Pfizer: estudo concluído

Reunião entre Ministério da Saúde brasileiro e executivos da farmacêutica aconteceu esta semana, mas nenhum acordo foi anunciado. Empresa diz ter solução para problema do resfriamento

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Menos de dez dias depois de divulgar os dados preliminares de seus ensaios de fase 3, a Pfizer disse ontem que o estudo foi concluído e deu os números finais: 95% de eficácia na prevenção da covid-19 (sendo 94% em pessoas acima de 65 anos) e nenhum efeito colateral grave. Entre os 43 mil voluntários, foram identificadas 170 infecções, tanto no grupo que recebeu o placebo como no que tomou a vacina – segundo o protocolo da pesquisa, o estudo se daria por encerrado quando atingisse 164 casos confirmados. Dos 170 voluntários contaminados, só oito haviam tomado a vacina. As informações foram disseminadas via comunicado no site da empresa; falta publicá-las em uma revista científica, o que, dados os processos de revisão, ainda pode levar algumas semanas.

E agora?

Mesmo que a pesquisa ainda não tenha sido publicada, a Pfizer disse que vai pedir nos próximos dias uma autorização emergencial à FDA, a Anvisa dos Estados Unidos. É para este país que está reservada metade das 50 milhões de doses que a farmacêutica consegue disponibilizar até o fim deste ano. Para 2021, a promessa é de que sejam fabricadas mais 1,3 bilhão de doses. 

No Brasil, a empresa ainda não submeteu um pedido de registro emergencial à Anvisa – o que deve acontecer assim que a FDA liberar o imunizante nos EUA. Houve uma reunião entre executivos da companhia e o Ministério da Saúde nesta terça, mas não foi anunciado nenhum acordo de compra. Segundo o presidente da farmacêutica no Brasil, Carlos Murillo, as negociações estão avançando. Um tanto vagamente, ele disse que a Pfizer teria condições de imunizar “alguns milhões” de brasileiros no começo de 2021 – o que depois foi reforçado por um comunicado da empresa. Murillo diz que, na previsão mais otimista, as doses (não se sabe quantas) chegariam aqui em janeiro. Mas isso depende de certas etapas: a aprovação da FDA, o acordo com o governo brasileiro e o registro na Anvisa. 

E há a questão da cadeia de frio, que preocupa especialistas há meses. Como se sabe, esse imunizante precisa ser conservado a cerca de -70°C durante o transporte e só aguenta cinco dias na temperatura padrão dos outros refrigeradores (de 2°C a 8°C) . Não existem ultracongeladores com essa capacidade na Rede de Frio, do nosso Programa Nacional de Imunização. Aliás, nem mesmo os países desenvolvidos estão preparados para lidar rapidamente com o problema.

A Pfizer afirmou em nota que tem estratégias para lidar com a dificuldade a partir de caixas especiais com gelo seco, capazes de armazenar entre mil e cinco mil doses. Desenvolvidas pela própria empresa, elas podem manter as vacinas por até 15 dias fora dos ultracongeladores, desde que sejam abertas no máximo duas vezes por dia. Já comentamos aqui que soluções desse tipo foram usadas para transportar com sucesso a vacina do ebola – que também precisa ser mantida a menos de -60ºC – para regiões pobres e com pouco acesso a energia elétrica no continente africano. A logística não é impossível. Mas, sem dúvidas, seria muito melhor se a Pfizer conseguisse desenvolver maneiras de manter essa vacina eficaz em temperaturas um pouco mais altas, como fez a Moderna.

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