O que mostra a segunda fase da pesquisa nacional sobre covid-19

Proporção de pessoas com anticorpos subiu 53% em duas semanas; veja locais mais preocupantes

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 15 de junho. Leia a edição inteira.
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A proporção da população com anticorpos para o novo coronavírus no Brasil aumentou 53% nas últimas duas semanas, de acordo a pesquisa por amostragem coordenada pela Universidade Federal de Pelotas, cujos resultados da segunda fase foram divulgados no feriado. A variação considera as 83 cidades onde foi possível testar mais de 200 pessoas na primeira e na segunda etapas da pesquisa. Nessas cidades, havia 1,7% de pessoas com anticorpos em meados de maio, (falamos disso aqui) contra 2,6% no início de junho. É um aumento inédito em estudos similares ao redor do mundo, segundo os pesquisadores: “Por exemplo, na Espanha, estudo semelhante indicou aumento de apenas 4% entre as duas etapas da pesquisa”, escrevem eles.

Mais uma vez, há diferenças marcantes entre as regiões, com a Norte concentrando as cidades com maior prevalência, seguida pelo Nordeste. Também se destacam as cidades do Rio de Janeiro, Maceió e Fortaleza, onde o percentual de pessoas afetadas subiu, respectivamente, de 2,2% para 7,5%; de 1,3% para 12,2%; e de 8,7% para 15,6%. Apesar de tudo, mesmo nos locais onde a prevalência é mais alta, a chamada ‘imunidade de rebanho’ está distante.

Por aqui, o que nos chamou a atenção foram reduções no mínimo curiosas em alguns locais, embora a nota técnica da UFPel e as reportagens que lemos até o momento não mencionem isso. A etapa divulgada no fim de maio mostrava que a cidade de Breves, no Pará, era a que tinha maior prevalência do novo coronavírus, com 25% dos habitantes tendo sido sido infectados, mas agora o percentual encontrado foi de apenas 12,2%. Também no Pará, Castanhal tinha 15,4% e, agora, 10,8%. Houve ainda reduções mais leves em capitais como São Paulo e Rio Branco. Não sabemos o que exatamente explica essa diferença nem o quanto ela afeta a acurácia da pesquisa. Entramos em contato com a assessoria de comunicação e vamos contar na newsletter quando recebermos uma resposta.

Hoje, esse tipo de levantamento é o mais próximo que se pode chegar de uma estimativa da prevalência e da evolução das infecções pelo novo coronavírus no Brasil, pois inclui nas testagens pessoas com ou sem sintomas. Pelos dados das secretarias estaduais de saúde, o Brasil chegou ontem a 43.389 mortes por covid-19 e ultrapassou os 860 mil casos.

Mas, além dos testes por amostragem, outro tipo de pesquisa pode indicar a prevalência do vírus: sua detecção em águas de esgoto. Em Minas Gerais, um monitoramento feito pela Agência Nacional de Águas com a UFMG apontou na sexta-feira que o contágio em Belo Horizonte e em Contagem pode ser até dez vezes maior do que o registrado pelas autoridades. O coronavírus foi encontrado em 100% das amostras da bacia do Onça (eram 80% na semana anterior) e 86% na bacia do Arrudas (eram 71%).

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