Vacinas: redução de anticorpos não é mal sinal

Em certos casos, ela significa que sistema imunológico está selecionando as moléculas de defesa realmente eficazes

Na persistente polêmica sobre a possível perda de efeito da imunização contra a covid, surgiu mais um dado relevante. Um texto alentado, que saiu semana passada na revista norte-americana The Atlantic, discute, em diálogo com imunologistas, a redução do número de anticorpos, que se dá, no caso de algumas vacinas, algum tempo após o corpo ter recebido o imunizante.

Mas não se trata necessariamente de má notícia – e, sim, sinal de que o sistema imunológico pode estar cumprindo seu papel, dizem os pesquisadores consultados. A fixação pela contagem de anticorpos ignora o funcionamento complexo da resposta imune. Em resumo, a queda das moléculas de defesa do organismo é um mecanismo natural – mas a memória do combate à doença permanece guardada nos linfócitos B.

A reportagem faz um esforço de simplificação para explicar o funcionamento. Ao perceber o ataque ao corpo, os linfócitos B começam a bombear anticorpos em massa na superfície do vírus. No início, a imensa maioria deles não faz nenhum efeito sobre a ameaça. O que ocorre a seguir é uma intensa multiplicação aleatória de moléculas a partir daquelas que melhor reagiram ao vírus – um processo “darwiniano” de seleção natural em velocidade frenética. Ao fim da batalha, o linfócito B aprende como combater aquele vírus e mantém os anticorpos mais “experientes”, que podem durar meses ou anos. Aqueles mais frágeis, das primeiras tentativas, decaem em pouco tempo – o que pode ser considerada uma limpeza do corpo. E quando o sistema imunológico percebe um novo ataque daquele vírus, é capaz de reproduzir os bons anticorpos com muita eficiência.

Os especialistas ainda não sabem, no entanto, qual a quantidade necessária de anticorpos resistentes para bloquear o vírus. Por isso, é possível que uma dose de reforço de vacina, para relembrar o sistema daquela defesa, pode ser importante com o passar do tempo.

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