Velha mídia, nova derrota

Nunca se viu tanto racismo, tanto discriminação tanto ódio na boca de certos políticos e jornalistas

Por Marilza de Melo Foucher

Uma vez mais a mídia tradicional brasileira será derrotada numa eleição presidencial. Ela assumiu nas ultimas eleições de Lula, e agora com Dilma, a candidata de Lula, o principal papel de opositor. A chamada grande imprensa brasileira, que de grande não tem nada, tendo em vista sua parcialidade, sempre detestou o cidadão Lula e o presidente Lula. Não se conhece na historia republicana mundial um presidente que tenha sido tão desrespeitado quanto Lula.

Nunca se viu tanto racismo, tanto discriminação tanto ódio na boca de certos políticos e jornalistas. Tentaram por todos os meios impedir que chegasse ao poder. Como Lula persistiu, foi eleito e reeleito para o desespero deles, passaram a praticar uma oposição permanente ao governo, sem nenhuma visão critica. Foram incapazes de reconhecer que o governo conseguiu desenvolver um bom trabalho de inclusão social, diminuindo consideravelmente as desigualdades no território brasileiro. Foram também incapazes de reconhecer que hoje o Brasil é exemplo internacional na luta contra a fome, que tem credibilidade internacional.

Tentam agora, a todo custo, criar sensacionalismo por meio de um clima permanente de denúncias sem provas. Esta passou a ser a única estratégia para desacreditar o governo Lula e sua candidata. Nesses últimos anos o debate político no Brasil perdeu o brilho da racionalidade que exige a boa análise. Aquela que contextualiza, que coloca a nu certas contradições e cujo conteúdo leva o leitor a refletir sobre sua realidade.

A TV Globo, certas revistas e jornais alimentaram e provocaram sempre o baixo nível do debate político no Brasil e nada ajudaram na construção de uma cidadania política. O pior, para essa mídia reacionária, é que o presidente Lula, que tanto lutou pela democratização do Brasil, nunca utilizou da censura. A imprensa sempre teve total liberdade. No fundo eles gostariam de provocar o acirramento para serem censurados, assim poderiam acusar o Lula de ditador!

Também para o desespero desse tipo de mídia, acostumada a manipular a opinião publica brasileira, um parte da população passou a ter acesso a outro tipo de informação política via internet, que vai proporcionar outro tipo de debate político, com efeito multiplicador nos centros de formação de opinião, fora do “padrão globo” habitual. Houve também um amadurecimento político no exercício da cidadania. Os brasileiros, mesmo sendo críticos a certos projetos do governo Lula, reconhecem que o Brasil mudou para melhor e querem a continuidade com Dilma.

O Brasil é hoje uma grande nação e merece que o jornalismo seja praticado dentro do rigor intelectual necessário. Nada de bajulação, apenas neutralidade necessária para analisar os fatos tais como eles se apresentam. Um jornalismo independente do poder político enaltecerá sem duvida a democracia dessa jovem nação. Felizmente nos restam alguns jornais e poucas revistas politicamente corretos.

O que fazer, seu Zé?

Lamentavelmente, José Serra perdeu a capacidade política de participar num debate digno de uma eleição presidencial. Trata-se de um momento propício para a confrontação de idéias, programas sobre o que cada um tem a propor para o povo brasileiro. Quando a política perde seu “P” maiúsculo, a politicagem assume o picadeiro do circo. Aí vira esse triste espetáculo que só enfraquece a jovem democracia brasileira.

O governador Serra, que viveu exilado no Chile, poderia pelo menos ter uma visão mais digna de um homem político que lutou pela democracia. Ou ele é cego ou vê mal a realidade brasileira, daí não aceita comparar os resultados do governo FHC (de que participou) com o governo Lula. Daí o desespero e despreparo político de Serra para enfrentar uma conjuntura econômica e política mais propícia ao governo de Lula. Seu comportamento de vampiro que quer sugar sua adversária, gorgolejando palavras ferinas em nada enaltece o modo de exercer um cargo político.

Ele esquece, junto com seus aliados da mídia reacionária, que o povo hoje está vacinado contra o efeito nefasto do padrão Globo. Espera dos políticos outro tipo de comportamento. Quer propostas concretas para assegurar o futuro de um Brasil para todos, sem exclusão.

Marilza de Melo Foucher é doutora em economia e especializada em desenvolvimento territorial integrado e solidário

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7 comentários para "Velha mídia, nova derrota"

  1. Sergio Mainardi disse:

    Marilza,
    Eu acho que Você esta coberta de razão, alias todos estão cobertos de razão

  2. LEVI disse:

    MUITO ESTRANHO UMA PESSOA ESCREVER SOBRE RACISMO, DISCRIMINAÇÃO, ODIO, SENDO QUE O ARTIGO DELA SEGUE A MESMA LINHA, POREM VENDO PELO LADO DA ESQUERDA.
    A SRA. TAMBEM PODE SER CONSIDERADA RACISTA, DISCRIMINATORIA E COM ODIO. DEPENDE DE QUEM ESTA LENDO, E QUAL FOI SUA INTERPRETAÇÃO MAS ISSO FAZ PARTE DA DEMOCRACIA. SO NÃO VENHA COM OS VELHOS CHAVÕES. OU SERA QUE A SRA PREFERE A SAIDA DO SR. FRANKILIN MARTINS E DO SR. DIRCEU, IMPRENSA CHAPA BRANCA. OU MELHOR AINDA, IMPRENSA SO A DOS VEICULOS COMPRADOS PELO GOVERNO, IGUALZINHO EM CUBA.

  3. Ana Brito disse:

    Sempre tive à flor da pele o sentimento de ser brasileira, que nutri e venho nutrindo com muito amor e consciência, até mesmo quando na infância era obrigada a cantar o Hino Nacional – e eu cantava cheia de amor, mas sem compreender exatamente porque no país tudo era meio cinzento. Felizmente, consegui salvar-me da ignorância, graças, primeiramente , aos meus pais, que jamais impuseram aos filhos as suas cores políticas, deixando a cada um a liberdade de seguir o que bem entendesse, com responsabilidade, consciência e dignidade. Graças também a pessoas profundamente comprometidas com o país, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Antonio Cândido, Celso Cunha dentre tantos outros, aprendi a exercer os meus direitos e a não ter medo de ideias vociferantes que teimavam em apagar o meu modo de ser e as minhas convicções. Graças também à voz, força e trabalho de um homem simples, que emergiu da classe operária, vi este país, o meu país, ganhar voz e cor: A voz e a cor da nossa gente! Votei no Lula! O candidato que conheci, desde a época em que era um sindicalista e eu, uma jovem estudante, iniciando os meus passos pelo mundo. Chorei emocionada, mas consciente de que o Brasil enfrentaria ainda muitos percalços. Senti o país crescendo, o povo crescendo… Votei de novo no Lula! Chorei outra vez ao ver o Lula Presidente do Brasil vencer juntamente com o povo os desmandos e abusos de uma elite perversa que através da mídia exerceu e ainda exerce toda a sua crua maldade na avidez de manter-se no poder e no controle ditando os rumos da nação. Agora, a Dilma, que tem o meu voto, é a presa predileta nos discursos dessa elite, representada pelo Serra. Mas o que é isso, senão o desespero desses senhores nefastos em retomar o poder para continuarem a exercer a sua vaidade e ambição? Recebo no meu correio eletrônico diversas mensagens mal elaboradas e mentirosas que querem difamar a candidata Dilma Roussef, retirando-lhe o brilho e a competência e apontando o candidato Serra como o melhor, mas nunca recebi nenhuma mensagem mostrando o que esse senhor tem de bom a oferecer! Afinal, qual é o seu projeto? O que ele fez, faz e fará? Não, ninguém tem nada a dizer, pois ele não tem nada a apresentar! Enfim, mais uma vez, essa mídia – porta-voz das elites econômicas brasileiras -, quer fazer do Serra Presidente, apenas com base na difamação da Dilma, esquecendo-se que nós já não mais aceitamos a farsa! Esse artigo, dentre tantos que se propõem a elucidar o cenário político brasileiro não tem circulação na mídia, porque é fruto do conhecimento, pesquisa e vivência de quem conhece o país e tem condições de trazer a luz sobre a mentira que se quer continuar a propagar nesse país. Ainda bem que existem estudiosos conscientes e um povo que busca a decência. Dilma Roussef é a Candidata que reúne todas as qualidades para dar continuidade ao projeto que está transformando este jovem país num verdadeiro e sólido Brasil!

  4. Paulo disse:

    Marilza Foucher,
    Com seu conhecimento específico, imaginei argumentos mais robustos, que ampliassem minha visão. Refletiu apenas sua posição política, mera coadjuvante com ranços e clichês.
    Ora – todo poder reveste-se de totalitarismo, mesmo em culturas com democracias bem assentadas. Quanto a nossa realidade, estamos no caminho lento para firmar nossa democracia e desenvolver o cidadão conhecedor de seus direitos e mais participativo no destino da nação.
    Valemo-nos da força bruta: tentativa e erro!

  5. moroni disse:

    Marilza,
    O que você descreve é a mais pura realidade. Mas entendo que a atuação da imprensa não é somente por ideologia e, sim, pelos milhões gastos em publicidade e outros bilhões em favorecimentos.
    Já que você é economista, como explicar os $100 bilhões arrecadados nas privatizações com dólar na paridade de 1 para um e, menos de 2 anos depóis (1998), as reservas internacionais estavam zeradas.
    Essa explica outras coisinhas como o Sr. pressão alta, Sergio Motta, que não conseguiu segurar o rojão!!!!!
    Ana Brito, faço de suas minhas palavras, acrescentando a miséria na infância, triste, faminta e friorenta.

  6. @williamszap disse:

    Nasci escutando que o Brasil era um país novo para justificar a meséria mais mídia plantou isso para dizer que não mandava em políticos e no Brasil para favorece-los em determinados segmentos e ainda mais atrasar o Brasil de crescer. Somos atrados sim devido os interesses destes grandes empresários, porém estamos vencendo esta barreira.
    Vejo também que o PIG usa dos projetos sociais do governo para alavancar o ódio na sociedade manipulando as palavras.
    Hoje sou abençoado por diferentes visões de determinados assuntos.
    Adoro ler a matéria e ainda mais todos os comentários que foram excelentes.
    Um abraço.

  7. marceloDC disse:

    Se dizem de preconceitos, por que esse destaque e a obseção pelo racismo? Preconceito aos LGBTs e questões de gênero são MUITO mais comuns e intensas e quase nada é feito, dito etc.
    A velha boçalidade de explicitar “preconceitos”.

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