Tanto faz o vermífugo

Celebrado em grande evento pelo governo federal, estudo sobre Anitta concluiu que sintomas e complicações da covid-19 são as mesmas entre quem não e quem não toma

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O estudo sobre a nitazoxanida financiado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia foi publicado sexta na plataforma medRxiv, que reúne artigos que ainda não receberam o crivo de revistas científicas ou passaram por revisão de pares.

Em pouco tempo, foi identificada uma grande discrepância entre as expectativas que o festivo evento de divulgação do vermífugo realizado no Planalto vendeu e as conclusões propriamente tiradas pelos pesquisadores.

O principal objetivo do ensaio clínico era descobrir se quem toma nitazoxanida vê reduções de sintomas ou complicações da covid-19. Mas isso não aconteceu. Segundo o artigo, não foram observadas diferenças entre os doentes que tomaram o vermífugo por cinco dias e o grupo que tomou placebo.

Pelo menos, ao contrário da cloroquina, a droga não faria mal.

O estudo viu que a nitazoxanida leva à redução da carga viral – ponto que foi propagandeado pelo governo, apesar de ser um dos objetivos secundários do estudo. Mas o que isso quer dizer? Não muita coisa…

“Vamos imaginar que os vírus são soldados de um exército inimigo, e o nosso corpo é o país que este exército quer invadir. Uma redução de carga viral sem efetiva melhora dos sintomas, como dito neste estudo, significa que nós punimos os soldados inimigos depois da invasão já ter acontecido, e o país já ter sido saqueado. Isso demonstra que não existem benefícios práticos nesta redução de carga viral”, explica Isaac Schrarztzhaupt.

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