Periferia, polo literário e inquietante da cidade

A partir desta sexta, Feira Virtual do Livro das Periferias reunirá mais de 190 títulos. Há debates com autores, preços especiais e apresentação de pesquisa inédita: em 14 anos, selos e editoras periféricas de SP venderam 187 mil exemplares

Feira Virtual do Livro das Periferias, de 4 a 6 de dezembro. Realizada pela Ação Educativa, com apoio de Programa de Ação Cultural (ProAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo. Programação e vendas aqui.

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Por Eleilson Leite

De 4 a 6 de dezembro, acontece a primeira edição da Feira Virtual do Livro das Periferias, evento que reúne editoras e selos de publicação vinculadas às periferias da Região Metropolitana de São Paulo. A iniciativa da Ação Educativa promove apresentações e mesas de diálogo sobre as produções editoriais de territórios periféricos por meio de saraus, leituras de textos, incentivo à leitura e comentários sobre os livros publicados pelas editoras e selos das periferias. A participação é gratuita e a programação completa está disponível no site.

Junto com o lançamento da Feira, também ocorre a divulgação da pesquisa inédita Editoras e Selos Editoriais das Periferias de SP, realizada pela Ação Educativa sobre o mercado editorial das periferias da Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com a pesquisa, são 375 títulos publicados por essas editoras, somando 187.500 exemplares estimados, um mercado que até abril de 2020 gerou R$ 3,75 milhões em vendas. São 275 autores e autoras, sendo um terço deste total composto por mulheres. Quanto ao recorte racial, também um terço dos/as autores/as são negros/as. 

“O movimento editorial nas periferias se expande, principalmente, a partir dos saraus, no início dos anos 2000. Ali, ele conquistou leitores e escritores, que se desdobram em múltiplas e potentes vertentes literárias”, explica o coordenador cultural da Ação Educativa, Eleilson Leite. “A Feira do Livro é um dos pilares de um projeto inovador e que nos traz muito orgulho, abrindo espaço para a necessidade do protagonismo cultural descentralizado”, completa.

A pesquisa também revela que a maioria dos leitores é de moradores das próprias periferias (51,8%) e o custo elevado é identificado como a principal dificuldade no acesso aos títulos (29,6%). Já na perspectiva das editoras/selos, a divulgação (32,7%) é o maior desafio para ampliar o acesso. 

Quanto à distribuição territorial, a periferia da Zona Sul de São Paulo concentra metade (50%) das editoras/selos, seguida pela Zona Norte, com pouco mais de um quarto do total (27,7%). Apenas uma está localizada fora da capital paulistana, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. 

Números mostram crescimento das editoras periféricas

A pesquisa considerou as editoras e selos de publicação das periferias de São Paulo surgidos entre 2005 e 2019. No período de 14 anos, foram observadas  18 editoras,  10 das quais surgidas entre 2011 e 2016.

Apesar da estrutura de pequeno porte, a pesquisa revelou que a maioria (61,1%) das editoras/selos que participaram da pesquisa têm CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), o que sugere a consolidação de um negócio editorial, e que permite a essas organizações uma variedade de atividades mais ampla em comparação com aquelas que não possuem ou têm seu cadastro prejudicado. O CNPJ é constituído por essas organizações não só para permitir a edição e comercialização editorial, mas também a realização de atividades relacionadas, como organização de eventos literários, a participação em editais públicos e privados e a prestação de serviços de natureza artística e educativa.

Realizada em nove etapas entre fevereiro e agosto de 2020, a pesquisa tem o objetivo de contribuir para a democratização do mercado editorial brasileiro e para a ampliação da bibliodiversidade nas práticas de leitura do país.

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Um comentario para "Periferia, polo literário e inquietante da cidade"

  1. Ale Abdo disse:

    Gente, no texto tem um link que não funciona, , além do link que está funcionando, .

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