O veneno vem do céu

Finalmente saiu a decisão sobre a indenização que a Syngenta e a Aerotex vão ter que pagar aos 92 alunos, professores e funcionários de uma escola em Rio Verde (GO)…

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O VENENO VEM DO CÉU

Circula no Facebook um vídeo que mostra um avião despejando agrotóxicos sobre o acampamento Helenira Resende, em Marabá (PA). Várias pessoas passaram mal. Ainda falta apuração mas, ontem, representantes da OAB iam lá colher depoimentos (não temos mais notícias sobre a visita).

E finalmente saiu a decisão sobre a indenização que a Syngenta e a Aerotex vão ter que pagar aos 92 alunos, professores e funcionários de uma escola em Rio Verde (GO). Eles foram contaminados durante uma pulverização em 2013. Na época houve grande comoção, mas o valor informado é pequeno: R$ 150 mil, enquanto a ação civil pública pedia no mínimo  R$ 10 milhões, como lembra o site De olho nos ruralistas.

SABER O QUE SE COME

Vai ser votado amanhã o projeto de lei que desobriga a indústria de alimentos a mostrar na embalagem se há ingredientes transgênicos. O Conselho Nacional de Saúde é contra a retirada.

Ao mesmo tempo, rola a discussão sobre como deve ser a rotulagem nutricional dos produtos no Brasil. Na semana passada foi divulgada uma carta assinada por 26 pesquisadores que apoiam o modelo desenvolvido pelo Idec e pela UFPR – um triângulo bem chamativo com as advertências necessárias.

Ele lembra o modelo chileno, que tem dois anos de uso e ótimos resultados. Em entrevista ao site O joio e o trigo, a pesquisadora Marion Nestle (que também assina a carta) diz que “a melhor evidência de quão bem os modelos de rotulagem frontal afetam as escolhas alimentares é a intensidade da oposição da indústria de alimentos”.

SABER O QUE SE TOMA

Já se sabia que antibióticos afetavam a nossa flora intestinal e, nos últimos anos, algumas pesquisas apontam que outros medicamentos também fazem isso. Mas um estudo bem vasto descobriu recentemente que muitos – muitos mesmo – têm esse tipo de efeito. A pesquisa estudou quase 1.200 remédios comuns (desde antipsicóticos a quimioterápicos) e viu que nada menos que 835 impediram o crescimento algum tipo de bactéria do nosso corpo. E esses microrganismos “desempenham um papel importante na nossa saúde, inclusive para o nosso sistema imunológico e nossa digestão, e seu desequilíbrio foi associado a uma série de doenças, como doenças auto-imunes, obesidade e distúrbios do humor”, lembra a matéria do Guardian.

E outro problema pode ser ainda mais grave: foi encontrada uma relação entre as bactérias resistentes aos antibióticos e as que não foram afetadas pelos medicamentos testados, e isso sugere que o mesmo mecanismo pode trabalhar aí. Então, pode ser que mesmo remédios não-antibióticos ajudem a gerar essa resistência.

CLASSE SOCIAL É TUDO?

Nos Estados Unidos, ainda que um jovem negro nasça em uma família rica e cresça em um bairro classe A, quando adulto, ele vai ganhar menos do que um branco criado nas mesmas condições. A conclusão é de uma pesquisa que rastreou dados anônimos de milhões de pessoas. Na matéria, o New York Times traz um gráfico com as trajetórias de 10 mil meninos e mostra que, enquanto os brancos se mantêm ricos, os negros estão mais propensos a verem seu padrão de vida diminuir drasticamente até a pobreza. Os números falam por si: só 10% dos brancos se tornaram adultos pobres, enquanto essa é a realidade de 21% dos negros. Da classe média para baixo, o total é de 63% de negros e 36% de brancos – e 39% destes continuam ricos na vida adulta. O mesmo só acontece com 17% dos negros. O abismo se dá entre homens apenas por iniquidade de renda e salários. Curiosamente, entre as mulheres criadas em condições de riqueza semelhantes, as negras ganham mais do que as brancas ou salários muito próximos.

“ESTAMOS PERDENDO A BATALHA”

É o que diz Jacobus de Waard, diretor do laboratório de tuberculose no Instituto de Biomedicina em Caracas, Venezuela. O New York Timesafirma que essa doença está se alastrando pelo país, onde parecia estar sob controle. O jornal relaciona o crescimento da doença ao governo de Nicolás Maduro e diz que, com o sistema de saúde em colapso, é difícil responder ao problema.

A crítica à situação da saúde parte também do parlamento opositor, que, junto com a ONG Médicos pela Saúde, fez um levantamento divulgado ontem. O relatório diz que a escassez de medicamentos nos hospitais é de 88% e a de material cirúrgico é de 79%; e ainda que mais de 90% dos aparelhos de raio-x e tomografia não funcionam na Venezuela.

SETOR PRIVADO

Está liberada a parceria entre Amil e Dasa para a criação de uma rede de clínicas populares chamada CliniJá, que vai começar operando em Duque de Caxias (RJ), Rio e São Paulo. O Cade (agência antitruste brasileira) aprovou ontem.

O valor das multas aplicadas aos planos em 2017 cresceu 10% em relação ao ano anterior, e o montante pago pelas operadoras cresceu 14%, embora a quantidade de multas tenha caído ligeiramente. Isso se deve a novas regras: tem desconto para quem assumir a culpa, então as empresas preferem pagar com abatimento do que enfrentar o processo.

Pela primeira vez: o Hospital Geral de Caxias do Sul (RS), único da Serra que ainda atendia 100% a usuários do SUS, vai começar a vender atendimentos em radioterapia para planos particulares.

RIOS SOB NOVAS AMEAÇAS

justiça mineira proibiu que a empresa Minérios Nacional (da CSN) deposite rejeitos de minério em duas de suas barragens, por causa de instabilidade e vazamentos. O texto da ação civil pública fala em “risco de perdas de vidas humanas, soterramento de dezenas de quilômetros de vegetação, edificações, estradas, cursos d’água, nascentes, mananciais de abastecimento e de danos à fauna”.

E o drama de Correntina (BA), onde 17 rios estão secos devido ao avanço do agronegócio, é relatado no Intercept.

DOPPING LEVE

Maratonistas estão usando maconha para suplementar seus exercícios, diz a Vice. Nenhum dos poucos estudos já publicados apresenta resultados conclusivos sobre a relação entre o THC (principal componente da droga) e a melhora do desempenho, mas atletas estão experimentando.

A CULPA NÃO É SÓ DA IDADE

Na contramão da ideia de que nossa imunidade decai naturalmente na velhice, um grupo de pesquisadores argumenta que a culpa não é só da idade, mas também do sedentarismo. Eles publicaram os resultados de um estudo que compara 125 idosos ciclistas com pessoas sedentárias de diferentes idades. E, vejam só: vários sinais da piora da imunidade não aparecem nos ciclistas. Tem mais detalhes na matéria do Nexo.

FIM DA ESPERA

Já vínhamos falando disso aqui há algum tempo. O Ministério da Saúde disse que vai começar, semana que vem, a entrega de medicamentos judicializados para os 152 pacientes com doenças raras que, há meses, assistem a uma disputa judicial entre distribuidores. Mas isso significa que os remédios serão importados  sem o aval técnico da Anvisa, porque a Global Saúde (empresa que venceu a licitação para distribuir os medicamentos) não tem uma declaração exigida para atestar a procedência e as condições adequadas dos produtos. O ministro Ricardo Barros não vê muito problema nisso: “Segundo ele, é papel do ‘fornecedor’ atestar a qualidade dos medicamentos trazidos de fora”, diz o G1.

DISCUTIR A PNAB

O Conselho Nacional de Saúde vai selecionar 15 pessoas para a Câmara Técnica da Atenção  Básica, que vai debater a nova PNAB e tentar reverter o quadro atual. Mais informações aqui.

FIOCRUZ EM SÃO PAULO

Ainda no primeiro semestre, a Fiocruz deve inaugurar uma unidade de medicina translacional no campus da USP em Ribeirão Preto (SP). A ideia é ter, no mesmo ambiente, a pesquisa de medicamentos em laboratório e os ensaios clínicos em pacientes. O G1 diz que profissionais da USP, da Fiocruz e “empreendedores ligados a startups do setor de saúde” vão interagir de forma menos fragmentada.

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