Vacina contra covid-19: qual será a eficácia aceita pela Anvisa?

Presidência da Anvisa admite que ela pode ser de menos de 50%; agência da União Europeia se diz propensa a isso. Entenda quais os problemas

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

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Em entrevista à Reuters, o diretor-presidente da Anvisa levantou a possibilidade de a agência aprovar um imunizante contra a covid-19 com menos de 50% de eficácia. Antonio Barra Torres não afirmou categoricamente que isso vai acontecer (de acordo com ele, a Anvisa ainda não decidiu qual será o percentual mínimo exigido), mas lembrou que já foram aprovados imunizantes contra influenza com eficácia abaixo de 50%.

A fala se segue à notícia de que a agência reguladora da União Europeia estaria inclinada a fornecer esse tipo de aprovação, desde que as vacinas se mostrem seguras. Existe uma baita discussão em torno disso: não há muitas dúvidas de que mesmo uma vacina mediana ajudaria a reduzir a propagação do vírus, mas, por outro lado, vários especialistas apontam os possíveis reveses. Um deles é que, num primeiro momento, a população ache que todos os problemas serão resolvidos com o começo das espetadas, abrindo mão de cuidados como o uso de máscaras – se as vacinas não forem muito eficazes, isso poderia facilmente levar a um aumento das infecções. E outro é o risco de que, depois, a confiança do público na vacinação saia abalada.  Afinal, ver que várias pessoas foram vacinadas e continuam ficando doentes pode não ser muito animador. São problemas realmente graves – que poderiam ser minimizado se os prováveis limites dos imunizantes fossem mais enfatizados e comunicados à população. Em vez disso, autoridades e farmacêuticas (e, muitas vezes, a imprensa também) oferecem a expectativa de uma panaceia.

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