Temer libera R$ 4 bilhões para Santas Casas

Ele classificou o crédito para filantrópicos como um “verdadeiro ato religioso que estamos fazendo”.

Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Disponível no Wikimedia Commons

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17 de agosto de 2018

TEMER LIBERA R$ 4 BILHÕES PARA SANTAS CASAS

A linha de crédito foi aberta ontem via Medida Provisória e os recursos vão sair do FGTS, com juros de 8,66% ao ano – bem menores que os atuais, que ficam entre 19% e 22%. Segundo o Estadão, Temer chamou a MP de “verdadeiro ato religioso que estamos praticando em favor do povo brasileiro”. E ainda pediu que os representantes do setor  “visitassem os parlamentares”, pressionando para que a MP vire lei. Já o ministro da saúde, Gilberto Occhi, disse que estava sendo feita nada mais do que justiça, informa a Agência Brasil.

E terminou em Brasília o 28º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, do qual falamos na newsletter de ontem. Um representante do Ministério da Saúde, Michael diana, esteve em um painel chamado ‘Gestão Clinica: fazer melhor com menos’. Ele falou sobre sistemas de informação.

PERDULÁRIO, INEFICAZ E PERIGOSO

Inspecionar as casas, mandar as pessoas olharem seus vasos de planta e ficarem de olho nos vizinhos, passar carro com fumacê, perseguir cada gota de água parada. Há 30 anos o Brasil quer controlar a multiplicação do Aedes aegypti, e há 30 anos falha. Não só a epidemia de dengue volta a cada ano como outras doenças passam a ameaçar:  zika e chikungunya se tornaram grandes problemas, e a febre amarela volta a assustar em termos nacionais, inclusive com o espectro da sua versão urbana pairando sobre alguns municípios.

O que está dando errado? Para a médica Lia Giraldo, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pesquisadora aposentada da Fiocruz e membro do Grupo de Trabalho Saúde e Ambiente da Abrasco, o problema está justamente no foco: o maior inimigo não é o mosquito. Nesta entrevista ela explica o porquê. A conversa foi conduzia por Antonio Martins, do Outras Palavras, especialmente para o Outra Saúde.

FEBRE NO PARQUE

E por falar nisso… A secretaria de saúde de Caraguatatuba pediu o fechamento do Parque Estadual da Serra do Mar depois que oito macacos foram encontrados mortos. A suspeita é de febre amarela. Ele vai continuar aberto, mas com visitação restringida.

NA CORRIDA

A campanha de Marina Silva (Rede) nas ruas começou com a bênção de um padre e, em seus primeiros discursos, ela falou de saúde, visitando um ambulatório mantido por médicos voluntários em São Paulo. Disse que a saúde “vive uma situação dramática”, que vai “fechar o dreno da corrupção” para conseguir mais recursos, e que pretende “tratar da saúde das pessoas e da saúde do Brasil”, já que o “país está quase que numa UTI”. Ela também enalteceu a força feminina e disse que vai acolher o casamento homoafetivo, caso haja uma iniciativa de lei.

A propósito, no poder360 tem links para todos os programas de governo dos candidatos à presidência. Ainda vamos falar muito sobre eles.

RECORDE DE OVERDOSES

Em 2017, cerca de 200 pessoas morreram por dia de overdose nos EUA, segundo dados preliminares do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Foram 72 mil óbitos, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. Isso significa que mais gente morreu por overdose do que por HIV, ou por acidentes de carro, ou por armas de fogo. Por trás dos números está o surgimento de drogas mais fatais, mas também o uso de medicamentos para dor – opioides são viciantes.

A epidemia começou nos anos 1990, quando: “o marketing farmacêutico e o lobby levaram os médicos a prescreverem muito mais analgésicos opiáceos – levando a uma primeira onda de mortes por overdose”, conta a matéria da Vox. Uma segunda onda começou nos anos 2000, quando a heroína inundou o mercado ilegal,  chegando inclusive àquelas pessoas que tinham ficado viciadas nos remédios. Agora, a terceira onda com o aparecimento de alternativas mais baratas e ainda mais fatais, como o fentanil.

Esse tipo de opioide sintético, fácil de transportar, passou a ser misturado no mercado ilegal a cargas de drogas como heroína, cocaína e metanfenamina, segundo o New York Times. E o mais grave é que combinações entre essas drogas podem aumentar o risco de morte.

As soluções, diz a reportagem da Vox, passam por exemplo por aumentar o acesso ao tratamento da dependência, que hoje é inacessível para a maior parte das pessoas. Outro ponto seria que médicos restringissem a prescrição de medicamentos opiáceos.

BANCO DE DNA?

O ministro do STF Alexandre de Morais sugeriu recentemente a criação de um banco de DNA no Brasil, o que facilitaria a investigação criminal. “Qual o problema de se realizar um cadastramento de DNA, que é um exame nada invasivo?”, questionou. Bom, a matéria da Vice explica que os problemas não apenas existem como são bem grandes. Esse dado é extremamente sensível, pois, além de ser único, possibilita a identificação de diversas características do dono, desde sexo e etnia a possíveis doenças. Seria usado de bom grado por empresas de planos e seguros de saúde, por exemplo. E, em casos extremos, ainda poderia favorecer políticas de “higienização” da sociedade. O registro de todas as pessoas e suas características permitiu que a Alemanha nazista tivesse mais facilidade para buscar e capturar judeus.

A reportagem ainda explica que, hoje, o Brasil já tem uma lei que prevê a coleta de dados genéticos de quem comete crimes hediondos ou dolosos com violência grave. E isso já é problemático. ‘ A criação de um banco de dados desse tipo acaba funcionando na prática como um banco de suspeitos preferenciais que passarão a ter o estigma de possíveis culpados durante anos, pelo menos aos olhos do Estado”, aponta Rafael Custódio, coordenador de Violência Institucional da Conectas.

ESPECIAL

A revista do IHU-online lançou uma edição especial sobre o SUS, com entrevistas com alguns nomes de peso discutindo temas como financiamento, descentralização e formação. Hoje destacamos a entrevista de Nelson Rodrigues dos Santos, o Nelsão, médico sanitarista e um dos nomes históricos do movimento da Reforma Sanitária: “Se o longo prazo se estender ao final da vigência da EC 95, certamente na prática já não teremos o SUS, só restando uma revisão constitucional referendando espaço público somente para financiar o mercado na saúde e atender a baixíssimo custo os mais pobres.”, diz.

PÍLULA ABORTIVA

A Argentina não aprovou no Senado a descriminação do aborto no dia 9, mas a questão parece mesmo ter tomado um caminho sem volta. Depois de o presidente Macri ter anunciado a intenção de acabar, via reforma do Código Penal, com a pena de prisão para mulheres que façam o procedimento, agora outra novidade vem da ANMAT (tipo a Anvisa de lá). A agência anunciou que vai regulamentar a produção e venda de misoprostol para uso ginecológico – o medicamento é usado contra úlcera, mas também é abortivo e, segundo a OMS, seu uso é o método mais seguro para interrupção da gravidez. Já foi liberada a venda dele nos hospitais argentinos (mas ainda não em farmácias) e, por enquanto só um laboratório privado o produz. Mas, segundo o El País, a produção estatal também deve começar em breve.

ESPERANDO A MUDANÇA

Faz dez anos que o Congresso peruano aprovou uma lei para mudar de lugar toda a cidade de Pasco. Por quê? Porque ela é basicamente uma mina a céu aberto, com solo e água extremamente contaminados e moradores com a saúde comprometida. Mas até hoje, dez anos depois, a mudança não veio. A responsável pela mina é a empresa peruana Volcan, e desde o ano passado a maior parte das suas ações são da anglo-suíça Glencore.

ACREDITE SE QUISER

Quando a gente pensa que já viu de tudo, lê que existe um serviço chamado “Ser mamãe em Miami“. Por meio dele, casais desembolsam no mínimo R$ 100 mil para terem seus filhos nos EUA e garantirem a nacionalidade de lá à sua prole. Quem está por trás da iniciativa é um pediatra brasileiro chamado Wladimir Lorentz que mora nas terras do Tio Sam desde os 15 anos. À BBC, ele diz que mais de 900 crianças já nasceram por meio do serviço, e umas 500 são brasileiras. O serviço oferece das consultas e exames ao parto.

PRESCREVER NATUREZA

A ideia de que o maior contato com a natureza diminui a incidência de certas doenças vem ganhando força entre alguns pesquisadores, e o Estadão conversou sobre isso com Matilda van den Bosch, professora assistente na Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. Ela listou estudos recentes que embasam cientificamente essa noção e criticou que, durante sua formação em medicina, nunca tenha ouvido o termo ‘meio ambiente’.

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