O papel da nova variante

Não é possível relacionar diretamente nova variante encontrada em pacientes do Amazonas a caos vivido na capital. Mas estudo indica que ela tem maior potencial de transmissão e de reinfecção

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N’O Globo, o médico intensivista Thales Stein chama a atenção para outro fator: uma mudança no perfil das vítimas. “A covid-19 mudou, está evoluindo mais rápido. Estamos vendo um altíssimo número de óbitos em pessoas de 40 e 50 anos, isso não acontecia antes. Só havia complicações entre pessoas com doenças  pré-existentes. O número de jovens internados também cresceu bastante”. A diferença é notada por outros profissionais, em outras reportagens. “A gente recebe agora famílias inteiras com comprometimento pulmonar que necessitam de internação de uma só vez. Há também um alto número de pacientes jovens acometidos“, diz a médica Uildeia Galvão.

Sabendo que uma nova variante foi identificada em pacientes do Amazonas, a tentação é a de atribuir logo uma relação direta entre as duas coisas. Ao menos por enquanto, não é possível fazê-lo – não há nada indicando que a variante leve a uma piora dos quadros em qualquer idade. Mas há, sim, algumas indicações de que ela tenha maior potencial de transmissão e de reinfecção. A matéria de Júlio Bernardes, no Jornal da USP, explica o trabalho recente que fez essa descoberta. Se isso se confirmar, é uma preocupação não só para o Amazonas mas para todo o país. 

A Fiocruz Amazônia encontrou o primeiro caso confirmado de reinfecção com essa nova variante (e sabemos que o estado faz poucos testes PCR, de modo que não deve ser fácil fazer os sequenciamentos genéticos que confirmem as reinfecções).

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