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Do nova variante do vírus da gripe encontrado no Paraná à suposta “pandemia não covid” do Cazaquistão: a importância de identificar potenciais perigos

Close up of doctor with sample from sick woman. Selective focus on sample.

Este texto faz parte da nossa newsletter do dia 13 de julho. Leia a edição inteira.
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Na sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou ter recebido do governo brasileiro a notificação de infecção humana por influenza A (H1N2)v. Existe uma atenção redobrada a esse vírus, que provoca infecção em porcos, e, de tempos em tempos, salta dos suínos para os seres humanos. No mundo, já foram detectados 26 casos assim – dois deles no Brasil. É importante que os sistemas de saúde fiquem alertas porque um novo subtipo pode surgir, causando transmissão entre pessoas. 

O (H1N2)v foi encontrado em uma mulher de 22 anos que trabalhava em um matadouro de porcos no município de Ibiporã, no Paraná. Ela apresentou sintomas de gripe no dia 12 de abril, procurou atendimento e teve amostra de secreção respiratória coletada. Foi então que o Laboratório Central de Saúde Pública do Paraná identificou um vírus influenza A de subtipo desconhecido e encaminhou a amostra ao Laboratório de Vírus Respiratório da Fiocruz, onde a descoberta da nova variante foi feita. Há uma investigação epidemiológica em curso para verificar se não houve mais casos da infecção. Depois da divulgação da OMS, a Fiocruz publicou uma reportagem em que a coordenadora do serviço, Marilda Siqueira, explica que há o relato de outro funcionário do mesmo frigorífico que apresentou sintomas de gripe, mas não teve amostra coletada: “Vamos continuar as análises, mas, até o momento, não há evidências de que tenha acontecido transmissão [de pessoa para pessoa]”.

Enquanto isso, a China e o Cazaquistão vivem um entrevero diplomático. Isso porque a embaixada chinesa divulgou na quinta-feira um comunicado informando que há uma “pneumonia não covid” em curso. De acordo com a embaixada, houve 1.772 mortes por pneumonia no primeiro semestre – 628 apenas em junho, o que indicaria um “índice de mortalidade de longe superior à covid-19”. O informe repercutiu na mídia chinesa como se houvesse a suspeita de um novo patógeno em circulação. Mas o Cazaquistão nega. 

Na sexta, o Ministério da Saúde afirmou que as informações da mídia chinesa “não correspondem à realidade” e se devem a uma falha de tradução. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, afirmou que a causa mais provável para o aumento no número de casos de pneumonia é mesmo a covid-19 – que pode estar subnotificada graças à qualidade dos testes feitos, que podem estar dando falsos negativos, por exemplo. Semana passada, o Cazaquistão voltou a decretar fechamento das atividades econômicas por conta da pandemia. Até sexta, tinham sido registrados 57,7 mil casos e 264 mortes. 

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