Gigantes da tecnologia de olho na saúde

Seis empresas fizeram um acordo sobre compartilhamento de dados.

Essa e outras notícias aqui, em oito minutos.

16 de agosto de 2018

DR. GOOGLE & CIA

A Google segue firme e forte em seu avanço sobre a saúde, e não estamos falando de quando você procura sobre seus sintomas no buscador. A Alphabet, conglomerado do qual a empresa faz parte, acaba de investir US$ 375 milhões na Oscar Health, uma startup de saúde digital que se define como “um novo tipo de empresa de planos de saúde”. Ela foi criada há apenas seis anos (um dos fundadores é Josh Kushner, irmão do genro/assessor de Trump) e oferece planos baseados em programas do governo americano, como o Medicare. Com essa grana a mais, a Oscar pretende começar a vender para idosos do Medicare Advantage.

Já a Apple parece estar trabalhando para desenvolver um chip que interprete dados de saúde dos usuários, segundo especulações da CNBC.

E gigantes da tecnologia – Google, Amazon, IMB, Microsoft, Oracle e Salesforce – fizeram um acordo sobre dados de saúde. A ideia é que elas passem a usar um conjunto comum de padrões destinados a facilitar a “troca de dados sem atrito” – ou seja, tornando menos difícil compartilhar informaçõessobre cuidados de saúde entre os hospitais. A Fortune celebra o acordo como uma possibilidade de melhorar a inteligência artificial e “salvar vidas”, porque “ter mais informações em mãos potencialmente ajuda no diagnóstico e tratamento rápidos”. Como tudo tem seu lado perigoso, há pouco tempo falamos um tando desse tipo de investida nesta reportagem sobre o bilionário negócio da coleta e venda de dados de saúde.

NA UNIVERSIDADE

Falando nisso, o Estadão entrevistou Clay Johnson, que é reitor da Dell Medical School, criada recentemente na Universidade do Texas. (uma das mantenedoras da faculdade é a Michael & Susan Dell Foundation, braço filantrópico da família que gere a empresa Dell). Johnson frisa que alunos precisam estar abertos à tecnologia: “Precisamos de pessoas que possam liderar essa mudança e que consigam abraçar a tecnologia, mas apenas quando ela visa ao benefício para o paciente e à evolução do sistema de saúde. É um tipo diferente de médico, que está confortável com a tecnologia, que entende de engenharia de sistemas, que consegue colocar o foco no valor proporcionado e que exerce liderança para mudar esse sistema”.

MEIRELLES E O QUE PEDEM AS SANTAS CASAS

O candidato à presidência esteve ontem no 28º Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, que está rolando em Brasília. Segundo o site do evento, ele prometeu regulamentar a Lei Pró-Santas Casas (13.479/2017), que trata do financiamento específico para essas instituições que atendam ao SUS, e disse ainda que o SUS precisa melhorar a gestão “aprendendo com quem sabe fazer melhor”, ou seja, as ditas cujas. Ele ainda falou que vai passar a ir lá todo ano para “avaliar o que foi feito em benefício” dessas instituições e “o que ainda precisa ser feito”. Segundo o Estadão, Meirelles disse que foi o único candidato a aceitar o convite para o Congresso.

Mas a programação tem outros pontos. Ela foi aberta com um “café da manhã com parlamentares“, que juntou presidentes de diversas federações a nomes como o da senadora Ana Amélia (PP/RS, candidata a vice com Alckmin), os deputados Darcísio Perondi (MDB-RS) e Fábio Ramalho (MDB-MG, presidente interino da Câmara) , Mauro Junqueira (presidente do Conselho que reúne os secretários municipais de saúde) e Francisco Figueiredo, que é secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde.

Temer deve assinar hoje uma MP para “ajudar no problema de endividamento das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos), segundo Perondi.

“Não tem tem sistema de saúde no mundo que possa oferecer tudo para todos”, disse na palestra magna o professor adjunto de Economia e Gestão em Saúde da Unifesp, Marcos Bosi Ferraz, defendendo que por isso é preciso escolher e priorizar as ações em saúde. Depois, em entrevista à Confederação das Santas Casas, ele afirmou que “um ponto importante para os poderes executivo, legislativo e judiciário é o reconhecimento da suficiência econômica do país para a imensa necessidade e expectativa que ele tem para atender os princípios constitucionais expressos”.

O ministro da saúde Gilberto Occhi deve participar do encerramento, hoje à tarde.

VERDADEIRO OU FALSO

O Truco (projeto de fact-checking da Agência Pública) verificou cinco frases de saúde ditas recentemente pelos candidatos à presidência: “O candidato Ciro Gomes (PDT) exagerou ao falar do total de brasileiros que só têm o Sistema Único de Saúde (SUS) como porta de acesso. Geraldo Alckmin (PSDB) acertou ao apontar que, em mais de 500 municípios do país, o câncer é a principal causa de mortes. Marina Silva (REDE) errou quando disse que a saúde é a principal despesa das prefeituras. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi correto ao falar da derrota ocorrida no seu governo para a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). E Jair Bolsonaro (PSL) usou um dado falso ao afirmar que não há provas de que os integrantes do programa Mais Médicos saibam medicina”. Entenda aqui.

PULVERIZAÇÃO AÉREA INVESTIGADA

Agora foi em uma escola municipal no município sergipano Tomar de Geru: no dia 8, dez pessoas, entre professores e alunos, foram encaminhadas ao posto de saúde com sintomas de intoxicação. A principal suspeita é que a pulverização de agrotóxicos seja a culpada, porque a escola fica em uma área com plantação de laranja. O caso está sendo investigado pela vigilância sanitária do estado.

RESPINGOS DA CONDENAÇÃO

A condenação da Monsanto ainda ecoa. A Justiça do Distrito Federal suspendeu o registro de produtos à base de glifosato até que a Anvisa conclua se há danos à saúde. Mas o  o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso declara: “Sem glifosato não tem soja no Brasil”; “Hoje produtor não sabe mais plantar de outra forma a não ser essa”.

De todo modo, está em pauta da implementação da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos, que não se restringe a essa redução mas também quer aumentar a oferta de insumos biológicos e naturais. No Outras Palavras, Nilton Tatto escreve sobre isso. “Os ruralistas alegam a intenção de aumentar a produtividade agrícola para alimentar o mundo, Mas esquecem que, por conta de muitos dos produtos químicos que querem utilizar aqui, dezenas de países deixarão de adquirir nossa produção agrícola. Será preciso desenhar isso para esses senhores?”

VAI BANCAR

Tem coisas que só o sistema público banca, mas não é fácil conseguir da União R$ 2,6 milhões para um tratamento. Esse é o custo de seis doses de um medicamento para a Atrofia Muscular Espinhal (AME), doença degenerativa rara que atinge de 7 a 10 bebês a cada 100 mil nascidos vivos. A BBC fala de Michelle Costa, que acaba de conseguir na Justiça essas seis primeiras doses para seu filho Guilherme. Há pelo menos outras 106 ações tramitando no Brasil em busca do mesmo tratamento.

CANABIDIOL

Em decisão inédita, o STJ permitiu a importação de Canabidiol (que tem a maconha como matéria prima) para tratamento médico de uma menina com epilepsia. Contrária, a União defendia que o medicamento ainda tem caráter experimental, e que a Anvisa não autorizou seu uso no Brasil, enquanto o SUS oferece 12 tratamentos já testados. A decisão do STJ vale só para o caso específico analisado.

SEM CONSULTAS

O município do Rio fechou 48% das vagas para primeira consulta oncológica na rede pública, segundo um levantamento da Defensoria Pública da União. Nas unidades federais de saúde faltam ao todo 5,8 mil funcionários e mais de mil pessoas estão na fila por consultas, cirurgias e tratamentos.

PIOROU

Redução de equipes e sobrecarga de unidades que já estavam lotadas: um relatório do Ministério Público diz que a restruturação da saúde em São Pauloprejudicou a população. É um processo confuso. Primeiro ficou previsto o fechamento de 108 AMAs (são unidades ambulatoriais); em maio a restruturação foi suspensa e na terça a prefeitura anunciou que vai reunir as 13 AMAs que já tinham sido fechadas.

DEU EM PIZZA

R$ 4 bilhões não são um valor desprezível mas, no Tocantins, uma investigação sobre o desvio desse montante da saúde terminou sem ninguém preso, mesmo com sete condenações. Está no G1.  .

SEM ÁGUA

Estadão diz que um dos maiores hospitais públicos da Venezuela está cancelando cirurgias por falta d’água. Os banheiros estão fechados e não sai uma gota das torneiras. Hoje, 76% dos habitantes de Caracas não recebem água regularmente.

CÓDIGO DE ÉTICA

Estudantes de medicina têm, enfim, um Código de Ética no Brasil. Lançado pelo CFM, ele trata de trotes violentos, sigilo médico, uso ético de cadáveres em aulas, assédio moral e relações abusivas nas escolas.

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