Um punho erguido contra os názis

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No gesto solitário de Tess Asplund diante da marcha nazista na Suécia, mais um sinal do novo protagonismo das mulheres e negras

Por Antonio Martins

Assim como o vídeo da garota brasileira que desafia o Coronel Telhada, na Assembleia Legislativa (ocupada!) de São Paulo, a imagem de Tess Asplund, acima, viralizou — em especial nos países nórdicos. No 1º de maio ao deparar, na cidade de Borländ, com uma marcha do partido neonazista Movimento de Resistência Nórdica (NRM), ela postou seu corpo negro e magro diante de trezentos homens uniformizados, ergueu o punho esquerdo, manteve o olhar muito altivo e os encarou. Escapou ilesa.

Hoje, o Guardian londrino a entrevista. Tess, que tem 42 anos e se define como afro-sueca e integra a organização Afrophobia Focus, em defesa de imigrantes negros, conta que agiu por impulso. Pensou: “estes nazistas não podem desfilar impunemente aqui”. Agora, sente-se dividida. Tem algum medo, é claro. Mas diz: “Espero que algo positivo surja da foto. Talvez o que eu fiz possa ser um símbolo de que qualquer um pode fazer algo contra a xenofobia”.

Suas palavras sintetizam dois movimentos opostos. Por um lado, o fascismo cresce em toda a Europa do Norte e em especial nos países nórdicos. O partido Democratas Suecos, abertamente anti-imigrantes, tem entre 15% e 20% das preferências populares, nas pesquisas. Na própria Alemanha, uma pesquisa divulgada hoje revela que 60% dos cidadãos concordam com o slogan do partido Alternativa Germânica (AdP), segundo o qual “não há lugar para os islâmicos” no país. O NRM sueco, que Tess afrontou, ocupa a ultra-direita deste espectro. Alguns dos amigos da ativista, também negros foram agredidos pelo grupo e tiveram de mudar de endereço

Em contrapartida, uma parte importante da sociedade acolhe os imigrantes, quer sua presença essencial e participa de ações concretas em favor de seus direitos. Integrante da Fundação Expo, uma organização antirracista com sede em Estocolmo, Daniel Poohl afirmou ao jornal londrino: “As pessoas estão buscando algo que canalize seu desejo de resistir à Europa que constrói barreiras contra os refugiados, o continente que não quer mais colaborar com ninguém. Tess captou um dos conflitos centrais de nossa época”.

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