Plano contra covid-19 nas aldeias deixa 70% das terras indígenas de fora

E mais: grupo de isolados fez contato com aldeia no Acre há mais de uma semana, mas nenhuma providência foi tomada

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Seis meses depois da chegada do coronavírus ao país, após muita pressão e até mesmo de uma determinação do STF, o governo federal finalmente apresentou seu plano para evitar a transmissão nas aldeias. Só que ele deixa de fora nada menos que 70% das terras indígenas brasileiras. Segundo O Globo, que obteve o documento, apenas 163 das 537 terras indígenas (excluindo as que têm povos isolados) aparecem como beneficiadas pelas medidas. Além disso, o plano não traz nenhuma ação para conter os invasores – o que não surpreende nem um pouco. “Um plano extremamente deficitário, com objetivos e metas que não priorizam salvar vidas indígenas. Além de demostrar de forma clara que o governo não esta aberto ao diálogo intercultural, pois não acatou as contribuições oferecidas no âmbito do grupo de trabalho”, critica o advogado que representa a Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) no Supremo, Eloy Terena. A Apib encaminhou uma petição ao ministro Luís Roberro Barroso pedindo que o Supremo determine a revisão do documento.

E há uma situação urgente para se resolver. Há cerca de uma semana, um grupo de dez a 20 índigenas isolados fez contato com a aldeia Terra Nova, na fronteira do Acre com o Peru. A Apib pediu ontem ao STF e ao Gabinete de Segurança Institucional que se decida o que fazer. O Ministério Público Federal deu 48 horas para Funai e a Sesai fornecerem dados epidemológicos dos povos localizados na região do rio Envira, onde foi feito o contato. Até onde se sabe, não há casos confirmados na região, mas relatos de moradores com sintomas. Adivinhem? No local, não havia nenhuma barreira sanitária instalada pelo governo federal.

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