Quando os homofóbicos saem do armário

França e Estados Unidos ficam sabendo que dois líderes de organizações anti-gay são homossexuais. Haverá, no Brasil, auto-repressão semelhante?

Por Altamiro Borges, em seu blog

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Florian Philippot, um dos vice-presidentes do partido neonazista francês Frente Nacional (FN)

França e Estados Unidos ficam sabendo que dois líderes de organizações anti-gay são homossexuais. Haverá, no Brasil, auto-repressão semelhante?

Por Altamiro Borges, em seu blog

Jair Bolsonaro, Silas Malafaia, Marco Feliciano e outros homofóbicos nativos perderam dois importantes aliados da sua causa de ódio no cenário internacional. Na sexta-feira (12), a revista francesa “Closer” revelou que Florian Philippot, um dos vice-presidentes do partido neonazista Frente Nacional (FN), que se opõe ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, é homossexual. Já no final de novembro, o estadunidense John Smid, que militou por 18 anos numa organização que pregava a “cura-gay”, oficializou a sua união com o parceiro Larry McQueen. Os dois casos talvez pudessem ajudar os homofóbicos de plantão no Brasil, sempre tão agressivos e intolerantes, a repensar as suas práticas…

No caso do dirigente da FN, ainda há controvérsias. O seu chefe do gabinete, Joffeey Bollée, afirmou que o político “provavelmente” processará a revista “por violação da vida privada”. Já Marine le Pen, líder da seita fascista, disse que a matéria é um “atentado contra a liberdade individual”. A “Closer” publicou uma reportagem especial de quatro páginas com fotos de Florian Philippot em Viena (Áustria) acompanhado de seu suposto companheiro, identificado como “um jornalista de televisão”. Em janeiro passado, a mesma revista publicou fotos que comprovariam a relação do presidente francês, François Hollande, com a atriz Julie Gayet, o que provocou sua separação da então primeira-dama, Valérie Trierweiler.

Já no caso do estadunidense, o próprio John Smid anunciou a sua união com o parceiro Larry McQueen. Durante quase 20 anos, ele militou em uma organização fascistóide que considerava a homossexualidade um pecado, incentivava as pessoas a rezarem para que não sentissem atração por outras do mesmo sexo e acreditava que a orientação sexual de alguém poderia mudar. Entre 1990 e 2008, ele foi diretor-executivo do grupo “Love in Action”, que atuava na difusão da chamada “cura gay”. Além de assumir sua homossexualidade e de celebrar sua união homoafetiva, John Smid também fundou a organização Grace Rivers para os gays cristãos.

Em recente entrevista, John Smid pediu desculpas aos que acreditaram na sua pregação da “cura gay” e explicou os motivos das suas escolhas. “Eu tinha fé de que algo iria acontecer, mas isso nunca aconteceu. Agora, na minha idade, já não tenho muitos anos restantes, não posso viver mais assim pelo resto da minha vida. Então pensei que não, não estou disposto a continuar empurrando algo que não vai ocorrer”. Bolsonaro, Feliciano, Malafaia e outros homofóbicos hidrófobos também deveriam repensar os seus dogmas. Ainda há tempo!

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3 comentários para "Quando os homofóbicos saem do armário"

  1. “Bolsonaro anuncia ao Brasil que é homossexual e divulga a data do seu casamento com Malafaia”. Já imaginaram uma notícia como essa estampada em grandes jornais e revistas no Brasil agora dia 1° de janeiro?
    Acredito que, grande parte de pessoas como Bolsonaro e Malafaia são “gays de armário”, foram jovens que sofreram toda uma vida de repressão familiar. E, agora como adultos, momentaneamente, fazem essa luta homofóbica.
    Esse tipo de “machão”, quase toda noite, tem sonhos não em paraísos fiscais, mas em praias maravilhosas, cheias de outros homens em uma orgia coletiva e fantasticamente promíscua.
    O que fazem ou dizem hoje contra os gays é para tentar esconder todo um turbilhão de desejos, vontades e emoções que lutam para aflorar, mas as lembranças do passado de repressão familiar ainda não permite.
    Observe o que diz Freud sobre o tema no “Três ensaios da sexualidade”:
    “(…) o processo de desenvolvimento psicossexual, o indivíduo encontra o prazer no próprio corpo, pois nos primeiros tempos de vida, a função sexual está intimamente ligada à sobrevivência. O corpo é erotizado, isto é, as excitações sexuais estão localizadas em partes do corpo (zonas erógenas) e há um desenvolvimento progressivo também ligado as modificações das formas de gratificação e de relação com o objeto, que levou Freud a chegar nas fases do desenvolvimento sexual:
    Fase oral (0 a 2 anos) – a zona de erotização é a boca e o prazer ainda está ligado à ingestão de alimentos e à excitação da mucosa dos lábios e da cavidade bucal. Objetivo sexual consiste na incorporação do objeto (3).
    Fase anal (entre 2 a 4 anos aproximadamente) – a zona de erotização é o ânus e o modo de relação do objeto é de “ativo” e “passivo”, intimamente ligado ao controle dos esfíncteres (anal e uretral). Este controle é uma nova fonte de prazer.”
    O que passa nas emoções contidas do deputado, e demais homofóbicos, é o exposto acima, esses “Gays de armário” sofreram repressão durante muito tempo, são marcas que ficam para a vida toda, pessoas como Bolsonaro, Malafaia…precisam de ajuda para finalmente em 2015 se descobrirem para uma vida de liberdade, de amor a homens e mulheres.

  2. José disse:

    O FN (front national) não é um partido neo-nazista, é um partido nacional republicano autorizado pela constituição francesa, ao contrario dos grupos neo nazista reais que são marginais e combatidos pela lei francesa. a reputação desse partido é de ser de extrema direita isso sim , mas falar de neo nazismo é tanta burrice quanto dizer que o PT é comunista. Sobre o florian philippot , ele nunca foi condenado por homofobia , então nada justifica o titulo desse artigo, ironicamente e de fato o partido dele é contra o casamento homossexual ,mas desde de quando isso significa ser homofóbico? tem que tomar cuidado ao utilizar termos tão conotados como “nazista” ou “fascista” que pelo visto não querem dizer mais nada , esse vocabulário ficou no anos 30 , ta na hora de atualizar o dicionário , é uma questão de credibilidade.

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