O que se sabe sobre a distribuição das vacinas

Aprovações emergenciais se referem a seis milhões de doses da CoronaVac e mais dois milhões da vacina de Oxford, que ainda estão na Índia

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O Instituto Butantan começou a produzir a CoronaVac e já tem 11 milhões de doses – mas o pedido de autorização não foi referente a esse montante, e sim a outras seis milhões de doses que importadas da China no ano passado. Portanto, só estas estão liberadas. Já o aval para a vacina de Oxford/AstraZeneca se refere às duas milhões de doses que o governo tenta trazer da Índia – por enquanto, não conseguiu, de modo que elas ainda não estão em solo brasileiro e não há previsão para chegaram. A Fiocruz estima produzir 100 milhões de doses até julho a partir do ingrediente ativo que será importado da China, mas o pedido à Anvisa é mesmo restrito ao carregamento indiano. 

Para novas doses, será preciso entrar com novos pedidos. Porém, segundo O Globo, espera-se que as próximas avaliações corram mais rápido.

O rateio

A previsão otimista do ministro Eduardo Pazuello é a de que o país pode chegar a vacinar um milhão de pessoas por dia, o que seria um grande feito. Já a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo paga mais: para ela, o SUS tem condições de alcançar até cinco milhões por dia. Mas para isso é preciso ter profissionais, locais de vacinação, horários diferenciados, ordem para evitar aglomeração. E, o mais importante: as doses dos imunizantes. 

Ontem à tarde, a Polícia Federal estacionou viaturas na porta do Butantan para estocar as doses da CoronaVac até o aeroporto de Guarulhos, de onde irão para um galpão do Ministério da Saúde. A ideia é que comecem a ser distribuídas a “pontos focais” dos estados hoje  – aliás, às pressas, Pazuello convidou os governadores para um “ato simbólico de recebimento das vacinas” hoje de manhã. A campanha nacional deve começar na quarta-feira às 10h

Mas tudo indica que São Paulo vai continuar seu calendário próprio. A previsão é recomeçar a aplicar vacinas hoje às 7h no Hospital das Clínicas da USP. Além disso, 30 caminhões devem para distribuir doses, seringas e agulhas a hospitais do interior. 

E mais: apesar de o governo federal querer centralizar a partilha, Doria afirmou que “não confia” no Ministério da Saúde e vai enviar por sua conta 50 mil doses a Manaus…

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