Os descalabros do Ministério da Economia

Pasta quer isolamento social no patamar de fevereiro – o do Carnaval – para retomada da renda dos brasileiros. Paulo Guedes só admite prorrogação do auxílio com mil mortes diárias

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O Ministério da Economia está defendendo que a população volte às ruas de modo que o isolamento social volte ao mesmo patamar de fevereiro, mês do Carnaval. ‘Estudo’ da Secretaria de Política Econômica da pasta crava que a renda dos brasileiros só voltará ao habitual se essa taxa refluir a 29%, usando como base de comparação o mês de outubro, quando o distanciamento alcançava 37%. Tem mais: esse é o argumento da equipe econômica para sustentar que não há motivos para prorrogar o auxílio emergencial em 2021. 

O homem por trás da projeção é Adolfo Sachsida – que já havia atacado de epidemiologista em 17 de novembro, quando afirmou que a possibilidade de uma segunda onda no Brasil era baixa porque os estados teriam atingido ou estariam caminhando para “a imunidade de rebanho”. Na época, destacamos essa afirmação, tirada da cartola. Hoje, quando o país voltou a liderar a taxa de crescimento de casos no mundo, ela parece motivo mais do que suficiente para que a secretaria de Sachsida desista de fazer projeções sobre a pandemia. 

O outro epidemiologista fajuto, Paulo Guedes, afirmou nessa terça que só será convencido de que existe segunda onda caso o número de mortes bata a marca das mil por dia. Apenas diante dessa tragédia o ministro da economia afirmou que concordaria em defender a prorrogação do auxílio. 

Bom, de uma forma ou de outra a pasta está contribuindo para que isso aconteça.

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