A judicialização da vacina

Graças a Bolsonaro, discussão que poderia acontecer no campo científico foi transposta para o Supremo

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Já são quatro ações protocoladas por partidos no Supremo depois que Jair Bolsonaro voltou atrás no acordo de incorporação da CoronaVac ao Programa Nacional de Imunizações, colocou a tecnologia chinesa em descrédito e se posicionou contra a obrigatoriedade da vacinação. Na sexta, o relator do caso, Ricardo Lewandowski, pediu explicações ao Planalto

O ministro já remeteu diretamente ao plenário a decisão sobre a obrigatoriedade da vacinação, objeto das ações do PDT e do PTB. O primeiro defende que estados e municípios possam decidir o assunto sozinhos e a segunda pede que a vacina não seja obrigatória.

As outras ações foram movidas pela Rede, que cobra o apoio do governo federal à vacina do Butantan e por PCdoB, PSOL, PT, PSB e Cidadania, com o objetivo de obrigar o governo a colaborar com o desenvolvimento de toda e qualquer vacina contra a covid-19 em pesquisa no país.

O presidente do STF, Luiz Fux, afirmou na sexta que a judicialização do tema era necessária. “Não só a liberdade individual, como também os pré-requisitos para se adotar uma vacina“, disse.

No sábado, o presidente voltou à carga contra a vacinação compulsória. Em tom de deboche, postou nas redes sociais uma foto ao lado de um cachorro afirmando que “vacina obrigatória só no Faísca”.

E no domingo afirmou que não tem pressa para ir “atrás da vacina brasileira” por não querer repetir “escândalos com a verba para respirador”. Só dá para ler como mais uma indireta a colocar em dúvida a qualidade da CoronaVac…

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