eu apresentar para enquadrar a Anvisa passa aqui (na Câmara) feito um rojão. Eu vou tomar providências, vou agir contra a falta de percepção da Anvisa sobre o momento de emergência que nós vivemos. O problema não está na Saúde, está na Anvisa. Nós vamos enquadrar”. A Anvisa, sabemos, é uma agência autônoma. 

Barros é um contato frequente do ex-deputado federal Rogério Rosso, lobista da União Química (empresa que pretende comercializar a Sputnik V no Brasil). Na entrevista, ele foi além: “Eles não entenderam ainda. Estão fora da casinha, não sabem que estamos numa pandemia, que precisamos de coisas urgentes, que precisamos facilitar a vida das pessoas”, disse, completando que os técnicos da agência não estão “nem aí” para o problema. O jornal lembra que os atritos entre Barros e Anvisa são antigos – houve problemas graves quando o atual deputado chefiava o Ministério da Saúde no governo Temer.

As declarações repercutiram durante toda a tarde e atingem o presidente da Agência, escolhido por Jair Bolsonaro. No mesmo jornal, Antônio Barra Torres disse que o deputado “está no dever de formalizar uma denúncia no canal competente ou se retratar”: “Acho que para ele não tem mais outra saída: Ou ele denuncia ou se retrata“. À GloboNews, afirmou que as colocações tiveram “um impacto muito ruim, principalmente no corpo de servidores da Anvisa“, e que a agência devia ser blindada de pressões ou influências.

À noite, Jair Bolsonaro saiu em defesa de Barra Torres, que apareceu ao lado do presidente em sua live semanal. “Uma agência não pode sofrer pressão de quem quer que seja. Eu não interfiro em agência nenhuma. Eu posso é conversar com o pessoal, sem problema nenhum. Assim como ninguém pode, acredito, que pressione a Anvisa“, disse Bolsonaro, antes de ser convidado pelo contra-almirante a eventualmente se vacinar (o presidente riu e recusou a oferta).

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