A sombra das democraduras

Que virá quando os europeus constatarem que seus sacrifícios são vãos? Uma resposta conjunta dos poderes econômico, midiático e militar?

Por Ignacio Ramonet* | Tradução: Antonio Martins

Agora está claro: não existe, no interior da União Europeia, nenhuma vontade política de enfrentar os mercados e resolver a crise. Até há pouco, atribuiu-se a lamentável atuação dos dirigentes europeus à sua desmedida incompetência. Mas esta explicação, ainda que correta, não basta, sobretudo depois dos recentes “golpes de Estado financeiros” que puseram fim, na Grécia e na Itália, a certa concepção de democracia. É óbvio que não se trata só de mediocridade e incompetência, mas de cumplicidade ativa com os mercados.

A que chamamos “mercados”? A este conjunto de bancos de investimento, companhias de seguro, fundos de pensão e fundos especulativos (hedge funds) que compram e vendem essencialmente quatro tipos de ativos: moedas, ações, papéis da dívida dos Estados e produtos derivados dos três primeiros.

Para ter ideia se sua força colossal, basta comparar duas cifras: a cada ano, as empresas de bens e serviços criam, em todo o mundo, uma riqueza estimada (se medida pelo PIB) em cerca de 45 trilhões de euros. Ao mesmo tempo, em escala planetária, os “mercados” movem capitais avaliados em 3.450 trilhões de euros. Ou seja, setenta e cinco vezes o que produz a economia.

Consequência: nenhuma economia nacional, por poderosa que seja (a da Itália é a oitava do mundo), pode resistir aos assaltos dos mercados quando estes decidem atacá-la de forma coordenada, como estão fazendo há mais de um ano contra os países europeus depreciativamente qualificados como PIGS [porcos, em inglês]: (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha).

O pior é que, ao contrário do que se poderia pensar, estes “mercados” não são unicamente forças exóticas, vindas de algum horizonte distante para agredir nossas gentis economias locais. Não. Em sua maioria, os “atacantes” são nossos próprios bancos europeus (estes mesmos que foram salvos, com nosso dinheiro, pelos Estados, na crise de 2008). Para dizer de outra maneira, não são apenas fundos norte-americanos, chineses, japoneses ou árabes os que estão atacando maciçamente alguns países da zona do euro.

Trata-se essencialmente de uma agressão de dentro, dirigida pelos próprios bancos europeus, as companhias europeias de seguros, os fundos especulativos europeus, os fundos europeus de pensão, as instituições financeiras europeias que administram as poupanças dos europeus. São eles que possuem a parte principal da dívida dos Estados.1 E que, para defender em teoria os interesses de seus clientes, especulam e obrigam os Estados a elevar as taxas de juros que pagam, a ponto de levar vários (Irlanda, Portugal, Grécia) à beira da quebra. Com o consequente castigo para os cidadãos, que devem suportar medidas “de austeridade” e brutais ajustes decididos pelos governos europeus para “acalmar” os mercados-abutres – ou seja, seus próprios bancos.

Estas instituições, além de tudo, conseguem facilmente dinheiro do Banco Central Europeu a 1,25% de juros, e o emprestam a países como Espanha ou Itália a… 6,5%. Daí a importância escandalosa das três grandes agências de avaliação de riscos (Fitch Ratings, Moody’s e Standard & Poor’s): da nota que atribuem a um país2 depende o nível dos juros que este pagará para obter um crédito dos mercados. Quanto mais baixa a nota, mais altos os juros.

Estas agências não apenas costumam equivocar-se – em particular em sua opinião sobre as hipotecas subprime [de segunda linha] norte-americanas, que deram origem à crise atual – mas desempenham, num contexto como o de hoje, um papel perverso e execrável. Como é óbvio que todos os planos “de austeridade” de cortes de direitos e ataque aos serviços públicos irão se traduzir em queda do índice de crescimento, as agências baseiam-se nisso para rebaixar a nota do país. Consequência: este deverá reservar mais dinheiro para o pagamento de sua dívida. Dinheiro que precisará obter cortando ainda mais o orçamento. Provocando queda inevitável da atividade econômica e das próprias perspectivas de crescimento. E então, de novo, as agências rebaixarão sua nota.

Este ciclo infernal de “economia de guerra” explica porque a situação da Grécia foi se degradando tão drasticamente, à medida que seu governo multiplicava os cortes e impunha uma férrea “austeridade”. De nada serviu o sacrifício dos cidadãos. A dívida da Grécia baixou ao nível dos “títulos podres”.

Deste modo, os mercados obtiveram o que queriam: que seus próprios representantes cheguem ao poder, sem precisar submeter-se a eleições. Tanto Lucas Papademos, primeiro-ministro da Grécia, quanto Mario Monti, presidente do Conselho de Ministros da Itália, são banqueiros. Os dois, de uma maneira ou de outra, trabalharam para o banco norte-americano Goldman Sachs, especializado em colocar seus homens nos postos de poder.3 Ambos são, também, membros da Comissão Trilateral.

Estes tecnocratas planejam impor — custe o que custar socialmente e nos marcos de uma “democracia limitada” — as medidas que os mercados exigem (mais privatizações, mais cortes, mais sacrifícios) e que alguns dirigentes políticos não se atreveram a tomar, por temerem a impopularidade que tudo isso provoca.

A União Europeia é o último território no mundo em que a brutalidade do capitalismo é mitigada por políticas de proteção social. Isso que chamamos “estado de bem-estar”, os mercados já não toleram e querem demolir. Esta é a missão estratégica dos tecnocratas que chegam ao centro do governo graças a uma nova forma de tomada de poder: o golpe de Estado financeiro. Apresentado, é claro, como compatível com a democracia…

É pouco provável que os tecnocratas desta “era pós-política” consigam resolver a crise. Se sua solução fosse técnica, já teria sido adotada. Que se passará quando os cidadãos europeus constatarem que seus sacrifícios são vãos e que a recessão se prolonga? Que níveis de violência os protestos alcançarão? Como se manterá a ordem na economia, nas mentes e nas ruas? Haverá uma tripla aliança entre o poder econômico, o midiático e o militar? As democracias europeias se converterão em “democraduras”?

 

(*) Ignacio Ramonet é jornalista, presidente da Associação Memória das Lutas e editor do Le Monde Diplomatique, edição espanhola

 

——

Notas

1 Na Espanha, por exemplo, 45% da dívida pública é controlada pelos próprios bancos espanhóis. Dos 55% restantes, dois terços são detidos por instituições financeiras do resto da União Europeia. Significa que 77% da dívida espanhola foi adquirida por europeus e que apenas os 23% restantes encontram-se em mãos de instituições estrangeiras à UE

2 A nota mais alta é AAA, que no final de novembro só possuíam no mundo poucos países: Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Dinamarca, França, Finlândia, Holanda, Reino Unido, Suécia e Suíça. A nota dos Estados Unidos foi rebaixada, em agosto, para AA+. A da Espanha é atualmente AA, idêntica às do Japão e China.

3 Nos Estados Unidos, o Goldman Sachs já conseguiu, por exemplo, fazer de Robert Rubin secretário do Tesouro do presidente Clinton; e de Henry Paulson, o ocupante do mesmo posto no gabinete de George W. Bush. O novo presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, foi também vice-presidente do Goldman Sachs para a Europa, entre 2002 e 2005.

 

 

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6 comentários para "A sombra das democraduras"

  1. Georgiana disse:

    Excelente resumo do que tem acontecido.

  2. JULIO SPÍNOLA disse:

    A World Federation of Exchanges [Federação Mundial de Bolsas de Valores] relata que, em 2008, mais de US$ 113 trilhões em ações, futuros e opções foram negociados em suas 51 bolsas de valores. As 46.000 ou mais companhias com registro em bolsa apresentavam um total de capitalização de mercado de mais de US$ 33 trilhões.
    Enquanto isso, o mercado mundial de derivativos – incluindo o mercado de balcão e os derivativos negociados em bolsa – foi estimado em cerca de US$ 791 trilhões, 11 vezes o tamanho da economia mundial.
    http://www.pratigi.org/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1409%3Aqcarbon-indexq-para-o-mercado-financeiro&catid=151%3Anoticiasdoma&Itemid=521&lang=br
    Ora, se o total de derivativos ou papeizinhos do Banco Imobiliário Sênior já alcançava US$791 TRI ou 11 VEZES A ECONOMIA GLOBAL DE 2008, devemos intuir que ainda não se dissiparam as nuvens negras que pairavam sobre a economia do planeta em 2007/2008. Apenas que estas nuvens foram espalhadas sobre toda a economia do planeta através da valorização de ativos diversos espalhados pelo mundo. DESINFLAM AS GRANDES BOLHAS INFLANDO AS PEQUENAS BOLHAS DOS EMERGENTES.
    Como estas bolhas estão ligadas, como vasos comunicantes, umas com as outras,o risco de esvaziamento de todo o sistema pelo estouro de uma se torna muito grande.
    A solução ate agora, tem sido fechar a mangueira que liga uma bolsa ou bolha à outra como fizeram à Grécia, retirando-a do Euro. Isolaram a Bolha.
    Com uma variante preocupante: estão investindo maciçamente no mercado imobiliário de todo o planeta a ponto de, aqui no Brasil, não encontrarmos mais terras no litoral da Bahia, por exemplo, que não estejam sendo especuladas pelos “gringos” como os chamam. Estes ativos, artificialmente inflados, não são contados sempre em bolsas já que muitos são investimentos particulares de capitais retirados da bolsa e aplicados sem comercio em mercado de capitais.Olhando o mercado global na África e países da ásia encontramos também propagandas de venda de casas e mansões com preços em milhões de Euros e dólares, incompatíveis com os preços normalmente praticados no mercado local.
    Comprando um jornal de classificados no Paraguai e comparando com os preços anunciados na internet encontrei uma enorme discrepância de preços entre os normais, de mercado e os anunciados na NET para gringos. Uma clara indicação de que muitos já fugiram do mercado de capitais para investir na especulação imobiliária de pequenos países ainda não atingidos pelo tsunami da especulação global. Estão, aos poucos, transformando dinheiro falso das avaliações imobiliárias do Banco Imobiliário Sênior dos EUA e Europa para, desavisadamente, inflar o mercado das pequenas economias do mundo. Como em muitos locais este mercado já começa a apresentar sinais de exaustão especulativa pela pequena oferta de moeda local para mantê-los inflados.
    A GRANDE PERGUNTA É: HÁ MERCADO, OU BOLHAS SUFICIENTES, NOS EMERGENTES, PARA INFLÁ-LAS TODAS COM A GRANDE BOLHA DOS DERIVATIVOS E DO MERCADO IMOBILIÁRIO?
    ESTARIAM SÓ RETARDANDO A BOMBA-RELÓGIO?
    Assim como, quando crianças, brincávamos de sermos riquíssimos com nossos papeizinhos do Banco imobiliário Junior, hoje, vetustos senhores brincam entre si de serem mais ricos do que a própria economia do planeta. Se em caso de crise os governos garantissem os pequenos depósitos das pessoas físicas e empresas não especulativas, como já foi feito no Brasil, proporcionalmente às suas demandas economicas, a economia não sucumbiria por falta de meios de troca ou papel-moeda e os papéis artificialmente inflados junto com os ativos de circulação restrita, como os imóveis, voltariam os seus patamares, sem grandes convulsões. Já ocorreu no passado recente do Brasil.
    Ninguém ficaria menos rico em seus bens reais pela desvalorização de seus papéis já que quem tivesse um carro ou casa continuaria a tê-lo. O único entrave, como sempre, seria dos detentores de papéis mobiliários e imobiliários que não quereriam repassar aos mutuários as desvalorizações de seus papéis ou dívidas de face.
    Caberia ao governo emitirem normas regulatórias de repasse desvalorizativo dos papéis.
    Que a crise, como o tsunami das Canárias vêm, isto é certo. Quando, é a grande pergunta.
    Enfim, vamos esperar para ver….
    Em tempo, nossas “despesas”, com o serviço da dívida, do tesouro ou erário:
    Total no Ano (R$)
    Amortização e Juros da Dívida74 – Correção Monetária ou Cambial da Dívida Mobiliária Resgatada2.254.667.706,85
    Amortização e Juros da Dívida21 – Juros sobre a Dívida por Contrato3.026.874.048,78
    Amortização e Juros da Dívida23 – Juros, Deságios e Descontos da Dívida Mobiliária103.561.032.956,83
    Amortização e Juros da Dívida24 – Outros Encargos sobre a Dívida Mobiliária19.641.120,51
    Amortização e Juros da Dívida22 – Outros Encargos sobre a Dívida por Contrato188.558.131,79
    Amortização e Juros da Dívida77 – Principal Corrigido da Dívida Contratual Refinanciado1.952.253.663,81
    Amortização e Juros da Dívida76 – Principal Corrigido da Dívida Mobiliária Refinanciado356.956.583.054,33
    Amortização e Juros da Dívida71 – Principal da Dívida Contratual Resgatado55.921.614.734,46
    Amortização e Juros da Dívida72 – Principal da Dívida Mobiliária Resgatado75.087.413.442,6
    http://www.portaltransparencia.gov.br/PortalComprasDiretasEDDespesas.asp?Ano=2010&Valor=104495418392574
    SOME O TOTAL DAS PARCELAS E VEJA QUE ESCÂNDALO!
    Mais do que educação, segurança e saúde, juntas.
    Um abraço, Júlio.

  3. Paulo Falcão disse:

    O texto de Ignacio Ramonet é bem escrito e traz dados corretos, mas analisando bem, é apenas um longo “lamento não propositivo”, uma forma elegante de xingar políticos e o “sr. mercado”. Serve para desopilar o fígado, e só. Qual a alternativa que o autor apresenta para proteger os estados que gastam sistematicamente mais do que arrecadam e, muitas vezes, do que produzem? Falar mal do sistema financeiro é fácil, difícil é apontar caminhos que não sejam mais trágicos do que os cenários atuais. Em qualquer curso de economia doméstica você aprende que não dá para gastar mais do que a renda familiar de maneira continuada. Em algum momento a bomba estoura e a família entra em crise, mesmo que deva apenas para o padeiro, o leiteiro, o feirante, o fornecedor de água e eletricidade. A Argentina, em 1998 alcançou um PIB de 298.9 bilhões de dólares. Em 2010, já em meio a sérias dificuldades por gastar mais do que produzia, atingiu 268,6 bilhões de dólares, mas, em dezembro de 2001, resolveu dar uma banana aos bancos e fundos de investimento que batiam à sua porta. O resultado foi a falência imediata do país, uma queda brutal do PIB (foi para 102 bilhões de dólares de 2002 e demorou 7 anos para voltar ao patamar do ano anterior à falência – 260,7 bilhões de dólares em 2007). Em 2010, atingiu 368,7 bilhões de dólares. Mas até hoje há muita pobreza decorrente desta falência, racionamento de energia, manipulação de índices de inflação e outras coisitas. Mas o fato é que a retomada da Argentina, apesar de grandes ajudas do Brasil (como mercado sem barreiras) e da Venezuela em petróleo e dinheiro, só começou mesmo com a retomada dos pagamentos após um deságio da dívida. O deságio foi grande, entre 70 e 80% em média, mas quem sofreu com isto não foram tanto os banqueiros, mas sim a população argentina. Acho que os mercados precisam de regulação. Acho que é irreal esta compra e venda alucinada de títulos e ações meramente virtuais que se transformam em ganhos reais para uns e dívidas para outros, mas nada disso elimina a necessidade dos estados terem austeridade fiscal. A conta precisa fechar. Tirando os bancos da equação, a conta fecha? Não fecha. Estão os ajustes são necessários. Qual a alternativa concreta que o autor propõe? Nenhuma.
    Quem quiser conferir a evolução do PIB argentino, clique aqui: http://www.google.com.br/publicdata/explore?ds=d5bncppjof8f9_&met_y=ny_gdp_mktp_cd&idim=country:ARG&dl=pt-BR&hl=pt-BR&q=%22pib+en+argentina%22
    Se quiser, também pode comparar os casos do Brasil (que fez a lição de casa no governo do FHC e que o Lula teve a inteligência de continuar) e da Argentina com suas bravatas: http://www.google.com.br/publicdata/explore?ds=d5bncppjof8f9_&met_y=ny_gdp_mktp_cd&idim=country:ARG&dl=pt-BR&hl=pt-BR&q=%22pib+en+argentina%22#ctype=l&strail=false&bcs=d&nselm=h&met_y=ny_gdp_mktp_cd&scale_y=lin&ind_y=false&rdim=country&idim=country:ARG:BRA&ifdim=country&hl=pt_BR&dl=pt_BR

  4. JULIO SPÍNOLA disse:

    QUE O GOVERNO GASTA MAIS DO QUE ARRECADA, NÃO DUVIDAMOS.
    Nós também o fazemos quando compramos, à crédito, uma casa mais um carro de valor muito maior do que nossa renda ou PIB pessoal anual.
    Gastar mais do que possuímos, via crédito, nem sempre é sinal de má gestão. Muitas vezes é o contrário se gastarmos para investimento.
    Nossa arrecadação é de 1,7 trilhões em 2011 e nosso gasto com salários da ativa, pouco mais de 80 bilhões.
    Se somarmos os gastos com bancos durante 2010 chegamos à cifra de R$596 Bilhões ou MAIS DO O QUE SE GASTOU COM SALÁRIOS DE FUNCIONÁRIOSDA ATIVA + EDUCAÇÃO+ SAÚDE + SEGURANÇA.
    Se nos atrevermos a dizer que é o déficit da Previdência que estaria sugando o estado, vale lembrar qeu 80% do déficit da Previdência Social é gerado pelo Funrural e pelas aposentadorias dos velhinhos que sustentama economia da maioria dos municipios do interior do Brasil.
    Mesmo assim, o déficit da Previdência foi de 50,7 BI e caberia folgadamente no quesito Renegociação de dívida ou rolagem de valor de R$356 BI em 2010.
    OS BANCOS, SOZINHOS, ABSORVERAM QUASE O DOBRO DAS VERBAS DOS SALÁRIOS TOTAIS DA ATIVA, DO MIN EDUCAÇÃO, DA SAÚDE, O DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA E A DEFESA, JUNTOS.
    GASTO TOTAL COM OS BANCOS: 596 BILHÕES DE REAIS EM 2010.
    CONFIRAM http://www.portaldatransparencia.gov.br/PortalComprasDiretasEDDespesas.asp?Ano=2010&Valor=104495418392574

  5. JULIO SPÍNOLA disse:

    EM TEMPO. A QUEDA DO PIB DA ARGENTINA FOI VIRTUAL, NÃO REAL, como comenta o Paulo de forma enviesada.
    Como a medida do PIB foi feita em dólares e não em pesos ou outra moeda corrigida, a escassez de dólares no mercado interno argentino fez sua cotação disparar, dando a impressão de que se PIB encurtou pela metade. Na verdade, foi a régua usada para medir a sua economia, o dólar, que aumentou de tamanho pela ânsia de suas elites em expatriar divisas.
    Durante alguns meses houve, de fato, a agonia da transição mas, logo após, a renegociação de sua dívida em bases mais éticas , com juros mais baixos, o país recomeçou seu crescimento com taxas asiáticas enquanto o Brasil de Lula patinava em taxas entre O% e 3,5%, sendo o lanterninha do terceiro mundo, perdendo até de Uganda e Angola.
    Como estávamos em festa, pela primeira vez comprando carros novos à crédito e eletrodomésticos importados a preço de dumping da China, prá que reclamar de crescimento pífio? Além do que, se crescêssemos a taxas maiores teríamos um apagão de mão-de-obra pela qualificação ínfima de nossos operários vindos de uma escola de base que só ganha do Suriname em qualidade, segundo a OCDE. Ontem mesmo, passou um programa na TV Senado em que o Magnífico Reitor/Senador Cristóvam Buarque declarava que embora tenhamos condições financeiras de criar cinco ITAS, não o conseguiríamos por um APAGÃO DISCENTE, ou seja, por pura falta de alunos qualificados para preencher as vagas de cursos como os do IME e do ITA. Declarou também que mais da metade dos alunos que entram na universidade pública via ENEM e cotas desistem de continuar seus cursos por falta de base para acompanhar sua carga curricular. Como um aluno de uma USP, por exemplo, custa mais de R$23.000,00 por ano, a desistência de metade ou mais dos alunos até o final do curso faz com que o custo unitário alcance quase R$50.000,00 por aluno/ano, ou quase R$250.000,00 por formando ao final de seus cursos.
    Quanto à inflação argentina com seus expurgos, aqui também se expurga, e muito, quando não interessa ao sistema . Se, por exemplo, incluíssemos o preço de imóveis e de suas prestações no calculo do custo de vida, nossa inflação seria muito maior do que nos apresentam.
    O preço dos imóveis influi diretamente no custo de vida já que pressiona para cima os valores das prestações do SFH que serão deduzidos do orçamento familiar assim como o aluguel.
    A diferença estaria talvez numa imprensa que aqui está em lua-de-mel com o governo e os bancos enquanto no país austral há uma situação totalmente diferente.
    Veja o PIB da Argentina pelo PPC, este real, NÃO UMA RÉGUA ESTICADA, e achará um PIB MAIS DO QUE O DOBRO DO VALOR que cita em seu comentário: US$642 255 244 279.
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_pa%C3%ADses_por_PIB_(Paridade_do_Poder_de_Compra)

  6. Antonio Assis disse:

    excelente artigo the situação, somente este tipo de informação poderá vir a mudar avisão das coisas e fazer com que as pessoas mudem o seu voto, ou então criar uma taxa extra para quem queira seguir estas politicas desastrosas que só levam ao enriquecimento de alguns.

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