Por que a Finlândia sente tão pouco a segunda onda?

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Na Europa, a Finlândia é um caso à parte no controle da epidemia. Após a primeira onda, os casos diários de covid-19 caíram perto de zero em julho, mas o governo manteve algumas das restrições mais rígidas do continente. O país entrou na segunda onda com um nível baixo de espalhamento do vírus e está muito abaixo da média móvel de casos do continente por cem mil habitantes – com 54 contra 576 nos últimos 14 dias – e quase incomparável a outras nações pequenas que estão sendo castigadas pelo vírus, como Luxemburgo e suas 1.302 infecções para cada cem mil habitantes. 

Uma reportagem da Reuters mostra como a resposta finlandesa, baseada em isolamento social, não foi um problema para a população. Pelo contrário: 73% dos finlandeses disseram que as medidas de confinamento foram muito ou bastante fáceis de lidar. E 23% consideraram a quarentena “até mesmo uma melhoria” em sua vida diária

“Talvez a zona de conforto pessoal finlandês seja um pouco mais ampla do que em alguns outros países europeus. Gostaríamos de manter as pessoas a um metro ou mais de distância, ou começaremos a nos sentir desconfortáveis”, disse Mika Salminen, diretora da autoridade de saúde pública da Finlândia. A adesão da população também pode ser medida olhando para a quantidade de finlandeses que, voluntariamente, baixaram o aplicativo de rastreamento de contatos do governo: 2,5 milhões em uma população de 5,5 milhões – “uma taxa com a qual os colegas de Salminen nas autoridades de saúde pública em outros países europeus só podem sonhar”, compara a agência de notícias.

Por lá ajudam muito a baixa densidade populacional, a localização remota e a dinâmica do mercado, já que o país alcançou em abril a maior taxa de trabalho remoto da Europa, com 60% da população em teletrabalho. 

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