Resenha Semanal

6 a 13 de março 2020. O que era uma suposta fantasia da imprensa atinge o núcleo do governo e os mercados. A pandemia exige novas e ousadas posturas sobre a sociedade que queremos.

A semana está sendo muito louca. O mercado do petróleo e o coronavirus derreteram as bolsas e desnudaram aspectos de nossa vida.

Por um lado, ficou claro que o desmonte da saúde pública, das universidades e fomentos à ciência, operados pelas políticas neoliberais. São danosos porque diminuem a capacidade de reação dos estados.

A equipe de bufões, terraplanistas, palhaços, fundamentalistas, charlatões e teóricos da conspiração reunida pela extrema-direita claramente não conseguirá dar conta do recado.

Rasgou a fantasia

O mercado capitalista, quando se equilibra pela catástrofe, provoca mortandade.

Há inúmeros aspectos levantados pelas crises, dentre eles a distância entre a hiperatividade informacional de nossa cultura e a reação material da natureza. Ouvi que a pandemia pode ser vista em termos ecológicos, como uma reação da natureza contra a excessiva atividade econômica humana. Uma espécie de “circuit-breaker” natural.

Para regimes como o de Bolsonaro, será um desastre, já que ele existe necessariamente num ambiente onde a saturação informativa é condição a priori. Guedes e mesmo Trump vão ter que se ver com isso.

O sistema humano como um todo parece estar em perigo, e os riscos de fechamento agora ganham outra dimensão. Para a esquerda, trata-se de uma oportunidade de afirmar o comum, o público e a solidariedade contra o mercado.

Trata-se de uma oportunidade de ouro para apontar os perigos do sistema capitalista e propor novas formas de viver, questionando inclusive a natureza do dinheiro. Mas a imaginação na esquerda precisa estar acesa.

Na França, o programa de privatizações dos aeroportos foram suspensos pelo presidente Macron. Por aqui, Guedes quer fazer o contrário e afirma que passar as reformas “vai combater a pandemia”.

Mas o controle estatal e a vigilância sobre os cidadãos está nas cartas, e tem extrema-direita que estão politizando a pandemia.

O sistema capitalista está estourando nas partes fracas: rebeliões prisonais na Itália (que tem quarentena nacional), e perigo em países onde não há medicina pública (EUA). Os trabalhadores precários, que não conseguirão deixar de trabalhar, vão ser vetores de transmissão.

O derretimento dos mercados em todo o mundo também colocam em xeque a classe média que abriu mão de direitos trabalhistas e colocou suas economias na bolsa.

Pelo menos a especulação sobre os perigos da manifestação anti-STF acabaram, tendo sido canceladas. Havia forte especulação sobre o ato como um trampolim para o fechamento do regime, que ainda assombra o mundo político.

No Chile deu dois milhões de pessoas na rua, e o país ainda está em processo de insurreição.

No Brasil, o ministro Moro foi ao Paraguai para pedir a libertação de Ronaldinho Gaucho, foi preso com passaporte falso. História estranha. Celeuma acerca da série de televisão sobre Marielle Franco a ser realizada por Padilha: reações do movimento negro acenderam o debate. A ocuapação guarani no Pico do Jaraguá continua, depois de ameaça de desocupação.

A especulação sobre a infecção de Bolsonaro pelo coronavirus dominou o noticiário. Acabou que não, mas o secretário da SECOM, Fabio Wejngaten sim.

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