Geografia da fome, sua obra mais incisiva, faz 75 anos. E permanece atual e inspiradora, num país com 20 milhões em apuros. Porque lembra: crise alimentar não vem da escassez, mas da pobreza fabricada pelo “desenvolvimento” das elites
18% da miséria no país se concentra na região Norte. Faltam políticas públicas contra a fome; Agronegócio devasta florestas, empareda agricultura local e culturas alimentares são engolidas por atravessadores e corporações
Proposta de Paulo Guedes – doar restos da classe média para “mendigos e desamparados” – põe foco no desperdício individual. Mas foi o desmoronamento de políticas públicas que colocou Brasil de volta ao rumo da insegurança alimentar
Primeiro, políticas do governo concentraram renda e afundaram Brasil no Mapa da Fome. Agora, ministro defende, como política, distribuir aos famintos o que sobra dos supermercados e das mesas dos ricos e classe média
Campanha expõe situação crítica: com Bolsonaro, número de brasileiros em situação de insegurança alimentar grave saltou 27% – e já somam 20 mi. Na pandemia, avançou apesar do auxílio – quase extinto. País regride a patamar de 2004
Hoje, no Fórum Social Mundial, organizações civis e religiosas propõem uma Frente contra a insegurança alimentar, que já atinge 43 milhões de brasileiros. Também apontam: é hora de frear Bolsonaro e combater a “banalidade do mal”
Um ano depois de deixar diretoria-geral da FAO, José Graziano da Silva cria o Instituto Fome Zero e alerta: além da pandemia, mudanças climáticas e escassez de água pressionarão produção de alimentos. É preciso agir já para evitar o pior