Lula, preso político?

Condução coercitiva é primeiro passo para prisão sem julgamento. Lulismo tem limites e contradições evidentes, mas são seus méritos que levam elites a odiá-lo

Sintoma: em montagem que circulou fartamente nas redes sociais, Lula acaricia boneco que o representa preso. Que recalques a Lava Jato suscita?

Sintoma: em montagem que circulou fartamente nas redes sociais, Lula acaricia boneco que o representa preso. Quantos recalques a Lava Jato suscitara?

Condução coercitiva, com caráter claramente fanfarrão, é primeiro passo para prisão sem julgamento. Lulismo tem limites e contradições evidentes — mas são seus méritos que levam elites a odiá-lo

O ex-presidente Lula está, neste momento, em alguma dependência da Polícia Federal, levado sob coerção para prestar depoimento. As informações são contraditórias e confusas: não se sabe se irá à sede da PF na Lapa, se será conduzido a Curitiba ou ouvido por delegados em um hotel em São Paulo. A coerção foi determinada pelo juiz paranaense Sérgio Moro, na 24ª etapa – “Aletheia” – da chamada Operação Lava Jato. O objetivo declarado é apurar suposto favorecimento que Lula teria recebido, de empreiteiras, em imóveis cuja propriedade é atribuída a ele, em Atibaia e Guarujá.

Porém, os passos que precederam a coerção são claros, tanto no terreno jurídico quanto no político e midiático. Nos últimos dias, a força-tarefa de juízes e procuradores que constitui a Lava Jato passou a operar freneticamente, num aparente esforço para consumar a prisão do ex-presidente. Na quarta-feira (2/3), divulgou-se com alarde que o empresário Leo Pinheiro, sócio e ex-presidente da construtora OAS, estaria decicido a fazer delação premiada que comprometeria Lula. Em seguida, silêncio: tiro perdido? Ontem, foi a vez de a revista IstoÉ anunciar a possível delação, com idêntico sentido, do senador Delcídio do Amaral (PT-MT) – que aparentemente ocorreu de fato, o que não significa ser verídica. Agora, vem a coerção, acompanhada de medidas destinadas a produzir alarde. Duzentos policiais federais envolvidos. Invasão do Instituto Lula, das casas do ex-presidente e de seu filho, para suposta apreensão de provas… Ainda que Lula tenha cometido crimes, guardará os indícios em seus computadores, depois de sofrer anos de perseguições?

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No terreno político, há movimentação paralela mas igualmente frenética. Aproveitando-se da fraqueza e da falta completa de iniciativa e ânimo, por parte do governo Dilma, um grupo de parlamentares tenta aprovar no Congresso Nacional — a toque de caixa e sem qualquer debate com a sociedade — um conjunto de medidas claramente regressivas. Estão entre elas: a) a concessão do petróleo do pré-sal para corporações estrangeiras; b) a “independência” do Banco Central em relação a autoridades eleitas – que o colocaria diretamente sob controle da aristocracia financeira; c) a escandalosa blindagem das empresas que obtiverem concessão de serviços públicos (para que a sociedade seja impedida de examinar e rever os contratos); d) a limitação de gastos não financeiros do Estado (o que poderia levar a redução real do salário-mínimo e das aposentadorias).

A articulação entre as frentes jurídica e política é evidente. A agenda regressiva no Congressso é impulsionada pelos senadores José Serra (PSDB-SP) e Romero Jucá (PMDB-RR). Mas quem comanda seu avanço são dois dos parlamentares mais enterrados no lodaçal do Congresso – Eduardo Cunha e Renan Calheiros, os presidentes da Câmara e Senado. A estes a mídia e a Lava Jato permitem e estimulam que dirijam a pauta nacional sem qualquer tipo de constrangimento. Ou seja: não se está diante de uma cruzada moralizadora, de uma Operação Mãos Limpas despartidarizada. O que há é uma campanha que usa a bandeira do combate à corrupção como biombo para obter, sem o risco do debate democrático, objetivos que não seriam alcançados de outro modo. O sentido político da Lava Jato tem sido desnudado numa série de textos do jornalista Luís Nassif, um dos quais é essencial.

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As piores mentiras são, sempre, as meias verdades. O que torna esta operação jurídico-política mais danosa é o fato de se basear em fatos concretos. As revelações da Lava Jato não são invenções brotadas da imaginação fértil de Sérgio Moro. Assim como no caso do “Mensalão”, o PT herdou e reproduziu as práticas corruptas que o Estado brasileiro impõe, desde que fundado, aos que o habitam. No primeiro episódio, o elo de ligação foi o marqueteiro Marcos Valério, que serviu sucessivamente a tucanos e petistas – mantendo idêntico modus operandi. Agora é o senador Delcídio do Amaral. Nomeado por Fernando Henrique Cardoso para a diretoria de Gás e Energia da Petrobŕas, em 2000, articulou-se desde então com Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, hoje os dois principais delatores da Lava Jato. Em 2001, sentiu o esgotamento do velho esquema e bandeou-se para o PT, partido pelo qual elegeu-se senador, em 2002. Foi acolhido e, tal qual Marcos Valério, manteve métodos idênticos. Não é de estranhar que este autêntico homem-bomba seja igualmente rechaçado, agora, por tucanos e governistas.

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O que mais deu força à Lava Jato não foram suas revelações – alguém ignora a corrupção endêmica ao Estado brasileiro? – mas o novo ambiente político em que ela vicejou, após o início do segundo governo Dilma. Conforme destacou com precisão Guilherme Boulos, a presidente abre mão, sem pudor algum, de tudo que diferenciava o petismo dos governos das elites. No desespero para salvar a própria pele, entrega o único trunfo que a distinguiria da pilhagem praticada pelo Estado brasileiro. Seus atos sugerem que desistiu do que havia de mais positivo no lulismo: a modesta (porém efetiva) redistribuição de riquezas; a política externa independente (que tanto incomodou a Washington); a tentativa de retomar um projeto desenvolvimentista (ainda voltado aos velhos paradigmas, mas ao menos não submisso à aristocracia financeira).

Lula sobreviveu ao “mensalão” porque pôde mostrar, em 2006, que seu projeto o distinguia. A campanha udenista de Serra e da mídia esbarrou em algo nítido na consciência coletiva. A corrupção do Estado brasileiro é, todos sabem, atávica; mas o lulismo indicava que as maiorias não estavam condenadas a padecer eternamente. Que dizer de Dilma, que, em 2016, entrega o pré-sal, propõe uma contra-reforma fiscal que levará à redução real do salário mínimo e quer reduzir os direitos previdenciários – enquanto tolera os lucros recordes dos bancos? Como defender um governo que trabalha com afinco, todos os dias, para tornar-se indefensável?

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Bem pouco resta, em todo o mundo, das velhas democracias que herdamos das revoluções dos séculos XVII ao XX. Mas seus símbolos persistem e podem ser reavivados, porque são conquistas coletivas. Os filósofos iluministas cujas ideias ajudaram a superar a crise do mundo medieval apoiaram-se no que houvera de melhor na Antiguidade clássica. Talvez seja necessário retornar aos ideais das revoluções modernas para retirar inspiração, nos dias tormentosos que vivemos.

Num mundo em crise, surgem por toda parte fenômenos estranhos. Nos EUA, um senador marginalizado do Partido Democrata converteu-se num candidato à presidência com chances reais de vitória. Na Inglaterra, o velho Partido Trabalhista, depois de amortecido e privado de sua alma, reviveu graças ao impulso de Jeremy Corbin, um socialista sincero. A coerção de Lula é um símbolo poderoso. O Brasil tem sido, desde o início deste século, um país inspirador para outro mundo possível. Diante deste ataque, seremos capazes de inventar uma alternativa?

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17 comentários para "Lula, preso político?"

  1. Mack disse:

    Aff… chega, a população não quer mais seu dinheiro sendo roubado para fins absurdos e diabólicos.. basta, corruptos fora… seja qual partido ou politico envolvido uma palavra basta cadeia.

  2. Dri disse:

    Excelente artigo, precisava ler algo inteligente. Parabéns!

  3. AUGUSTO RIBEIRO disse:

    Nas terras que FOI dos Tupiniquins só tem ARTISTAS.
    Agora p/ presidente dos Br’s TIRIRICA é o vice pica roMÁrio’s…

  4. Alex Ribeiro disse:

    Antonio Martins você é um leão para fazer criticas ao Lula e um gatinho diante da elite, confessa, seu sonho e do tal de Boulos é trabalhar na Globo não é?

  5. Alex Ribeiro disse:

    É que de tão a esquerda como vocês acham que são, já estão encostando na direita, não sei sei por inveja ou despeito, por já terem percebido que não são lideres de nada, apenas pseudo ditadores…

    • Samuel disse:

      A rivalidade só cria mais rivalidade, porque não uma nova frente aquela que segue em frente e não fica parada a cair para os lados? Esquerda, direita, leste, oeste, você sabia que no universo não existe isso? Pois para isso existir é necessário um ponto de referência e qual é o seu?

  6. Marcio disse:

    Existie uma denúncia contra ele, eu não entendo por quê isso seria um golpe. Se as denúncias não são claras, o correto seria o próprio partido ou o próprio ex presidente se explicar e deixar tudo claro.

  7. Ricardo Torres disse:

    De uma maneira geral concordo com sua análise. O único “porem” mais grave, é o fato de que vc diz que o “lulismo” (que é uma noção extremamente ambígua) não foi submisso à aristocracia financeira…basta olhar a política econômica (especialmente a política financeira e o comportamento da dívida pública interna) adotada e o lucro das instituições dos setores bancários-financeiros…

  8. Esperem , estamos num estado de direito; quer dizer , não em prática. Na realidade dos fatos, que o corriqueiro discurso moralista tenta mascarar, voltamos ao tempo do inquisição pela ação totalitária, e inconsequente, de juízes, mídia ,oposição e polícia federal. Lembrem-se, primeiro as pessoas são investigadas e levadas a julgamento, é a tal da presunção de inocência, para se evitar o oportunismo dos ávidos pelo poder, usurpado por golpes
    brancos; para se evitar, na mente coletiva, essa expressão do espírito de um povo que a velha mídia ousa manipular , a incriminação de pessoas.Em estados de direito , em democracias livres , é surreal, absurdo, a publicização, num conluio evidente entre mídia e juizado, de delações ou até mesmo suspeitas levantadas arbitrariamente. Aviso; procurem saber o que sucedeu nas nações , Egito, Líbia, Hungria e outras mais, onde governos legítimos foram derrubadas, onde a população foi levada , pela alienação, a participar.Quando as oligarquias assumiram o poder, a miséria ascendeu junto com elas , para satisfazer as oligarquias estrangeiras que as financiaram. Nem mesmo Lula, um latino-americano, um bom presidente, apesar de suas fraquezas humanas, está acima da lei. Mas , os que utilizaram deste argumento para suas ações contra a dignidade deste homem, certamente pensam estar. O futuro do Brasil está em jogo. O totalitarismo se reacende. Se Lula errou, deve pagar como todos , mas não o julguemos antecipadamente. Precisamos nos pôr acima de nosso orgulho e lutar,saber rechaçar e reconhecer, contra toda e qualquer forma de opressão . O juiz em questão deixou evidente seu abuso de poder, seu distanciamento do ideal de justiça e dignidade da lei. Pergunto ; alguém gostaria , mesmo plenamente ciente de sua inocência, de enfrentar o poder econômico sob a mediação do judiciário brasileiro, da polícia brasileira? É tempo de o brasileiro aprender a lutar por uma nação verdadeira. Nossas instituições estão a serviço das velhas oligarquias; servos fiéis do dinheiro. Se assim continuar, logo nem mesmo poderemos expressar nossas opiniões em jornais como esse. Força Dilma Rousseff, por um Brasil para seu verdadeiro povo, amante de si , liberto do império. Força Dilma Rousseff. PE; tecnicamente, Lula foi um preso político, pois sua detenção midiática claramente não possuía outra finalidade senão a política, golpista; o juiz quis despertar artificialmente o ódio e revolta.Nunca esteve atrás de justiça ,

  9. Esperem , estamos num estado de direito; quer dizer , não em prática. Na realidade dos fatos, que o corriqueiro discurso moralista tenta mascarar, voltamos ao tempo do inquisição pela ação totalitária, e inconsequente, de juízes, mídia ,oposição e polícia federal. Lembrem-se, primeiro as pessoas são investigadas e levadas a julgamento, é a tal da presunção de inocência, para se evitar o oportunismo dos ávidos pelo poder, usurpado por golpes
    brancos; para se evitar, na mente coletiva, essa expressão do espírito de um povo ,que a velha mídia ousa manipular , a incriminação de pessoas.Em estados de direito , em democracias livres , é surreal, absurdo, a publicização, num conluio evidente entre mídia e juizado, de delações ou até mesmo suspeitas levantadas arbitrariamente. Aviso; procurem saber o que sucedeu nas nações , Egito, Líbia, Hungria e outras mais, onde governos legítimos foram derrubadas, onde a população foi levada , pela alienação, a participar.Quando as oligarquias assumiram o poder, a miséria ascendeu junto com elas , para satisfazer as oligarquias estrangeiras que as financiaram. Nem mesmo Lula, um latino-americano, um bom presidente, apesar de suas fraquezas humanas, está acima da lei. Mas , os que utilizaram deste argumento para atentar contra a dignidade deste homem, certamente pensam estar. O futuro do Brasil está em jogo. O totalitarismo se reacende. Se Lula errou, deve pagar como todos e qualquer um de nós, mas não o julguemos antecipadamente. Precisamos nos pôr acima de nosso orgulho e lutar,saber rechaçar e reconhecer, contra toda e qualquer forma de opressão . O juiz em questão deixou evidente seu abuso de poder, seu distanciamento do ideal de justiça e dignidade da lei. Pergunto ; alguém gostaria , mesmo plenamente ciente de sua inocência, de enfrentar o poder econômico sob a mediação do judiciário brasileiro, da polícia brasileira? É tempo de o brasileiro aprender a lutar por uma nação verdadeira. Nossas instituições estão a serviço das velhas oligarquias; servos fiéis do dinheiro. Se assim continuar, logo nem mesmo poderemos expressar nossas opiniões em jornais como esse. Força Dilma Rousseff, por um Brasil para seu verdadeiro povo, amante de si , liberto do império. Força Dilma Rousseff. PE; tecnicamente, Lula foi um preso político, pois sua detenção midiática claramente não possuía outra finalidade senão a política, a ascensão ao poder; o juiz quis despertar artificialmente o ódio e revolta.Nunca esteve atrás de justiça ,

  10. Analisemos com serenidade, seriedade e profundidade este cenário atual, que desvela movimentações políticas e jurídicas. Concordo em grande parte com o artigo, mas creio ter uma supervalorização (dos meios de comunicação de diversas expressões partidárias e políticas) do fato “condução coercitiva”. Que reflitamos no Estado Penal que acomete milhoes de brasileiros, especialmente jovens, que são violentamente conduzidos, e não para a Delegacia, mas para “julgamentos fora da lei”. Não considero razoável, responsável e por que não dizer saudável à democracia do país este clima maniqueísta que por um lado reforça que “tudo é culpa de Lula e o PT (entenda-se roubalheira, corrupção e crise” e do outro de que toda a investigação é meramente política e não técnica, ou seja, não há razão fatíca para tanto..

  11. Guacira disse:

    Excelente artigo Antonio! Um alívio ter outraspalavras na rede…

    • Antonio Martins disse:

      Que bom você gostar, Guacira. Acho que surgiu uma pequena brecha, numa conjuntura tenebrosa. Vamos ver se aproveitamos!
      Beijos
      Antonio

  12. josé mário ferraz disse:

    A direita sempre mandou no Brasil e no mundo, razão de tanta infelicidade em função da acumulação de riqueza num só lugar e pobreza nos demais. Quem se torna milionário ou mesmo bilionário via administração pública não passa de espertalhão. Difícil é o povo escolher um líder de verdade. A política que Lula faz para os pobres é enganá-los com a esmola de bolsa prá cá e bolsa prá lá, tomada de outros pobres e também esmoleres do salário mínimo. Ninguém jamais esclarecerá as mortes dos petistas discordantes da roubalheira. Ou é invenção isso aí que estranhamente chamam de esquerda?

  13. ferraz, qué ensalada!
    demasiadas horas en el culto? o hipnotizado por la caja boba?

  14. josé mário ferraz disse:

    O estado em que se encontra o Estado, a companhia de quem demonizava, o enriquecimento inexplicável, os estádios monumentais e a mendicância no resto, emprego para amante, então, tudo isso é mentira?

  15. A caça a Lula virou campanha publicitária
    Publicado no Brasil 247
    Causou ampla estranheza a maneira precipitada e ilegal com que o ataque a Lula foi executado. Por que encenar aquele ridículo teatro de guerra, escancarando as irregularidades da ação? Por que não prenderam o petista de uma vez, já que as suspeitas contra ele supostamente justificavam a própria iniciativa de acossá-lo?
    Existiu um fator oportunista na origem do abuso. A Polícia Federal quis reagir à troca do ministro da Justiça. Os procuradores temiam o julgamento do STF sobre seus limites. A Rede Globo precisava de um factóide para reverter a desmoralização inédita, sintomaticamente agravada pela torcida corintiana. E todos estão unidos na propaganda das manifestações golpistas, que andaram meio desmoralizadas.
    O fato é que Sérgio Moro, cedendo às urgências dos aliados, evidenciou a fragilidade dos elementos acusatórios contra Lula. Naquelas circunstâncias, o mais leve indício de culpa lhe teria rendido um mandado de prisão, no mínimo para salvar a imagem da pantomima policialesca. Um réu potencial jamais ganharia visibilidade gratuita na mídia e a chance de se apresentar como vítima de perseguição.
    A repercussão negativa do episódio marca uma nova etapa do conluio institucional que se esconde sob o rótulo de “operação Lava Jato”. Agora, se Lula não for condenado, alcançará uma vitória de efeitos eleitorais inevitáveis. A caça ao petista se transforma então num fenômeno essencialmente midiático, onde a falta de provas ocupará lugar secundário, mera demonstração de habilidade para o ardil criminoso.
    Trata-se de minar a imagem do ex-presidente, convencendo a opinião pública, e as cortes em particular, de que puni-lo é um dever cívico e republicano. Uma questão de crença, portanto, e não de rigor técnico. Chamar os advogados de Lula de “a sua defesa”, como se ele respondesse a algum processo, constitui exemplo trivial da artimanha no meio jornalístico, de resto escancarada pelo tom emotivo dos noticiários.
    É fácil perceber a força dessa narrativa. Em diversas esferas de discussão equilibrada já aparecem lamentos sobre a índole corrupta de Lula, sem quaisquer dados factuais que a comprovem. Pedalinhos e palestras podem não colar, mas a aura delituosa permanece: “não sei por que Lula deve ser preso, mas ele certamente sabe”.
    Concentra-se aí o novo foco estratégico dos golpistas. Já indiferentes às paixões das ruas, eles precisam garantir apoio ao ritual sacrificatório de Lula, que virou uma questão de honra para os acusadores. O deslize afoito de Moro ecoou mal nos setores moderados do campo jurídico, sem afinidades com a esquerda mas sensíveis a infrações e hipocrisias. Esse é o público-alvo do massacre publicitário que se inicia.
    http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com.br/

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