Machismo sutil? Xico Sá dialoga com nossa colunista

“Vivo entre o macho-jurubeba da minha origem do Sertão e o macho em busca da delicadeza perdida aqui nesta urbanidade babilônica”

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Por Xico Sá | Imagem: Pablo Picasso, A Flauta de Pan (1923)

Em diálogo com:

O machismo sutil de quem nos cultua

Na luta feminista, há muito espaço para os homens. Mas alguns deles, tão convictos e extremados, querem… indicar-nos o caminho!

Por Marília Moschkovich

Há quem veja sim machismo nas minhas crônicas, há quem diga que sou um macho feminista, há quem suspire (rs) “ah se todos os machistas fossem iguais a você”. Nesse carnaval, eu mesmo escancaro as minhas contradições: vivo entre o macho-jurubeba da minha origem do Sertão e o macho em busca da delicadeza perdida aqui nesta urbanidade babilônica.

Discordo do artigo da Marília, mas é um texto elegante e creio que respeita as minhas contradições. É o ponto de vista dela, minha gente, com a razão dela – a leitura que ela aprendeu a fazer do mundo. Não existe isso do que seja o certo ou verdadeiro. A única certeza é a contradição.

Fiquei muito orgulhoso, aliás, quando ela me põe junto com o Vinícius de Moraes. Aí ela mata, decifra a origem literária das minhas crônicas: sou uma cria da costela daquele lirismo da turma do poeta e mais do Antônio Maria (“ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor…”), Paulo Mendes Campos, Rubem Braga etc.

Creio que não existe polêmica possível entre o que Marília defende e o meu amor derramado pelas mulheres. Ela tem o amor sincero dela, eu tenho a minha sinceridade em uma certa prosa poética – não escrevo discurso ou tese, escrevo literatura ou algo próximo disso.

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9 comentários para "Machismo sutil? Xico Sá dialoga com nossa colunista"

  1. Sandra Seabra Moreira disse:

    Quem se aprofunda nas questões feministas não lida com dados subjetivos, ou com relativização da verdade, com “pontos de vista”. Lida com dados reais e brutais sobre a violência contra a mulher, por exemplo. Daí ser muito bobo, quase ingênuo, considerar “feministas” as crônicas do Xico Sá. Lê-las é um passatempo, como ler horóscopo, quando bem escrito. E, sob um ponto de vista pessoal, penso que os dramas do macho certamente seriam minorados se eles pudessem sair de seus egocentrismos, e pudessem deslocar seus pontos de observação. Mas é difícil fazê-lo enquanto o medo de perder o pódio secular está nas entranhas. Entre lá e cá, parece que o mais sensato é colocar a mulher também em algum lugar de destaque: uma passarela! E derramar sobre ela todo esse amor incontido de macho, como pétalas de rosas provindas de um céu de bem-aventurança, que se espraiam pelo teclado, blog, mundo virtual. Esse culto é bom demais na intimidade, mas quando lido tem gosto de final de domingo.
    E que o patriarcalismo, suas mazelas, vítimas e toda a ignorância circundante passem bem longe, que é para não chamuscar de mal estar esse amor de macho tão pouco convencional. Mas se está rendendo polêmica, “curtir” e “compartilhar”, alguém mais vai reclamar? Para variar, somos nós, mulheres, nossas estrias ou a falta delas, nossas gordurinhas ou a falta delas, nosso cabelo branco ou tingido, a inspiração que falta quando a tela está em branco e não escrever é o mesmo que ficar sem salário.

  2. Marmelo Melo disse:

    Entendimento do mundo é outra coisa. Não é Fla-Flu. 🙂

  3. Gil Teixeira disse:

    Meu caro Xico,
    Aqui do outro lado do Atlântico estou com você como se diz desse lado do rio salgado.
    Em rigor confesso que não sei o que seja um ou uma feminista, ou machista.
    Presumo que sejam bandeiras para agitar o vazio dos tempos.
    Depois, uma feminista, para o ser, já não o é, porque pode sê-lo, mas deixou de o ser quando passou a poder sê-lo. Complicado?
    Abraço.
    Gil Teixeira
    Lisboa/Portugal

  4. Marci disse:

    Presumo que sejam “bandeiras para agitar o vazio dos tempos”.
    Definicao pefeita!!!

  5. Sandra Seabra Moreira disse:

    Vazio dos tempos? Só se for dos tempos das vossas vidas! Nunca vi tantas demandas de tantos setores da sociedade clamando por algo a ser feito. Só não vê quem não quer ver. Sim, tamanha frustração com a hora presente pode resultar até neste vazio existencial mencionado. Ater-se a rótulos – feministas, machistas, ensaístas,maniqueístas – é empobrecer qualquer diálogo, por outro lado, não reconhecer a legitimidade das reivindicações feministas da atualidade é total alienação. E, bem, se estou a conversar com quem sequer imagina o que seja uma feminista, realmente estamos tangenciando essa alienação. Mais cômodo assim: não imaginar o que seja mas julgar de antemão.

  6. marcio ramos disse:

    … este Xico Sá é aquele que ajuda o PIG a vender a porcaria dos produtos deles?

  7. Sandra Seabra Moreira disse:

    Humm…eu nem pretendi colocar isso em questão…mas temo que sim.

  8. Pensador iconoclasta disse:

    Muitos homens sofrem assedio sexual publico tb. No entanto, às vezes sentem-se até lisonjeados desde que não seja um beijo de um homossexual. Aí a coisa pega!!!
    Muitos rapazes que responderam com violência à asdedio sexual deselegante de gays foram retratados como homofobia.
    No entanto, homofobia seria se este manifestasse aversão a outro homem mas, como o gay se classifica como diferente de nós homens, restaria à ele acusar-nos de heterofobia (fobia a diferencas) ou mesmo procurar a delegacia da mulher e Lei Maria da Lenha.
    TENHO FOBIA DE HOMEM SE ENCOSTAR EM MIM.Como homem é meu igual e homo significa igual tb,
    SERÁ ISTO HOMOFOBIA?

  9. Larissa disse:

    Me deu um pouco de enjoo ler a resposta de Xico Sá.

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