“Líder em recuperados”

Ao contrário do que disse Eduardo Pazuello à OMS, posição brasileira só evidencia fracasso

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 14 de agosto. Leia a edição inteira.
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Eduardo Pazuello incorporou o Placar da Vida, do Ministério da Saúde, ao falar da situação brasileira em reunião da OMS. No encontro – onde, segundo o colunista do UOL Jamil Chade, tradicionalmente os governos apresentam seus números e as medidas adotadas na pandemia – o ministro interino simplesmente omitiu as 105 mil mortes e os 3,2 milhões de casos registrados no país. Decidiu ousar: “Até o final do dia de ontem, o Brasil contabilizava 2.309.477 casos recuperados de covid-19. Estamos entre os líderes mundiais em pacientes recuperados, o que evidencia o acerto das ações do governo brasileiro em resposta à pandemia”.

Não é preciso ser gênio para entender que, se a doença mata em geral menos de 5% dos infectados, qualquer país com muitas infecções vai ter sempre muitos “recuperados” também. Ser líder nisso é, obviamente, sinal de fracasso. Mas a positividade do Ministério ainda por cima desconsidera todos os efeitos que podem acometer quem já teve covid-19. Alguns pacientes continuam com sintomas meses após a alta. Quem fica internado muito tempo acaba com problemas que demandam cuidado e tratamentos específicos. E já estão sendo identificadas várias sequelas que o novo coronavírus pode deixar – algumas delas podem se tornar complicações para a vida toda. No podcast Tibungo, o Outra Saúde conversou sobre isso com o biólogo Marcelo Bragatte, um dos coordenadores da Rede Análise Covid-19, que explica em que pé estão as descobertas sobre sintomas e sequelas da doença. Também falamos com Wellington Cruz, que ficou mais de dois meses internado e conta o que passou (e ainda passa, meses depois) por conta do novo coronavírus.

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