A covardia das autoridades

Cerca de 250 pessoas aguardam por UTIs no Rio; governantes se negam a decretar restrições porque “população não vai cumprir”

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

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Dilma Miranda aguardava há 12 dias uma vaga num leito de UTI. Ficou metade desse tempo ‘internada’ em uma cadeira no Hospital do Andaraí, administrado pelo governo federal. O quadro da senhora de 61 anos piorou e ela foi intubada em uma enfermaria da própria unidade, onde permaneceu outros seis dias. Enquanto isso, sua família travava uma disputa judicial para conseguir uma vaga no SUS que garantisse o tratamento intensivo de que ela precisava. Ela morreu ontem, durante a transferência para outro hospital.  

Tudo isso aconteceu no Rio de Janeiro, onde governador interino, o atual prefeito e também o que foi eleito afirmam que não vão decretar medidas de isolamento social porque ‘a população não vai cumprir’. A covardia das autoridades é combinada pela dissimulação do colapso da saúde, já que a capital fluminense tem uma curiosa contagem: cerca de 250 pessoas esperam por vaga em UTI, mas a ocupação dos leitos ontem era de 92%

Enquanto a imprensa no mundo todo repercutia entrevistas com a senhorinha inglesa que foi a primeira a ser vacinada no Reino Unido e comemorou muito porque poderia passar o Natal com os netos, por aqui a família de dona Dilma assistia a sua morte. Vai atravessar as festas em luto – e, infelizmente, não será a única.

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