Quando as curvas enganam

Será que o Brasil vai viver uma segunda onda, como Europa e Estados Unidos? Dados do Infogripe mostram crescimento de síndrome respiratória aguda grave em dez capitais

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Quando o número de casos de covid-19 na Europa e nos Estados Unidos começou a subir, muita gente demorou a acreditar no quanto isso poderia ser grave: havia uma narrativa de que o crescimento se devia ao aumento das testagens e que não necessariamente levaria a mais mortes.

Mas então subiram as hospitalizações, depois finalmente os óbitos, e então a segunda onda se tornou uma realidade inequívoca. No Brasil, surgiu a pergunta: haverá segunda onda por aqui também?

Considerando que nossa curva é totalmente diferente daquela desenhada por esses países (nunca tivemos um pico definido, e, embora estejamos presenciando uma queda há algumas semanas, ela nunca foi drástica), é difícil afirmar categoricamente que a primeira onda terminou.

Mas já dá para ver a pandemia ganhando força de novo, mesmo que os gráficos de novos casos e óbitos ainda nos deem uma falsa sensação de segurança. Em relação aos casos, temos a eterna questão brasileira com a testagem, que nunca permitiu um acompanhamento correto. Mas não é só isso. 

O vídeo do canal Alô, Ciência, explica do jeito mais simples possível que o atraso nas notificações ainda é um problema – no caso das mortes, os números mostram uma realidade de cerca de cinco semanas atrás – e que em vez deles deveríamos olhar para os números de SRAG, a Síndrome Respiratória Aguda Grave.

E os dados do Infogripe (sistema da Fiocruz que acompanha SRAG no Brasil e que mencionamos um bocado por aqui) mostram crescimento em vários pontos do país. Em dez capitais, há sinais de aumento nas hospitalizações: Aracaju, Florianópolis, Fortaleza, João Pessoa, Macapá, Maceió e Salvador são as que apresentam sinais fortes, enquanto em Belém, São Luís e São Paulo eles são mais moderados. E alguns estados já veem seus hospitais pressionados novamente. 

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