O papel do açúcar para ajudar a decifrar doenças

A ciência mergulha no estudo do glicoma – a linguagem biológica essencial por meio da qual os açúcares estabelecem a comunicação célula-célula. Esta pode tanto promover tanto reações imunes quanto abrir caminho para patógenos

Uma porta de glicano controla a abertura da proteína spike do Sars-CoV-2.

Os açúcares são a plebe dos organismos vivos porque estão em toda parte das células e de outras moléculas. Esse ano, inclusive, apareceram onde não se imaginava: no RNA, peça básica da maquinaria genética e personagem de importantes vacinas anticovid. Embora já tenham sido temidos por sua abundância, somada ao consumismo, agora revelaram proezas inéditas que estão cativando a ciência.

Eles seriam as letras ou frases de uma linguagem biológica essencial, o glicoma, explica Mark von Itzstein, da Universidade Griffith em Brisbane, Austrália, citado em um artigo da prestigiada revista Nature sobre os glicanos – um outro nome dos açúcares. Os glicanos promovem boas reações imunes, por exemplo, porque o glicoma facilita a comunicação célula-célula. São os glicanos, por outro lado, que protegem o Sars-CoV-2 do sistema imunológico: em geral, patógenos podem usar o glicoma para se aproximar das células nas quais querem se hospedar. Podem, pelos mesmos meios, influenciar as células cancerosas, e assim ajudar a entendê-las. O estudo da linguagem dos açúcares, tudo indica, pode nos contar boas histórias sobre a saúde.

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