Crise: uma alternativa negra para o Brasil?

Milton Santos, um dos grandes pensadores brasileiros do século 20, lembrava: "O mundo é formado não apenas pelo que já existe, mas pelo que pode efetivamente existir"

Milton Santos, um dos grandes pensadores brasileiros do século 20: “O mundo é formado não apenas pelo que já existe, mas pelo que pode efetivamente existir”

Será possível construir um projeto popular e periférico? Saberemos organizar o ímpeto revolucionário negro para formular saídas e propor mudanças reais para o Brasil? O desafio está lançado

Por Douglas Belchior

O Blog NegroBelchior-CartaCapital vai promover, a partir de Março, uma série de rodas de conversa para refletir e debater a questão da comunidade negra e do poder em nosso país. O poder econômico e político nas mãos dos descendentes dos escravocratas, dos interesses nacionais mesquinhos e internacionais gananciosos, têm condenado a população negra a seguir como alvo do genocídio e da negação da cidadania e dos direitos fundamentais.

Será possível construir um projeto popular, negro e periférico em conjunto com nosso povo e com ele disputar o poder no Brasil?

Será possível organizar o ímpeto revolucionário negro no sentido de elaborar saídas e propor mudanças reais para o Brasil e nosso povo negro e periférico?

10392068_466126240249854_5882750602236182253_nPara mudar a política econômica; para mudar a lógica da concentração de renda; para enfrentar a máfia da especulação imobiliária que condena a população negra às ruas; para fazer reforma agraria; para qualificar e democratizar o acesso à educação; para dar fim à policia militar e à logica do encarceramento em massa que dinamiza as políticas de segurança pública, para isso tudo é urgente e necessário refletir, elaborar, trocar ideias, buscar consensos e agir em conjunto. Nós negras, negros e periféricos estamos dispostos a isso?

A ideia é levar essa roda de conversa à cada uma das regiões de SP nos próximos meses. Começaremos pela Zona Leste. A cada roda, teremos diferentes convidados especiais para nos ajudar na reflexão. Neste dia 5 de Março, contaremos com a ilustre presença da jovem Gabriela Vallim, jornalista, empreendedora e uma das criadoras do Festival 15 contra 16; Teremos também a nobre presença do Professor Dennis de Oliveira, importante quadro do movimento negro brasileiro, diretor do Depto de jornalismo da USP e militante do Coletivo Quilombação. A historiadora Cidinha Freitas Sales, diretora do Sindicado dos Professores do Município de SP fará a mediação da Roda.

Ao fim da roda de conversa, vc sabe, não somos de ferro neh! Teremos uma FESTA-SARAU, com cervejinha, refris, sucos e churras (inclusive para quem não come carne), a preços justos. E para animar ainda mais, teremos a boa e engajada música de Clayton Belchior e Tita Reis e do Jongo dos Guaianás.

A atividade tem o nobre apoio dos portais Geledés, Alma Preta e Outras Palavras, e das organizações políticas Instituto Luiz Gama, Quilombação, Círculo Palmarino, Uneafro e Associação Franciscana.

Bora lá discutir o país a partir do nosso lugar, da nossa cor, da nossa pele, do nosso olhar.

Você topa?

MAIS:

5 de Março | 16h00 | Subsede da Apeoesp Itaquera |

Rua Colonial das Missões, 204 – Próximo a estação de trem Dom Bosco

Roda de Conversa: Negrxs, política e poder no país da tal democracia racial: O quê fazer?

Convidados:

# Gabriela Vallim, jornalista, empreendedora e uma das criadoras do Festival 15 contra 16.

# Prof. Dennis de Oliveira, importante quadro do movimento negro brasileiro, Diretor do Depto de jornalismo da USP e militante do Coletivo Quilombação.

# Cidinha Freitas Sales, professora de história e diretora do Sindicado dos Professores do Munícipio de SP

A PARTIR DAS 18h00 – Festa-Sarau com Clayton Belchior e Tita Reis e do Jongo dos Guaianás.

Cerveja, refris, sucos e churras à preço justo. Atividade aberta, meus irmãos e irmãs!

 

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2 comentários para "Crise: uma alternativa negra para o Brasil?"

  1. Guevara disse:

    Outro dia, não me recordo em qual mídia verdadeira vi, mas lembro-me da ideia veiculado qual se fosse hoje. Algo crucial neste momento, quando a palavra ” crise” transformou-se, sem qualquer pudor ou naturalidade, num mantra entoada até a miséria nacional pela velha e obsoleta mídia oligárquica. A ideia era de uma profecia econômica seria concretizada, ao menos estimulada a se concretizar na realidade, devido a sua antecipação sistemática na velha mídia. Em suma, no tocante a questões econômicas, jornais mal intencionados e órgãos internacionais de classificação de risco, teriam um leve poder de estimular uma nação à recessão artificialmente. Há também outros fatores ocultos, manipulação de preços,desvalorizações de moedas, sabotagens, a velho jogo sujo dos impérios; mas , em suma, quem acorda certo dia e se repete incessantemente ,que algum ruim lhe acontecerá, certamente estará inconscientemente tencionado a concretizar isso com suas próprias ações . Deve haver um nome correlato para isso na psicologia, na mente insana no psicólogo político, isso pode ser denominado de estruturação social para um golpe. Há crises naturais, e num sistema financeiro fraudulento, elas são tão constantes quanto o vento. Mas , quando ele sopra numa mesma direção sempre , desconfie. No Brasil está claro, a crise está motivada no terrorismo feito pela velha mídia para com seu próprio povo; aqui é óbvio, o entrave para a superação está nos partidos de oposição, PSDB e PMDB, perfilados para instituir no Brasil, às pressas e à força da ilusão, mais um reinado totalitário dos Estados Unidos. A oposição brasileira, aproveitando-se da debilidade do governo, procriada pela desaceleração mundial, deixou claro que seu único objetivo é lutar contra os interesses de nosso país. Onde o surrealismo avança velozmente e abarca a realidade. Corruptos perseguem honesto, e setores da oligarquia clamam pela liberdade de expressão para censurar a verdade nas vozes independentes. Para o Brasil, essa nação continental, de potencial descomunal, ascender ao posto que lhe cabe neste planeta, deve primeiro reconhecer seus verdadeiros inimigos; deve se unir, independente de etnias, e lutar pelo ideal comum desta nação. Nacionalismo nos Estados Unidos recebe o nome e valor de patriotismo. Quando o povo brasileiro aprende a amar seu país , seu nacionalismo é aviltado pelas obsoletas e velhas mídias, estas sempre de prontidão para servir ao dinheiro. A corrupção indomável está no Congresso brasileiro. Dilma Rousseff é uma refém deste conluio tenebroso entre judiciário, legislativo , mídias e oligarquias . O futuro de uma nação está na mão de seu povo, mas ele precisa antes despertar para a realidade. Hoje , mais do que nunca,Dilma Rousseff, esta brasileira, esta mulher perseguida pelos poderosos, necessita que levantemos em seu favor. Movimentos sociais artificiais, fomentados por pessoas irresponsáveis, financiadas pela capital estrangeiro, são fabricados numa industrialização em série de nossos pensamentos. Sejamos fortes ao lado daqueles em luta por um país melhor. Mantenha-se firme Dilma Rousseff, nossos inimigos se acham maiores , mas é porque nos puseram de joelhos covardemente. É tempo de se levantar para alcançar a vitória; Dilma Rousseff, os bons confiam em você! Não descansemos nunca, não até vencermos todo o mal.

  2. Maurici Aazevedo disse:

    Em tom de lamento percebo que algumas figuras ilustres no cenário nacional foram, simplesmente, impedidos de continuarem fornecendo conhecimento e sabedoria (foram cassados), ao longo de suas vidas altamente produtivas. Refiro-me ao geógrafo Miltom Santos e ao médico Josué de Castro, ambos passaram boa parte de suas vidas no exílio, semeando seus conhecimentos.
    Miltom Santos o fez nos quatro continentes como geógrafo e humanista, laureado em seus grandes centros acadêmicos. Já, Josué de Castro, com o seu profundo conhecimento sobre a fome, também foi laureado nas universidades francesas, na ONU e reconhecido até pelos EUA. Entretanto, em seus maiores momentos de criatividade, cerceados e impedidos de fomentarem e produzirem conhecimento em seu país natal. Quando lí o chamado de Guevara, intuí sobre a falta que nos fez , na construção do pensamento social brasileiro, estas duas personalidades. Pagamos por não termos manifestado o nosso inconformismos, em 1964, e, não podemos ficar calados sobre essa nova ameaça de exceção.

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