De casa em casa

Crédito: Muso

Uma estratégia o Brasil conhece bem é apontada como a razão da incrível diminuição da mortalidade infantil em Yirimadio, uma comunidade pobre em Mali…

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DE CASA EM CASA

Uma estratégia o Brasil conhece bem é apontada como a razão da incrível diminuição da mortalidade infantil em Yirimadio, uma comunidade pobre em Mali: “A premissa do esquema, lançado em 2008, é simples: os profissionais de saúde da comunidade passam pelo menos duas horas, seis dias por semana, buscando pacientes de porta em porta e oferecendo atenção gratuita a quem precisa. Mali tenta há muito tempo conter doenças infecciosas evitáveis, como malária, pneumonia e diarreia e tem a sexta maior taxa de mortalidade de crianças abaixo de cinco anos, estimada em 115 mortes para cada  mil nascimentos. Mas, ao transformar radicalmente os cuidados de saúde convencionais – levando profissionais de saúde até os pacientes sem nenhum custo, em vez de exigir que eles busquem atendimento pago – Yirimadio conseguiu uma reviravolta espetacular. Entre 2008 e 2015, a taxa de mortalidade infantil caiu de 154 para 7 por cada mil nascidos vivos”, diz o Guardian.

O ‘esquema’ foi analisado por pesquisadores que o consideraram extraordinário, e eles “dizem que há ‘evidências muito fortes’ de que a assistência médica universal pode ser econômica e amplamente acessível”.  O custo médio é de cerca de US$ 8 dólares anuais por pessoa, o que está na média de gastos dos governos da região.

DOIS FÓRUNS

“Aliar lucro com filantropia”. Segundo a Folha, esta foi a ideia defendida por empreendedores no evento ‘Inovação social: desafios e novos modelos’, promovido por ela e pela Fundação Schwab nesta segunda, no Fórum Econômico Mundial. Foi uma oficina sobre modelos híbridos, em que dois negócios convivem: o filantrópico é sustentado por outro, lucrativo (e também por “alianças com organizações e com governo”, segundo um dos empreendedores). Dois híbridos citados na matéria são na área da saúde. No primeiro, uma organização brasileira oferece atendimento oftalmológico e óculos de graça, e é bancada pelo negócio lucrativo, baseado na produção e venda de óculos a baixo custo. Outra experiência, mexicana, é de oferta de cirurgias oftalmológicas gratuitas. As parcerias público-privadas foram defendidas como “contratos importantes para garantir, por exemplo, o acesso da população à saúde”.

Enquanto isso, no Fórum Social Mundial, especialistas discutiram o financiamento do SUS e a austeridade nas políticas sociais. Também por lá, atingidos por barragens contaram suas experiências. São histórias como a de Geovani Krenak – liderança indígena que vive em um território em Resplendor (MG) e cujo “tio morreu de tristeza” depois do desastre em Mariana envolvendo a Samarco – ou da população de Correntina (BA), onde a água, em vez de abastecer a população, é consumida na irrigação de fazendas.

LUCROU BEM

A empresa de planos de saúde Qualicorp registrou um lucro líquido de R$ 90,4 milhões no último semestre de 2017, diz o Valor. Foi um aumento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2016.

NADA O PROTEGE

Enquanto o desmatamento ilegal afeta a Amazônia, no Cerrado as coisas se complicam: ele é permitido e o agronegócio não perde tempo. Na savana mais rica do mundo, com 5% da biodiversidade do planeta, o Código Florestal só protege entre 25% e 30% do espaço nas reservas legais, que são trechos das propriedades privadas onde deve ser mantida parte da vegetação nativa. E só 7,5% são unidades de conservação. Além da questão da biodiversidade, tem ainda a água: o Cerrado alimenta 8 das 12 bacias hidrográficas brasileiras.

DEIXA ELA EM PAZ

Não é de hoje que está rolando uma onda de labioplastias, aquelas cirurgias intimas femininas, normalmente por motivos estéticos. E o Brasil é o país onde elas mais acontecem: em 2016, foram simplesmente 25 mil. Agora saiu um guia online chamado ‘Afinal, o que é uma vulva?’ destinado a apresentar a meninas as várias aparências possíveis – e absolutamente normais – para essa parte do corpo. A ideia do guia é dar mais confiança para as meninas entenderem que não tem nada errado com elas. Ele também explica como os genitais mudam durante a puberdade e desfaz a confusão que mesmo muitas mulheres adultas têm sobre o que é exatamente cada parte ali.

ROMÂNTICO?

Um homem e uma mulher de quase 90 anos, casados e com doenças terminais, decidiram recorrer à lei de Morte com Dignidade vigente em seu estado (Oregon, EUA) para cometer suicídio. Eles tomaram juntos a medicação letal prescrita. Essa lei já existe há 20 anos e mais de mil pessoas já a usaram, mas a complexidade aqui é que os últimos dias do casal e o suicídio foram gravados pelos familiares – que, por sua vez, são fundadores de um canal de televisão. A gravação virou documentário, e, se por um lado há elogios, por outro há críticas de que o vídeo romantiza o suicídio.

TÓXICO

O presidente dos EUA pode ser acusado de muitas, muitas coisas, mas incoerência parece não estar entre os seus defeitos. O que não é necessariamente bom. O site O joio e o trigo mostra como as políticas de Trump para a alimentação – sendo ele próprio alguém que come Big Macs e bebe 12 latas de Coca todos os dias – só pioram o quadro da obesidade no país, que hoje afeta 36,5% da população (e gera custos diretos  entre US$ 150 e US$ 210 bilhões por ano).

Já faz um tempo que o governo vem desmontando os esforços de Obama no sentido de frear a obesidade: por exemplo, a merenda saudável nas escolas foi parcialmente cortada (porque “as crianças não estão comendo o alimento”, segundo um secretário). Mas parece que as preferências alimentares pessoais do presidente não são as únicas culpadas. A matéria mostra também os conflitos de interesse envolvidos nas políticas.

NÃO BASTA SER RESISTENTE

Tem que passar a resistência adiante. Pelo menos é o que fazem as bactérias que vencem antibióticos, e não só passam essa característica a suas semelhantes como também a de outras cepas. Isso não era uma novidade. Mas pesquisadores descobriram agora uma proteína que ajuda nessa função, o que é importante porque bloquear essa proteína pode impedir que a resistência se espalhe.

NOVO PROTOCOLO

O Ministério da Saúde atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas das Hepatites Virais e, agora, todo mundo que for diagnosticado com Hepatite C – apresentando ou não danos no fígado – vai poder ser tratado pelo SUS. Também foram incorporados às terapias novos remédios que, segundo a pasta, oferecem menos efeitos colaterais.

SÍFILIS

No Acre, a contração via relação sexual aumentou 57% entre 2016 e 2017 – de 574 para 1.007 casos. E um dos problemas mais importantes é que, desses 1.007, 419 foram em gestantes. Com isso, aumentou também a sífilis passada da mãe para o bebê: de 86 casos em 2016 para 102 em 2017. A secretaria de saúde acha que o aumento pode ser explicado porque a notificação passou a ser obrigatória. Vale lembrar que, no pré-natal no SUS, o teste rápido para sífilis deve ser oferecido a toda gestante no início e no fim da gravidez e, se houver resultado positivo, a mulher e o parceiro devem ser tratados.

FEBRE AMARELA

Em São Paulo foi registrada a terceira morte no município de Piedade, enquanto, em Guarulhos, número de óbitos subiu para 14.

SAÚDE DE DETENTOS

Foi adiada a sessão para aprovação do PL 1919/16, no Rio de Janeiro. O projeto torna obrigatório que pessoas privadas de liberdade tenham atendimento hospitalar apenas dentro das próprias unidades penitenciárias, o que vem gerando muita mobilização contrária.

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