O contraexemplo sueco

Exemplo para bolsonaristas, país teve maior número de mortes per capita da Europa nos últimos dias. E mais: impacto econômico deve ser similar ao de locais com quarentenas rigorosas

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A Suécia, como sabemos, é o exemplo dado pelo presidente e por todos aqueles que querem afrouxar ou extinguir as medidas de isolamento social no Brasil. Dizem eles que o país – que não adotou restrições obrigatórias, mas voluntárias à circulação das pessoas – vai bem. Mas ontem, três baldes de água fria foram jogados nessa linha de argumentação.

O primeiro vem do próprio governo sueco. A Agência de Saúde Pública daquele país divulgou que até o final de abril apenas 7% da população de Estocolmo, que tem um milhão de habitantes, tinha sido infectada pelo novo coronavírus. Isso três meses depois de o primeiro caso da covid-19 ser registrado. Ao que tudo indica, ainda demoraria um tempinho até que se desenvolvesse algo como uma imunidade de rebanho por lá. (E, precisamos repetir sempre, não há garantias de que vá haver qualquer coisa assim, já que o vírus é novo demais para sabermos se não contaminará a população que já entrou em contato com ele nos próximos anos, como a gripe).

Além disso, nos últimos sete dias, a Suécia é o país europeu que registrou o maior número de mortes per capita, com 6,08 mortos por 1 milhão de habitantes. No total, já são mais de 3,7 mil mortes e 30 mil casos por lá. Por conta disso, Finlândia, Noruega e Dinamarca – que são países vizinhos e compartilham a cultura escandinava –, estão preocupados e estudam manter as restrições de viagens à Suécia – e relaxar as medidas para outras nações.   

Por fim, um estudo concluiu que a Suécia – que manteve estabelecimentos comerciais e escolas abertas – deve sofrer impacto econômico similar a nações vizinhas que foram mais rigorosas na quarentena. Dados de mobilidade mostram que os suecos reduziram suas atividades, mas foram mais às ruas que dinamarqueses, finlandeses e noruegueses. Mesmo assim, a queda do PIB sueco em 2020 deve ficar em 6,8%, de acordo com o FMI. A média dos outros três países é redução de 6,3%.

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