Muito pior do que parece

Cientistas não param de se surpreender com os estragos que o novo coronavírus causa no organismo de pacientes graves

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O novo coronavírus pode desencadear o aparecimento de diabetes em pessoas saudáveis, além de causar complicações graves em pacientes que já tinham a doença. O alerta foi feito na sexta-feira por 17 cientistas em uma carta publicada no New England Journal of Medicine. Ligados ao projeto “CoviDiab Registry”, eles chamam afirmaram que “existe uma relação bidirecional” entre as doenças. 

“Por um lado, a diabetes está associada a um risco maior de desenvolver a covid-19 grave. Por outro, foi observada em pacientes com covid-19 uma diabetes desenvolvida recentemente e também complicações metabólicas graves decorrentes de uma versão pré-existente da doença, incluindo a cetoacidose diabética e a hiperglicemia hiperosmolar, que necessitam de doses excepcionalmente altas de insulina”, dizem, defendendo mais pesquisas sobre o assunto.

Na semana passada, circulou a notícia de um transplante de pulmões feito em Chicago, nos EUA. A paciente é uma jovem na casa dos 20 anos, que era saudável antes de contrair a doença e teve os órgãos destruídos pelo coronavírus. O médico que liderou a cirurgia, acostumado a fazer transplantes do gênero, disse ao New York Times que ele pouquíssimas vezes viu danos iguais. A foto de um dos pulmões pode ser conferida no fim da reportagem.

Ontem, o Guardian reforçou a preocupação ao relatar o depoimento de um especialista ao parlamento inglês, que montou uma comitê para entender melhor a doença. Mauro Giacca, do King´s College, informou aos congressistas o que aprendeu fazendo autópsias na Itália em vítimas da covid-19 que passaram entre 30 e 40 dias internadas em UTI:  “O que você encontra nos pulmões de pessoas que ficam com a doença mais de um mês antes de morrer é algo completamente diferente da pneumonia normal, influenza ou vírus SARS”, disse ele. “Você vê trombose maciça. Há uma perturbação completa da arquitetura do pulmão – sob algumas luzes, você nem consegue distinguir que costumava ser um pulmão”. E isso, alertou, é indicativo de que os sobreviventes de internações mais longas podem ter sequelas sérias.


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