Agro é grande

Já tinha acontecido no Brasil e em outros países, agora foi na Europa: a Comissão Europeia aprovou a compra da Monsanto pela Bayer. “Uma situação de oligopólio onde três multinacionais irão controlar dois terços da produção global de pesticidas e agroquímicos”, lamentou uma deputada…

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O AGRO É GRANDE

Já tinha acontecido no Brasil e em outros países, agora foi na Europa: a Comissão Europeia aprovou a compra da Monsanto pela Bayer. “Uma situação de oligopólio onde três multinacionais irão controlar dois terços da produção global de pesticidas e agroquímicos”, lamentou uma deputada. Era o último processo que faltava para permitir a fusão.

A propósito, começa a valer nesta quinta-feira um período de transição até a proibição do paraquate no Brasil (agrotóxico muito usado na soja e no milho), prevista para 2020. Agora, agricultores vão precisar assinar um termo de risco e responsabilidade sobre o uso (parece que mesmo quando são empregados e não têm outra escolha…) e empresas devem produzir folhetos sobre a toxicidade do produto, associado ao mal de Parkinson em agricultores. As distribuidoras vão precisar fazer cursos de orientação sobre uso adequado.

Para lembrar: O Congresso planeja sustar a proibição do paraquate.

BARROS ACUSADO DE BOICOTE

O procurador do TCU Marinus Marsico pediu o afastamento temporário de Ricardo Barros. O motivo é que ele teria boicotado a parceria entre a Hemobrás e a multinacional Shire para a produção de um medicamento essencial para hemofílicos. Pelo acordo, a Shire faria transferência de tecnologia à Hemobrás, enquanto esta deveria abastecer o mercado brasileiro, mas Barros suspendeu o projeto e propôs comprar de outros fornecedores.

Agora, o ministro vai se manifestar e o plenário do TCU vai definir. Mas não deve fazer muita diferença, já que Barros já vai sair, de todo modo, no dia 28, para se candidatar a deputado federal.

SOBRE A ÁGUA

No Fórum Mundial da Água, juristas nacionais e internacionais acordaram que a ela deve ser reconhecida nos tribunais como direito, e não mercadoria. Em caso de dúvida nas decisões sobre meio ambiente, eles devem decidir pela proteção dos recursos hídricos. A orientação está na Carta de Brasília, que tem ainda outros nove pontos, entre eles, a definição de água como bem de interesse público a ser protegido pelo Estado.

Foi divulgada por lá uma revisão da literatura mundial sobre poluição marinha que mostra que pelo menos 25 milhões de toneladas (quantos zeros tem esse número?) de resíduos são despejados, todos os anos, no mar. Como já era de se esperar, a esmagadora maioria vem das cidades.

Contra a maré: Brasil de Fato entrevistou o presidente de honra do Conselho Mundial da Água, organizador do FMA. Um francês que foi preso no ano passado por irregularidades em contratos públicos de gestão hídrica, Loïc Fauchon dirige a Empresa de Águas de Marselha (SEM). Segundo a matéria, Marselha está na contracorrente europeia – enquanto mais de 200 cidades, como Paris, buscam remunicipalizar os serviços, ela mantém um contrato bilionário com a SEM.

“Perderam a vergonha”diz, sobre o FMA, o pesquisador da Fiocruz Leo Heller, que também é relator especial da ONU para o direito humano a água e saneamento. “Nesse fórum, é muito visível a presença das três megaempresas de água mineral, a Ambev, a Coca Cola e a Nestlé. São patrocinadoras do evento e integrantes do Conselho Mundial da Água. Antes os patrocinadores eram empresas concessionárias de serviço de água e esgoto, francesas, espanholas. Houve um deslocamento. Fora isso, há venda de produtos de empresas diversas nos corredores”.

Bem ao lado, no Fórum Alternativo Mundial da Água, participantes se mobilizam para melhorar a informação sobre direito a água e saneamento.

MIGRANDO PELO CLIMA

Mais de 140 milhões de pessoas vão precisar migrar, dentro de seus próprios países, por conta das mudanças climáticas até 2050, diz um relatório do Banco Mundial divulgado na segunda. A maior parte das migrações deve acontecer em locais pobres – só na África Subsaariana serão mais de 80 milhões.

ABORTO NO MUNDO DESPENCA…

… Mas só em países ricos, diz uma pesquisa do Guttmacher Institute, que analisou os períodos 1990-1994 e 2010-2014. Embora a taxa global tenha caído de 46 para 27 por mil mulheres em idade reprodutiva, nos países em desenvolvimento o declínio foi bem menor – de 39 para 36. As maiores taxas estão na América Latina e no Caribe, com 44 por mil. Já na América do Norte, são apenas 17. O relatório diz ainda que, nos 14 países em desenvolvimento que proíbem a prática, 40% das mulheres que tentam abortar têm complicações.

E no Paraguai uma menina de 14 anos, grávida por ter sido estuprada, morreu 20 dias após o parto, por complicações.

COINCIDÊNCIAS

Ontem foi o Dia Internacional da Síndrome de Down, bem no momento em que a desembargadora Marília Neves ofendeu uma professora que tem a síndrome. Teve protesto no Rio.  E, nesta entrevista, tem respostas para algumas dúvidas sobre o tema.

SAÚDE E RACISMO

Quem sofre racismo tem mais chances de ter AVCs , ataques cardíacos, depressão e alcoolismo, diz esta matéria do El País, que  discute os efeitos do preconceito do na saúde, no trabalho e na educação.

SAÚDE E TRABALHO

No Le Monde Brasil: “A grande quantidade de adoecimentos e mortes no mercado de trabalho brasileiro está diretamente associada a um padrão de gestão predominantemente predatório. Esse padrão significa um comportamento empresarial que tende a buscar extrair o máximo de excedente sem respeitar qualquer limite que considere entrave ao processo de acumulação”.

DEMISSÕES COM A NOVA PNAB

Uma reunião organizada pelo Conselho Nacional de Saúde discutiu demissões em massa e desvalorização dos agentes comunitários. No ABC Palista já foram demitidos 300 agentes; em Santos, 164; no Rio, cerca de 100.

BOTÃO DO PÂNICO

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou um projeto de lei para munir com um ‘botão do pânico’ as mulheres amparadas por medidas de proteção, no caso de violência doméstica. Se não houver recurso, o projeto vai direto para tramitação na Câmara. E a mesma comissão aprovou um texto que flexibiliza o cumprimento de pena para mulheres grávidas – a prisão preventiva seria substituída pela domiciliar, dependendo do tipo de crime.

MORTE INVISÍVEL

Cientistas estão investigando mais de perto processos de morte celular. Um estudo publicado na Nature Cell Biology mostra o que acontece com os ‘restos mortais’ de células específicas de um verme para entender como eles são eliminados – já se conhecia o processo de eliminação de algumas células mortas, mas não todas. Acredita-se que doenças autoimunes tenham a ver com esse processo (quando células mortas não eliminadas chamam a atenção do sistema imunológico), então esse tipo de descoberta pode apontar caminhos para novos tratamentos.

FEBRE AMARELA

O governo federal atualizou o número de casos: já são 1.098, com 340 mortes. No último balanço (13/3), eram 920 casos e 300 óbitos.

 

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