Resenha Semanal

11 a 18 de outubro 2019. A semana foi dominada pela guerra civil no partido do presidente. A instabilidade aumenta com o julgamento no STF que pode beneficiar Lula…

Agora é golpe? Mas com quem?

O isolamento auto-inflingido de Jair Bolsonaro é tão intenso que força nos perguntamos o que ele quer de fato. O derretimento de sua relação com seu partido de base, o PSL, a elevação dos ataques contra antigos correligionários e colaboradores da rede, seus ataques à imprensa em geral… tudo isso ameaça o governo de derretimento. Em cima de tudo isso, há o julgamento no Supremo Tribunal que afeta o caso de Lula (prisão após 2a instância), que está deixando a extrema-direita em polvorosa, logo agora que está dividida.

O tempo tudo cura!

Há quem diga que Jair Bolsonaro prepara um GOLPE (como o presidente do PSL, Luciano Bivar), e que está a cultivar o isolamento como uma forma de declarar que “tento fazer as coisa mas não me deixam”. Assim os políticos, o STF e a esquerda ficam como trancadores do país. Para resolver a situação, só uma virada tipo golpe, bem à la Jânio Quadros. O presidente conta com o apoio das Polícias Militares, da Polícia Federal, de uma parcela do MPF, de quase todo Judiciário e, muito provavelmente, um contingente significativo das Forças Armadas. Há milícias bolsonaristas espalhadas pelo país que se beneficiaram da flexibilização da posse de armas, do estímulo ao rearmamento: milícias, ruralistas, clubes de tiro e, mais grave, baixo clero da Polícia Militar de vários estados. Mas e as classes médias?

Morto-vivo em seu Cupê Mal-Assombrado

O cheiro de golpe está no ar e está forte. Olavo de Carvalho escreveu “só uma coisa pode salvar o Brasil: a união indissolúvel de povo, presidente e Forças Armadas”. O miliciano virtual a serviço do Planalto, Allan dos Santos, disse que o povo está “querendo um novo AI-5 e ai de Bolsonaro caso tente parar o povo”. Dois generais, Santos Cruz e Villas-Boas, soltaram nota ameaçando o STF, repetindo a mensagem sombria antes de outro julgamento, o que tirou Lula da eleição. “É preciso manter a energia que nos move em direção à paz social, sob pena de que o povo brasileiro venha a cair outra vez no desalento e na eventual convulsão social“.

O carro é à prova de balas

Mas, por outro lado, temos o pastelão da guerra civil dentro do PSL. A família Bolsonaro tenta reter controle sobre a legenda, inclusive com intimidação operada através da Polícia Federal, que foi dar batida na casa de Luciano Bivar, presidente da legenda e opositor de Bozo. Os Bolsonaros precisam de controle absoluto sobre o partido para as eleições de 2020. Vazamento de áudios, troca pública de insultos, tudo é um espetáculo realmente patético. Os opositores de Bozo no PSL têm a documentação de todo o processo eleitoral e suas fraudes. Algum desafeto pode muito bem apertar o botão nuclear e denunciar algo realmente sério. Ademais, o pastelão acirra o antagonismo contra a Lava Jato no Congresso e atrasa votações importantes.

Anagrama: desembaralhe a sletras e descubra o youtuber que declarou “Este governo está perdendo aliados por incompetência e eu quem estou dividindo a direita? Vão tomar no olho do rabo!”

Além disso, as milícias bolsonaristas atacam quem, no amplo campo que apoiou o candidato Jair, criticam o presidente. Um influente influencer surtou em resposta aos ataques do minions governistas: tem vídeo! Kkkkk. Todas as madalenas que se arrependem publicamente são imediatamente atacadas sem dó.

Don’t panic!
O tempo passa rápido, né gata?!

Será então que o clã Bolsonaro tem à sua disposição alguma ARMA SECRETA que não é visível a olho nu? Será que é só o apoio dos PMs e militares de baixa patente, a quem ele continua a prestigiar, indo a cerimônias de formatura por todo o país? Ou o fato de que há mais de 2.500 militares com postos no governo, e ainda mais por vir quando a militarização das escolas se consolidar? Ou será que é a devoção dos militares de alta patente, que serão poupados do sacrifício pela Previdência especial? Ou talvez será o imenso aparato de vigilância que o governo construiu para si: um banco de dados de todos os cidadãos brasileiros foi criado, que ficará disposição de um Comitê Central de Governança de Dados.

Anagrama: desembaralhe as letras e descubra ex-bolsonarista que declarou “Traição é o modus operandi de Bolsonaro”

Mas por quê só agora essa movimentação radicalizante? Em fevereiro havia mais apoio para um movimento golpista, a base estava sólida e motivada. Não está claro quem realmente sairia às ruas hoje para apoiar um putsch.

Mas uma pesquisa de popularidade de hoje revela que tanto Bozo quanto Moro ganhariam disputas eleitorais contra Haddad e Lula (e todo mundo). Maldição!

O PIB vai crescer 2% quando ela cair

O estopim de um golpe poderia ser ser a soltura de Lula, que parece certa. Parece que há suficiente raiva de Moro no STF para dar a coragem necessária para fazer valer a Constituição e beneficiar o ex-presidente. A extrema-direita (e Lava Jato) está em polvorosa, espalhando que mais de 190 mil presos serão soltos no caso da proibição de prisão em 2a instância, o que é falso. Fervem as redes.

Voltando às bases

Veremos como a coisa evolui. M afirma que Bolsonaro sabe que não tem essa bola toda de governar apenas com sua facção. Mas quer construir um lugar político permanente de onde possa assombrar e ameaçar a política brasileira, obtendo vantagens e concessões sem o ônus da governança. Além disso, parece que a grande burguesia não está avalizando um golpe no momento.

De resto, há curiosidade em saber como Lula sairá da prisão: Black Block ou amigão? O melhor resultado de sua libertação é que será possível avançar para além do “Lula Livre” e buscar novos caminhos para a esquerda. Lula já convidou Marta Suplicy para voltar ao PT…

Onde está aquele Brasil com que sonhei?

A Vaza Jato revelou que os procuradores da Lava Jato abafaram uma delação da Engevix que entregava pagamento de R$ 1 milhão em propina ao coronel João Baptista Lima, amigo pessoal de Michel Temer. A delação que comprometeria Temer foi engavetada pela Lava Jato em abril de 2016, às vésperas de Dilma Rousseff ser afastada no processo de impeachment, permitindo a Temer que comandasse o golpe.

A solução é fugir para frente…
Reforma ou revolução? Reformar não dá mais…

A saída da deputada Tábata Amaral do PDT é muito discutida na esquerda. Ela votou a favor da Previdência, sobre a qual o partido tinha fechado questão, defende posições conservadoras e tem um vocabulário liberal. Seria ela uma traidora infiltrada ou apenas um sintoma do envelhecimento da esquerda?

Enquanto isso, na sede do PT…
Defender e transformar ao mesmo tempo?

Passou o susto da eleição para os Conselhos Tutelares, que são os órgãos que trabalham com crianças e adolescentes em nível municipal. Houve uma movimentação de última hora na esquerda para sustar uma onda de candidaturas evangélicas. É difícil obter números confiáveis, mas parece que foi possível obter uma boa votação para o campo popular.

Anagrama: desembaralhe as letras e descubra o líder nacional da extrema-direita.

O PSL e o clã Bolsonaro realizaram seu congresso conservador, o CPAC, que é um evento originalmente americano – com dinheiro público, do fundo partidário. Os ministros Damares, Weintraub e outros foram palestrantes. Uma das metas do movimento é criar um partido hegemônico de direita no Brasil, com um Bolsonaro na liderança.

O secretário municipal da cultura prometeu realizar um festival de teatro em São Paulo e acolher todas as peças que foram censuradas em outros níveis no Brasil.

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