Radiofármacos: o potencial não aproveitado do Brasil

Crise na produção de medicamentos e diagnósticos, em outubro, chama atenção para um gargalo. País pode ganhar autonomia e até tornar-se exportador destes produtos, se construir Reator Multipropósito

Outra vítima do corte de gastos do governo: a produção químicos dotados de elementos radioativos, que são usados para o diagnóstico e tratamento de doenças nas áreas de oncologia, cardiologia, hematologia e neurologia. Em 2021, a destinação orçamentária para a importação de insumos e para cobrir todas as demais despesas produtivas do Instituto de Pesquisas Estratégicas e Nucleares (Ipen) foi de R$ 91 milhões, montante 46% inferior ao do ano anterior. Faltaram recursos, e a produção teve de ser interrompida entre 20 de setembro e 1° de outubro, pondo em risco cerca de 9 mil procedimentos diários.

A União tem monopólio da produção desses radiofármacos, mas para completar o processo, precisa importar a matéria prima: os radioisótopos, substâncias fabricadas em reatores nucleares. Poucas nações têm excedente importável do material, e a importação é feita principalmente da África do Sul, Rússia e Países Baixos. Segundo matéria da revista Pesquisa Fapesp, a despesa anual com essas importações é de 15 milhões de dólares – ou cerca de 82 milhões de reais.

Mas há ao menos uma solução que viria bem a calhar: a construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que faria o país alcançar autonomia e poderia virar grande exportador dos radioisótopos. “O RMB também seria uma peça importante para o Brasil se tornar um polo de desenvolvimento de novos radiofármacos de interesse nacional”, conta a revista. O projeto está desde 2012 entre as prioridades do país listadas no Plano Plurianual, já dispõe das licenças de instalação ambientais e de segurança nuclear e tem até uma área destinada à sua construção, no município de Iperó (SP). Com isso, o RMB poderia se manter autonomamente, e ainda teria capacidade de autoinvestimento em pesquisa – coisa de que o Ipen não dispõe hoje em dia. 

Gostou do texto? Contribua para manter e ampliar nosso jornalismo de profundidade: OutrosQuinhentos

Leia Também: