Quantos já morreram nas filas

Levantamento de jornal mostra mais de quatro mil vítimas em apenas seis estados. Ministério da Saúde aponta aumento da média de óbitos em metade do país

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Mais de uma vez, o presidente Jair Bolsonaro declarou que “ninguém” morreu com covid-19 por falta de leito ou atendimento médico. As notícias sobre filas nas UTIs em diversos estados sempre o desmentiram, e agora o El País levantou dados junto às secretarias estaduais de saúde para ver, até o momento, quantas pessoas foram a óbito antes de conseguir uma vaga em UTI. Só seis estados forneceram essas informações – Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Maranhão – e, mesmo que eles representem menos de um terço do país, os números são muito ruins: 4.132 pessoas morreram na fila. Vale notar que estados que enfrentaram problemas terríveis, como Amazonas e Ceará, não entraram na conta.

Entre os seis, o Rio de Janeiro é o pior, com mais de 2,3 mil óbitos. As taxas de ocupação de UTI no estado vêm diminuindo nos últimos meses, e dois hospitais de campanha já foram fechados. Mas a situação, especialmente na capital, já voltou a se agravar. A média diária de mortes mais do que dobrou entre os dis 17 e 24 de agosto, passando de 29,71 para 69,43. No estado como um todo, cresceu 80%. No Pará, que também experimentou melhora durante algum tempo, houve igualmente 80% de aumento. No total, na última semana 13 estados tiveram alta nas mortes diárias – metade do país. São quatro estados a mais que na semana anterior. 

Aliás, o Brasil acaba de superar os Estados Unidos no número de mortes a cada 100 mil habitantes. O indicador é criticado por diversos especialistas, que preferem trabalhar com números absolutos – mas é um dos dados preferidos de Bolsonaro para avaliar a resposta dos países. No ranking mundial, o Brasil está agora em 10º lugar nesse quesito.

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