Resenha Semanal

28 de fevereiro a 6 de março 2020. A epidemia global expõe as limitações do mercado capitalista. Mas a esquerda precisa se reposicionar no tabuleiro político.

Mais uma semana dentro do Brasil Bolsonaro…

O carnaval veio e se foi, deixando pouco mais do que confete pisado. Ainda estamos sob o bolsonarismo de agressão, que nos proporcionou episódios de rara vulgaridade na semana: novos ataques a jornalistas e a Gleisi Hoffmann, as bananas de Carioca, provas de que a milícia digital governista opera dentro do gabinete de Eduardo Bolsonaro, com dinheiro público. O site extremista “Bolsofeios” foi registrado com o telefone de um assessor do deputado.

O método bolsonarista?

Mas tem sido possível dar um passo atrás e tentar não se levar pela urgência das maldades governistas. A falsa briga entre o Planalto e o Congresso acerca do orçamento impositivo é um exemplo: observei só o desfecho, de longe, e não perdi nada.

Contos da Carochinha…

A celeuma das manifestações bolsonaristas de 15 de março recedeu no noticiário para dar lugar às miquices do comediante Carioca, que dominaram as manchetes no mesmo dia que o “pibinho” foi anunciado: infimos 1,1%.

O fracasso do projeto ultraliberal já vinha sendo anunciado há tempos na oposição, em paralelo aos reclamos insistentes dos fantásmicos “indícios de recuperação” da mídia liberal. A situação atual é de uma penúria que nos machuca muito, mas tento imaginar como seria pior o ambiente político se a economia estivesse bombando…

Vejo melhor agora: vai ser sempre assim. A atrocidade incontornável de uma semana é superada por outra obscenidade dias depois. Deu para ver também que não vai ter reação da sociedade, nem das instituições, nem dos arrependidos, nem dos democratas, nem da esquerda. Todo mundo fica indignado, mas poucos organizam sua raiva.

A minha querida fantasia da Ficha Cadente não vai rolar!

O evento mundial que pode romper com esse ciclo escabroso é o Covid-19. A epidemia é global e afeta fortemente as economias mundiais. As bolsas de todo o mundo sentem o baque, e, no Brasil, o dólar bateu nos R$4,60. Alguns analistas apontam que trata-se de uma oportunidade de confrontar o claro fracasso do esquema neoliberal em situações como essa. A medicina privada não consegue fazer frente ao vírus nessa escala, que demanda um tipo de conhecimento, de disponibilidade estrutural, de alcance e protagonismo que só a saúde pública consegue proporcionar.

Anagrama: desembaralhe as letras e descubra outro escritório, este digital.
Anagrama: desembaralhe as letras e descubra a definição que a OMS hesita em assumir.
Anagrama: desembaralhe as letras e descubra o que pôs a nu a fragilidade do capitalismo atual.

Deixar as “forças do mercado” equilibrar o surto resultaria na morte de milhões de pessoas, com o provável colapso da economia global. Nos EUA, onde não há saúde pública universal e temos milhões de pessoas sem cobertura médica, pode vir a ter altíssimas taxas de mortalidade. O mercado mata. Especialmente vulneráveis estão os precarizados, que não dispõe de proteção médica e não podem deixar de trabalhar, memo doentes

As direitas tentam ganhar pontos com o surto, como na Itália. Na esquerda, teóricos como Agamben apontam os perigos dos poderes excepcionais que podem ser atribuídos ao estado na gerência da crise, como ocorre na China.

Mas a esquerda deve trabalhar para potencializar a análise dos limites do mercado neoliberal, e também a temeridade que é escalar terraplanistas, criacionistas, bufões e cristãos fundamentalistas para cargos de responsabilidade. Agora vemos como o congelamento das despesas públicas passada por Temer depois do golpe é irresponsável e nos coloca em perigo, tendo limitado a potência da saúde pública. A pesquisa científica, a educação humanista, plural, são cruciais em situações como essa que ora vivemos. Roda de oração não vai bloquear o coronavirus.

A igreja Catedral Global do Espírito Santo está vendendo óleo imunizador contra o coronavírus… A polícia local investiga o caso, que pode ser enquadrado na categoria do curandeirismo.

Temos no Brasil muito conhecimento médico sanitário acumulado no serviço público. Duas brasileiras conseguiram mapear o DNA do coronavírus. A corrida por uma vacina não pode ser deixada para o mercado. Não que ele não vá tentar lucrar com a crise.

A esquerda prisioneira da fixação mórbida na monstruosidade da performance fascista…

Algumas vozes questionam como é que a mesma mobilização de emergência que se vê por todo o mundo não pode ser dedicada à crise climática. A gravidade é a mesma…

Em termos semelhantes, argumenta-se que, se foi possível aos governos imprimirem dinheiro para salvar os bancos em 2008 (o chamado “quantitative easing”), é possível fazer o mesmo para erradicar a pobreza e fazer a transição climática.

Mas, no geral, a esquerda estamos ainda prisioneiros da armadilha bolsonarista, divididos entre assumir a incerta insurreição anticapitalista ou defender as instituições podres que configuram um mínimo de normalidade. Ainda parecemos correr em círculos lançando as mãos ao alto clamando por tempos melhores.

O que o partido acha do movimento:

O que o movimento acha do partido:

De resto, Regina Duarte assumiu seu cargo na Secretaria da Cultura, e parece ter alijado os olavistas que dominavam até então. As milícias digitais atacaram a atriz, e a classe artística como um todo não prestigiou a nova colocação de Duarte.

Avaliação de conjuntura no partido…

Os indígenas Guarani do TI Jaraguá lutam contra a imobiliária Tenda, que comete crime ambiental e ameaça a presença desses povo originário. A situação é tensa, e os povos indígenas em geral estão sob forte pressão de agressão por todo o Brasil. Eles são alvos preferenciais do bolsonarismo, e estão na linha de frente da guerra que envolve poderosos interesses econômicos.

Em Uberlândia, em Minas Gerais, o militante do MTST, Daniquel Oliveira, foi executado friamente por policiais”.

Segue o necroestado e a necropolítica…

SOLUÇÃO dos ANAGRAMAS:

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