Atlas das células “senis” pode poupar idosos de doenças graves

Câncer, doenças cardiovasculares e pulmonares, demência e fragilidade podem estar ligadas a estas células. Tema remete aos cuidados com idosos – 85% dos quais, no Brasil, dependem do SUS e sofrem com subfinanciamento

Diversas iniciativas médicas importantes, atualmente, estão associadas ao tratamento de doenças próprias da população idosa. Simbolicamente, a ONU refletiu essa tendência instituindo no final de 2020 a “Década do Envelhecimento Saudável”, 2021-2030.

Nos EUA, os grandes laboratórios biomédicos acabam de criar um instrumento poderoso de pesquisa: o consórcio SenNet (Rede de Senescência Celular). Ele reunirá 16 equipes e contará com recursos do governo norte-americano. A ideia é fazer um atlas minucioso do organismo: vasculhar os órgãos e localizar com precisão as células senescentes – “ovelhas negras” que se acumulam com a idade e contribuem para o aparecimento do câncer, doenças pulmonares crônicas e cardiovasculares, fragilidade e demência. Incapazes de se reproduzir por desarranjos que sofreram, acabam emitindo ruídos dissonantes: sinais que danificam os tecidos. Esse mapa, espera-se, trará mais conforto para a cada vez mais numerosa terceira idade.

Há movimentos paralelos no Brasil. Chegou-se, por exemplo, em outubro, ao final da 5ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, que fixou 25 prioridades para lidar com o envelhecimento populacional no país. Mas há muito que mudar, dispara o gerontólogo de renome internacional, ex-diretor da OMS, Alexandre Kalache, de renome internacional: “85% dos mais idosos dependem do SUS”, diz, que no entanto “vem sendo sucateado por financiamento inadequado e gestão ineficiente”.

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