Denúncia: prisões arbitrárias e espancamento na USP

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Inauê (à direita) e João Vitor, os dois garotos

Antropóloga mineira sustenta: garotos encarcerados em presídios sequer estavam na ocupação da reitoria. Teriam sido agredidos. Suplicy pede liberdade

De Ana Flávia Santos, antropóloga e professora da UFMG

Prezados amigos, colegas e alunos,

Gostaria de pedir a vocês a ampla divulgação desta mensagem. Como sabem, na ação de reintegração de posse da Reitoria da USP, a PM de São Paulo prendeu dois estudantes, sob a alegação de que eles tentavam fugir do prédio.

Trata-se dos jovens Inauê Taiguara e João Victor, estudantes de filosofia. Inauê, com quem tenho a felicidade de conviver a quase uma década, é filho do meu companheiro, Téo de Almeida, com quem acabo de conversar. Decidi escrever esta mensagem para que todos tenham conhecimento do grau de violência e arbitrariedade da ação da polícia paulista:

– Eles não estavam na ocupação da Reitoria, e sim saindo de uma festa do Centro Acadêmico de Filosofia, de cuja direção, aliás, Inauê participa, motivo pelo qual esteve desde cedo envolvido na organização do evento;

– Foram presos porque um dos carros da polícia que rondava o campus da USP viu um dos grupos de estudantes que deixava o C.A.F. e resolveu persegui-los, conseguindo prender Inauê e João Victor;

– Eles apanharam da polícia.

Neste exato momento, os dois estão sendo transferidos para um presídio.

De Eduardo Suplicy, senador (PT-SP)

Caro Secretário de Segurança do Estado de São Paulo, Dr. Fernando Grella Vieira,

Cumprimentando cordialmente V. Exa., recorro aos seus bons ofícios para analisar e tomar as providências cabíveis relativas à prisão dos estudantes da USP – Inauê Taiguara Monteiro de Almeida e João Vitor Gonzaga Campos -, durante operação policial desencadeada no Campus da Universidade de São Paulo para cumprir mandado de reintegração de posse da Reitoria.

As informações que recebo – e que constam das mensagens eletrônicas anexas – dão conta de que as prisões foram efetuadas de modo arbitrário, pois os citados estudantes não participavam da ocupação da Reitoria no ato da reintegração. O local, inclusive, estava vazio, pelos dados que tenho. Os jovens estavam passando no local, vindo de uma festa que ocorrera nas dependências da Faculdade de Filosofia, tendo, inclusive, recebido a solidariedade, na delegacia, do Prof. Milton Meira do Nascimento, que é chefe do Departamento de Filosofia da USP.

Além da atuação da Polícia Militar nessas prisões, que pelos relatos foi arbitrária, há, também, uma postura irredutível da Polícia Civil no sentido de enquadrar os dois jovens em crimes de formação de quadrilha, dano ao patrimônio público e furto qualificado.

Certo de sua atenção para o caso, peço que faça uma análise minuciosa da questão, pois, pelos dados que tenho, os estudantes precisam ser libertados o mais rápido possível.

Cordialmente,

Senador Eduardo Matarazzo Suplicy

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Um comentario para "Denúncia: prisões arbitrárias e espancamento na USP"

  1. Alvaro Braga disse:

    Liberdade para Inauê Taiguara e João Victor, estudantes de filosofia da USP presos arbitrariamente e espancados pela PM de SP. Inauê é muito querido aqui no bairro de Sta Teresa (Rio de Janeiro), pois é filho do nosso companheiro e vizinho Téo de Almeida. Figura admirável o jovem Inauê: educado, estudioso, inteligente e corajoso. Vamos nos solidarizar com eles. Abaixo a repressão !!!

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