Tem cloroquiner na Anvisa

Nomes indicados para diretoria da agência foram aprovados esta semana pelo Senado. Entre eles, uma médica defensora da droga e um advogado apadrinhado pelo Centrão

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Na terça, o Senado aprovou os nomes indicados por Bolsonaro para a Anvisa. E há entre eles um advogado apadrinhado pelo Centrão e uma médica com redes sociais bem estranhas, cheias de postagens em favor da cloroquina. A Folha conta um pouco mais sobre esses heterodoxos personagens que estarão no comando de uma agência extremamente complexa, responsável por analisar temas de interesse direto da indústria. 

Alex Machado Campos é servidor efetivo da Câmara dos Deputados e já atuou como chefe de gabinete do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta. O deputado André de Paula (PSD-PE) o considera um “amigo”. Bolsonaro o indicou para um dos cargo-chave da Anvisa em abril e, segundo o jornal, o nome foi levado ao presidente “por mais de um parlamentar” do Centrão.

Já Cristiane Rose Jourdan Gomes é médica e, até agosto deste ano, era diretora do Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio. Em suas redes sociais, publica links para artigos em defesa da hidroxicloroquina e conteúdos com críticas ao Supremo, à imprensa e ao movimento antifascista.

Ela foi indicada de última hora, depois de Bolsonaro retirar o nome Marcus Aurélio Miranda de Araújo – que hoje é diretor substituto da Anvisa. “Nos bastidores da agência, comenta-se que se tratou de uma represália. Araújo votou contra a prorrogação do prazo para o início do banimento do agrotóxico paraquate, uma demanda do agronegócio”, diz a reportagem.

Foram confirmados pelo Senado outros dois nomes que já atuavam na diretoria: o contra-almirante da Marinha Antonio Barra Torres e Meiruze Freitas, a única servidora de carreira da agência no grupo de indicados. Há ainda um quinto posto na diretoria colegiada. Atualmente, é ocupado por Alessandra Soares, que cuida da estrutura responsável pela liberação das vacinas. Seu mandato se encerra no fim do ano…

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