Alimentar-se, ato desumano?

Há algo muito errado com sociedades incapazes de enxergar como se produz sua comida. Existem alternativas — inclusive para não-vegetarianos…

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Há algo muito errado com sociedades incapazes de enxergar como se produz sua comida. Existem alternativas — inclusive para não-vegetarianos…

Por George Monbiot | Tradução: Inês Castilho

O que dizer de uma sociedade cuja produção de alimentos precisa ser ocultada das vistas do público? Em que as fazendas industriais e matadouros que abastecem o grosso da nossa dieta precisam ser vigiados como arsenais, para evitar que vejamos o que acontece ali?

Somos cúmplices dessa ocultação: não queremos enxergar. Nós nos enganamos tão efetivamente que, na maior parte do tempo, quase nem notamos que estamos comendo animais — mesmo durante aquelas que já foram festas raras, tais como Natal, e que agora mal se distinguem do resto do ano.

A começar pelas histórias que contamos. Muitos livros escritos para crianças bem pequenas são sobre fazendas; mas esses lugares alegres, em que os animais andam livremente como se pertencessem à família do fazendeiro, não guardam qualquer relação com a realidade da produção. As fazendas meigas que mostramos a nossas crianças são reificações dessa fantasia. Este é apenas um exemplo de esterilização da infância, em que nenhum dos três porquinhos é comido e João faz as pazes com o gigante — mas isso tem consequências.

A rotulagem reforça o engano. Como Philip Lymbery aponta em seu livro Farmageddon (1), na União Europeia o método de produção deve ser informado nas caixas de ovos — mas não há tais exigências com a carne e o leite. Rótulos sem sentido como “natural” e “direto da fazenda”; e símbolos sem valor, como um pequeno trator vermelho, nos distraem da realidade da criação intensiva de frangos e porcos para corte. Talvez o desvio mais flagrante seja: “alimentado com milho”. Pois a maioria das galinhas e perus come milho, e isso é uma coisa ruim – não boa.

A velocidade da criação de frangos de corte quadruplicou, em 50 anos: eles agora são mortos com sete semanas (2). Frequentemente estão, a esta altura, aleijados por seu próprio peso. Animais selecionados pela obesidade causam obesidade. Criadas para inchar, mal podendo se mover, superalimentadas, as galinhas de viveiros industriais, contêm hoje quase três vezes mais gordura que as galinhas em 1970, e apenas dois terços da proteína (3). Porcos parados e gado confinado passaram por transformação semelhante. Produção de carne? Não, isso é produção de gordura.

Manter animais insalubres em currais lotados requer montes de antibióticos. Essas drogas também promovem o crescimento – um uso que continua legal nos Estados Unidos e é generalizado na União Europeia [e no Brasil], sob o disfarce de controle sanitário. Em 1953, observa Lymbery, parlamentares alertaram a Câmara dos Comuns do Reino Unido de que isso poderia levar ao surgimento de doenças resistentes a agentes patogênicos. (4) Foram abafados por risadas. Mas estavam certos.

Esse sistema é também devastador para a terra e o mar. Animais de fazendas industriais consomem um terço da produção global de cereais, 90% do farelo de soja e 30% dos peixes capturados. Se os grãos que hoje alimentam animais fossem destinados, em vez disso, às pessoas, mais 1,3 bilhão de indivíduos poderiam ser alimentados. (5) Carne para os ricos significa fome para os pobres.

O que sai é tão ruim quanto o que entra. O estrume das fazendas industriais é espalhado ostensivamente como adubo, muitas vezes em volumes superiores aos que as culturas podem absorver: terra arável é usada como entulho. Cria barragens em rios e no mar, gerando zonas mortas com centenas de quilômetros de largura, às vezes (6). As praias de Brittany (no Noroeste da França), relata Lymbery, onde há 14 milhões de porcos, têm sido sufocadas por tantas algas – cujo crescimento é promovido pelo esterco – que tiveram de ser fechadas pelo risco letal: um trabalhador morreu ao raspá-las ao largo da costa, aparentemente de intoxicação por ácido sulfídrico, causado pelo apodrecimento da planta.

É loucura, e não se prevê um fim para isso. A demanda global por carne deve subir 70% até 2050 (7).

Há quatro anos, relativizei minha posição sobre comer carne (8), após a leitura do livro de Simon Fairlie, Meat: a benign extravagance [“Carne, extravagância benigna”] (9). Fairlie apontava que cerca de metade do estoque global de carne não causa nenhum prejuízo para a nutrição humana. Na verdade ela oferece um ganho líquido, por ser de animais que comem grama e resíduos de culturas que as pessoas não podem consumir.

Desde então, duas coisas me persuadiram de que mudar de ideia foi um erro. A primeira é que meu artigo foi usado por fazendeiros industriais para justificar suas práticas monstruosas. As distinções sutis que Fairlie e eu tentamos fazer mostraram-se vulneráveis ao mau entendimento. A segunda é que, no trabalho de pesquisa para um de meus livros, Feral, pude ver que nossa percepção sobre a cadeia alternativa da carne também foi higienizada. (10) As colinas da Grã-Bretanha foram privadas de suas criações de ovelhas. Despojadas de sua vegetação, esvaziadas de animais selvagens, desprovidas da sua capacidade de reter água e carvão; tudo por causa de uma produtividade insignificante. Difícil pensar em qualquer outra indústria, exceto a dragagem de moluscos, com maior proporção de destruição para a produção. Perdulária e destrutiva como a alimentação de grãos para o gado, a pecuária pode ser ainda pior. A carne é má notícia, em quase todas as circunstâncias.

Por que então não paramos? Porque não sabemos, e ainda que saibamos achamos difícil. Estudo do Humane Research Council descobriu que apenas 2% dos norte-americanos são vegetarianos ou veganos (11) e mais da metade desiste no primeiro ano. Mais cedo ou mais tarde, 84% desistem. Uma das razões principais, revela o estudo, é que as pessoas necessitam encaixar-se. Podemos saber que está errado, mas bloqueamos nossos ouvidos e seguimos em frente.

Acredito que um dia a carne artificial poderá tornar-se viável comercialmente (12), e as normas sociais mudarão. Quanto tornar-se possível comer carne sem matar, criar gado para abate será visto como algo inaceitável. Mas para isso, ainda há um longo caminho. Até lá, talvez a melhor estratégia seja encorajar as pessoas a comer como nossos ancestrais. Ao invés de consumir carne a cada refeição, desmesuradamente, poderíamos pensar nela como uma dádiva extraordinária, não um direito. Podíamos reservar a carne para algumas ocasiões especiais, como o Natal, ou comê-la não mais que uma vez por mês.

Todas as crianças deveriam ser levadas por suas escolas a visitar uma criação industrial de porcos ou frangos; e um matadouro, onde deveriam poder testemunhar cada fase do abate e do corte. Acha essa sugestão revoltante? Se acha, pergunte a si mesmo qual é sua objeção: a escolha informada ou o que ela revela? Se não toleramos enxergar o que comemos, o que está errado não é o fato — é o de comer.

Referências

1. Philip Lymbery e Isabel Oakeshott, 2014. Farmageddon: the true cost of cheap meat. Bloomsbury, Londres.

2. Idem

3. Idem

4. http://hansard.millbanksystems.com/commons/1953/may/13/therapeutic-substances-prevention-of

5. Simon Fairlie, 2010. Meat: a Benign Extravagance. Permanent Publications, Hampshire.

6. http://water.epa.gov/type/watersheds/named/msbasin/zone.cfm

7. http://www.fao.org/livestock-environment/en/

8. http://www.monbiot.com/2010/09/07/strong-meat/

9. Simon Fairlie, 2010. Meat: a Benign Extravagance. Permanent Publications, Hampshire.

10. George Monbiot, 2013. Feral: searching for enchantment on the frontiers of rewilding. Allen Lane, London.

11. http://spot.humaneresearch.org/content/how-many-former-vegetarians-are-there

12. http://www.popsci.com/article/science/can-artificial-meat-save-world

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17 comentários para "Alimentar-se, ato desumano?"

  1. Thiago disse:

    Existe algo muito errado na incapacidade de enxergar como se produz as roupas que vestimos, os sapatos que calçamos, as decorações de natal que compramos (referência a um artigo desta página), os celulares e computadores e tantas coisas mais como muitos dos edifícios que entramos ou vivemos ou os transportes que utilizamos. Como conviver com tanta culpa?

  2. Neli Alves Viscaino disse:

    São tantas culpas, mas podemos começar olhando para os animais.

  3. Laura disse:

    Não ver, não querer ver para poder desfrutar, é com este fator psicológico do ser humano que a indústria trabalha e se dá bem.

  4. Gustavo disse:

    Sou zootecnista, faço mestrado em produção animal sustentável e trabalho com bem-estar animal. Confesso que nunca li tanta besteira.

  5. Gustavo disse:

    Sou zootecnista, faço mestrado em produção animal sustentável e trabalho com bem-estar animal. Confesso que nunca vi em um lugar só tanta informação sem fundamento.

    • Inês Portela Nogueira disse:

      Confesso que vc não quer ver a realidade, não está nem aí pra o respeito a vida dos seres sencientes e o meio ambiente. Por causa de pessoas como vc , que o planeta está nesse atraso moral e espiritual.Não estamos mais no paleolítico. È tempo de uma nova consciência planetária. Antropocêntrico , pensa apenas nos bens materiais, e acha que os animais não humanos , são mercadorias e objeto,quanta falta de respeito a vida , a mãe terra ..Vai evoluir criatura!!!

  6. O artigo mostra uma realidade na metodologia de produção de proteínas e o exagero que esta forma de alimentar animais traz na produção confinada para o mercado. Fora os perigos dos hormônios de crescimento agregados à ração dos animais em engorda acelerada. Só um detalhe: troquem a foto das vacas pois essas são holandesas e só produzem leite. Quem sabe uma foto de alguns Aberdeen Angus confinados ficava melhor no artigo.

  7. Sonia disse:

    Olá.
    Excelente colocação, sou vegana e digo que é preciso ir a cena do acontecimento e poder ver e analisar. Educação na prática.
    Gracias.
    Grande Abraço.

  8. O texto é carregado de falácias, tantas que destaquei alguns pontos para esclarecimento. Seria ideal que o autor lê-se e corrigisse seus equívocos, porém se servir de aviso apenas para que outros não sejam enganados por suas mentiras já fico satisfeito.
    “O que dizer de uma sociedade cuja produção de alimentos precisa ser ocultada das vistas do público? Em que as fazendas industriais e matadouros que abastecem o grosso da nossa dieta precisam ser vigiados como arsenais, para evitar que vejamos o que acontece ali?”
    Aqui começam suas primeiras mentiras. Não conheço nenhuma propriedade ou abatedouro que seja vigiado de modo a impedir que se conheça o que se passa dentro deles. O que acontece é uma desinformação, ignorância geral por parte da população, que desconhece os meios básicos de produção de alimentos, outro ponto é a redução da população rural e distanciamento da população urbana das zonas rurais, de modo que muitos nunca tiveram a oportunidade de passar pela frente de uma fazenda e conhecer como os animais realmente são criados.
    Sobre a questão da rotulagem, há realmente algumas defasagens em que as informações não são completamente passadas ao consumidor ou que isso não é feito da forma mais eficiente possível. Porém, avanços importantes têm sido feitos, não só por pressão dos consumidores e órgãos de defesa dos mesmos, mas também pela conscientização de produtores e indústrias de que os consumidores precisam ser melhor informados. Ressalto, que problemas com informações ao consumidor em embalagens não é exclusivo da indústria de alimentos….
    “A velocidade da criação de frangos de corte quadruplicou, em 50 anos: eles agora são mortos com sete semanas (2). Frequentemente estão, a esta altura, aleijados por seu próprio peso. Animais selecionados pela obesidade causam obesidade. Criadas para inchar, mal podendo se mover, superalimentadas, as galinhas de viveiros industriais, contêm hoje quase três vezes mais gordura que as galinhas em 1970, e apenas dois terços da proteína (3). Porcos parados e gado confinado passaram por transformação semelhante. Produção de carne? Não, isso é produção de gordura.”
    Esse parágrafo também está repleto de mentiras, e suas fontes não são cientificamente relevantes. Hoje abatemos os animais mais cedo do que anos atrás, isso foi possível pelo melhoramento genético e progresso em manejo nutricional e produtivo. No caso da produção de aves, esses animais aumentaram de peso muscular, você mente quando diz que houve aumento na produção de gordura corpórea, os consumidores não querem comer gordura, querem comer carne, logo não haveria lógica em selecionarmos animais para a produção de gordura. Porém, alguns problemas na indústria de frangos realmente ocorreram com esse aumento da massa muscular visto que o tecido ósseo, bem como a fisiologia do animal em alguns casos não acompanharam esse crescimento. Isso gerou problemas de morte súbita, ascite , ou que os animais paravam de andar e por conta disso morriam. Como as mortes, houve logicamente perda de produtividade e hoje em dia, medidas já são tomadas para corrigir esses problemas, encontrando novamente um equilibro entre o crescimento dos tecidos ósseo e muscular desses animais. Mais em nenhum momento cria-se animais aleijados. Com relação à carne suína você escreve outra mentira, as raças antigas de porcos era especializadas para a produção de banha, hoje os animais são especializados para a produção de carne. A gordura foi reduzida no corpo desses animais a um nível tão baixo, que hoje consumidores tem relatado perda de qualidade da carne por conta desse baixíssimo teor de gordura. Aqui é importante ressaltar o papel que a gordura tem na qualidade da carne, ela é responsável pelo sabor, odor e suculência da carne, logo com a quase ausência de gordura, a carne perde qualidades organolépticas. O mesmo serve para a produção de carne bovina. Outro ponto importante de destacar é a diferença de produção de bovinos entre o Brasil e Europa- EUA. Nosso gado é alimentado essencialmente solto e à pasto diferentemente dos animais confinados da Europa e dos EUA. Conclusão: é produção de carne sim, e não gordura.
    Sobre o uso de antibióticos, ele é mais comum na produção de aves e são utilizados sobre rigoroso controle, afinal também elevam o custo de produção e reduzem a margem de lucro. Alguns podem sim deixar resíduos no alimento ou no ambiente, mas para evitar que isso aconteça existem vários profissionais qualificados que trabalham arduamente no setor prezando pela preservação do ambiente e oferecendo produtos seguros aos consumidores. Os animais não são mantidos em ambientes insalubres, pois isto acarretaria além de problemas de saúde, queda na produção, muito menos isso ocorre nos abatedouros visto a rigorosa fiscalização sanitária que ocorre no processo.
    “Esse sistema é também devastador para a terra e o mar. Animais de fazendas industriais consomem um terço da produção global de cereais, 90% do farelo de soja e 30% dos peixes capturados. Se os grãos que hoje alimentam animais fossem destinados, em vez disso, às pessoas, mais 1,3 bilhão de indivíduos poderiam ser alimentados. (5) Carne para os ricos significa fome para os pobres.”
    Sim, suínos e aves são alimentados essencialmente por grãos. Mas você mente quando diz que isso é ruim e que acarreta prejuízos na alimentação das populações mais pobres. Esse animais são alimentados com milho e soja por serem os que demonstram melhor desempenho produtivo, porém dependendo da região eles podem ser substituídos por outros produtos, como o farelo de trigo, farelo de arroz e demais subprodutos que não são utilizados na alimentação humana, evitando assim até mesmo o descarte desses produtos no ambiente acarretando danos. O problema da fome não ocorre pela baixa produção de alimentos ou porque milho e soja são utilizados na alimentação animal e sim pela má distribuição de alimentos (sejam eles de origem animal ou vegetal) e renda!!!!! Outro conceito que você ignora é o de segurança alimentar, que hoje não visa apenas alimentos saudáveis, mas sim que assegurem também a adequada nutrição dos seres humanos e passam logicamente pelo consumo de carne. O problema não está em produzir carne para os ricos, mas sim que populações mais pobres não tenham acesso a proteína de origem animal caso queiram consumi-la, é combatendo este último problema que solucionaremos o primeiro.
    È interessante o parágrafo que você destina a utilização dos resíduos, pois a crítica costuma ser com o uso de adubos químicos, mas quando se usa adubos orgânicos que são melhores do ponto de vista “ambiental”, você também critica de forma equivocada utilizando exemplos de casos isolados. A gestão dos resíduos da produção animal tem sido uma preocupação constante do setor pois podem causar prejuízos ambientais quando mal manejados. Porém diversas práticas já são utilizadas e mais estudos tem sido feitos nessa área. A utilização desses resíduos como adubos é excelente para o solo, visto que aumenta os teores de matéria orgânica e evita a utilização de adubos químicos de fontes não renováveis, mas é lógico que a utilização precisa ser nas doses adequadas, pois em excesso e sem os devidos cuidados técnicos pode sim, acarretar prejuízos. Outra forma de utilização desses resíduos que podemos citar como sustentável é a produção de energia através de biodigestores.
    No mais você cita problemas em alguns sistemas de produção que não ocorrem apenas com a produção de carne. Todo sistema de produção causa impactos, cabe a nós minimizá-los ao máximo e todos os esforços necessários para isso estão sendo feitos.
    Sobre levar crianças para conhecer os sistemas industriais de produção sou a favor sim, aliás não só crianças, mas jovens, adultos e idosos também, para que aprendam a dar valor ao que consomem, para que aprendam a respeitar a vida desses animais, para que deem valor ao alimento que consomem. É realmente impactante ver um animal morrer e é exatamente por respeito a vida deles, que me dedico com tanto afinco à minha profissão, que difundo onde trabalho as práticas de bem estar animal. Aliás esse convite deveria ser feito também para demais indústrias, como por exemplo a de eletrônicos e vestuário em que seres humanos são submetidos a situações degradantes das quais nenhum animal deveria passar.
    Douglas Mena do Couto – Zootecnista

  9. Eduardo Riviello disse:

    Gostei do texto, que foi contundente pura e simplesmente por ir direto aos fatos e encaixando as reflexões que a realidade impõe.
    Lamento, porém, pelo penúltimo parágrafo. Quando diz-se que “Podíamos reservar a carne para algumas ocasiões especiais, como o Natal, ou comê-la não mais que uma vez por mês”, sugiro uma reflexão: que vítimas estamos aceitando? Perus, frangos, cães, gatos, humanos, tubarões? Sendo todos capazes de experienciar alegria, prazer, dor e sofrimento, qualquer relação hierárquica representa especismo.
    Pela abolição da exploração de qualquer indivíduo senciente, independentemente de gênero, raça ou espécie.
    Abraços.

  10. Qual o problema de vocês com meu comentário? Não ofendi ninguém, apenas apontei as mentiras do autor.
    O texto é carregado de falácias, tantas que destaquei alguns pontos para esclarecimento. Seria ideal que o autor lê-se e corrigisse seus equívocos, porém se servir de aviso apenas para que outros não sejam enganados por suas mentiras já fico satisfeito.
    “O que dizer de uma sociedade cuja produção de alimentos precisa ser ocultada das vistas do público? Em que as fazendas industriais e matadouros que abastecem o grosso da nossa dieta precisam ser vigiados como arsenais, para evitar que vejamos o que acontece ali?”
    Aqui começam suas primeiras mentiras. Não conheço nenhuma propriedade ou abatedouro que seja vigiado de modo a impedir que se conheça o que se passa dentro deles. O que acontece é uma desinformação, ignorância geral por parte da população, que desconhece os meios básicos de produção de alimentos, outro ponto é a redução da população rural e distanciamento da população urbana das zonas rurais, de modo que muitos nunca tiveram a oportunidade de passar pela frente de uma fazenda e conhecer como os animais realmente são criados.
    Sobre a questão da rotulagem, há realmente algumas defasagens em que as informações não são completamente passadas ao consumidor ou que isso não é feito da forma mais eficiente possível. Porém, avanços importantes têm sido feitos, não só por pressão dos consumidores e órgãos de defesa dos mesmos, mas também pela conscientização de produtores e indústrias de que os consumidores precisam ser melhor informados. Ressalto, que problemas com informações ao consumidor em embalagens não é exclusivo da indústria de alimentos….
    “A velocidade da criação de frangos de corte quadruplicou, em 50 anos: eles agora são mortos com sete semanas (2). Frequentemente estão, a esta altura, aleijados por seu próprio peso. Animais selecionados pela obesidade causam obesidade. Criadas para inchar, mal podendo se mover, superalimentadas, as galinhas de viveiros industriais, contêm hoje quase três vezes mais gordura que as galinhas em 1970, e apenas dois terços da proteína (3). Porcos parados e gado confinado passaram por transformação semelhante. Produção de carne? Não, isso é produção de gordura.”
    Esse parágrafo também está repleto de mentiras, e suas fontes não são cientificamente relevantes. Hoje abatemos os animais mais cedo do que anos atrás, isso foi possível pelo melhoramento genético e progresso em manejo nutricional e produtivo. No caso da produção de aves, esses animais aumentaram de peso muscular, você mente quando diz que houve aumento na produção de gordura corpórea, os consumidores não querem comer gordura, querem comer carne, logo não haveria lógica em selecionarmos animais para a produção de gordura. Porém, algunss problemas na indústria de frangos realmente ocorreram com esse aumento da massa muscular visto que o tecido ósseo, bem como a fisiologia do animal em alguns casos não acompanharam esse crescimento. Isso gerou problemas de morte súbita, ascite , ou que os animais paravam de andar e por conta disso morriam. Como as mortes, houve logicamente perda de produtividade e hoje em dia, medidas já são tomadas para corrigir esses problemas, encontrando novamente um equilibro entre o crescimento dos tecidos ósseo e muscular desses animais. Mais em nenhum momento cria-se animais aleijados. Com relação à carne suína você escreve outra mentira, as raças antigas de porcos era especializadas para a produção de banha, hoje os animais são especializados para a produção de carne. A gordura foi reduzida no corpo desses animais a um nível tão baixo, que hoje consumidores tem relatado perda de qualidade da carne por conta desse baixíssimo teor de gordura. Aqui é importante ressaltar o papel que a gordura tem na qualidade da carne, ela é responsável pelo sabor, odor e suculência da carne, logo com a quase ausência de gordura, a carne perde qualidades organolépticas. O mesmo serve para a produção de carne bovina. Outro ponto importante de destacar é a diferença de produção de bovinos entre o Brasil e Europa- EUA. Nosso gado é alimentado essencialmente solto e à pasto diferentemente dos animais confinados da Europa e dos EUA. Conclusão: é produção de carne sim, e não gordura.
    Sobre o uso de antibióticos, ele é mais comum na produção de aves e são utilizados sobre rigoroso controle, afinal também elevam o custo de produção e reduzem a margem de lucro. Alguns podem sim deixar resíduos no alimento ou no ambiente, mas para evitar que isso aconteça existem vários profissionais qualificados que trabalham arduamente no setor prezando pela preservação do ambiente e oferecendo produtos seguros aos consumidores. Os animais não são mantidos em ambientes insalubres, pois isto acarretaria além de problemas de saúde, queda na produção, muito menos isso ocorre nos abatedouros visto a rigorosa fiscalização sanitária que ocorre no processo.
    “Esse sistema é também devastador para a terra e o mar. Animais de fazendas industriais consomem um terço da produção global de cereais, 90% do farelo de soja e 30% dos peixes capturados. Se os grãos que hoje alimentam animais fossem destinados, em vez disso, às pessoas, mais 1,3 bilhão de indivíduos poderiam ser alimentados. (5) Carne para os ricos significa fome para os pobres.”
    Sim, suínos e aves são alimentados essencialmente por grãos. Mas você mente quando diz que isso é ruim e que acarreta prejuízos na alimentação das populações mais pobres. Esse animais são alimentados com milho e soja por serem os que demonstram melhor desempenho produtivo, porém dependendo da região eles podem ser substituídos por outros produtos, como o farelo de trigo, farelo de arroz e demais subprodutos que não são utilizados na alimentação humana, evitando assim até mesmo o descarte desses produtos no ambiente acarretando danos. O problema da fome não ocorre pela baixa produção de alimentos ou porque milho e soja são utilizados na alimentação animal e sim pela má distribuição de alimentos (sejam eles de origem animal ou vegetal) e renda!!!!! Outro conceito que você ignora é o de segurança alimentar, que hoje não visa apenas alimentos saudáveis, mas sim que assegurem também a adequada nutrição dos seres humanos e passam logicamente pelo consumo de carne. O problema não está em produzir carne para os ricos, mas sim que populações mais pobres não tenham acesso a proteína de origem animal caso queiram consumi-la, é combatendo este último problema que solucionaremos o primeiro.
    È interessante o parágrafo que você destina a utilização dos resíduos, pois a crítica costuma ser com o uso de adubos químicos, mas quando se usa adubos orgânicos que são melhores do ponto de vista “ambiental”, você também critica de forma equivocada utilizando exemplos de casos isolados. A gestão dos resíduos da produção animal tem sido uma preocupação constante do setor pois podem causar prejuízos ambientais quando mal manejados. Porém diversas práticas já são utilizadas e mais estudos tem sido feitos nessa área. A utilização desses resíduos como adubos é excelente para o solo, visto que aumenta os teores de matéria orgânica e evita a utilização de adubos químicos de fontes não renováveis, mas é lógico que a utilização precisa ser nas doses adequadas, pois em excesso e sem os devidos cuidados técnicos pode sim, acarretar prejuízos. Outra forma de utilização desses resíduos que podemos citar como sustentável é a produção de energia através de biodigestores.
    No mais você cita problemas em alguns sistemas de produção que não ocorrem apenas com a produção de carne. Todo sistema de produção causa impactos, cabe a nós minimizá-los ao máximo e todos os esforços necessários para isso estão sendo feitos.
    Sobre levar crianças para conhecer os sistemas industriais de produção sou a favor sim, aliás não só crianças, mas jovens, adultos e idosos também, para que aprendam a dar valor ao que consomem, para que aprendam a respeitar a vida desses animais, para que deem valor ao alimento que consomem. É realmente impactante ver um animal morrer e é exatamente por respeito a vida deles, que me dedico com tanto afinco à minha profissão, que difundo onde trabalho as práticas de bem estar animal. Aliás esse convite deveria ser feito também para demais indústrias, como por exemplo a de eletrônicos e vestuário em que seres humanos são submetidos a situações degradantes das quais nenhum animal deveria passar
    Douglas Mena- Zootecnista.

  11. SR Douglas,seus argumentos é de uma pessoa fria,antropocêntrica sem consciência , respeito e compaixão a vida dos animais não humanos e ao meio ambiente. Pecuária é holocausto. o que a indústria da morte faz com os animais não humanos, toda exploração e matança por justiça, a lei do carma não deixará´impune e o universo devolverá para os animais humanos toda crueldade, covardia e desrespeito a vida e a mãe terra.ganhar dinheiro com o sofrimento e matança dos animais não humanos é covarde e cruel.
    OS ANIMAIS DIVIDEM CONOSCO O PRIVILÉGIO DE TEREM UMA ALMA.\PITÁGORAS.Enquanto a humanidade explorar e , e matar os seres sencientes da mãe natureza, não terão paz, uns matarão aos outros, a fome, miséria e violência e doenças perseguirão a humanidade. Desde o mestre Jesus e tantos outros avatares, já foi ensinado;Não matarás!!!!

  12. Fábio Borba disse:

    Sou zootecnista e faço doutorado em produção animal(bovinos), e nunca vi tanta besteira junta no mesmo lugar. As quetoes levantadas no texto não tem fundamentação cientifica e pratica da produção animal do pais. Para que possamos dar alguma opinião sobre algum assunto, primeiro é necessário tem o mínimo de conhecimento sobre.

  13. Alice disse:

    FAO, 2014: 805 milhões de pessoas passam fome no mundo.
    E há grãos destinados aos animais que atenderiam a 1,3 bi de pessoas. Só isso.
    Se não se importam com animais, talvez se importem com humanos. E observe ainda que é o maior emissor de gás estufa e maior consumidor de água.

    • Vitor disse:

      Alice, pesquise mais antes de cair no conto deste colunista!
      Oferta de alimentos para todos existem, o que não há é uma distribuição adequada!! Temos produção que sobra alimentos para o consumo humano ,sendo possível destinar para alimentação humana industrial. Não caia nesse desvio de informação !

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